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Estado de Minas

Dívidas com bancos crescem e calote já afeta 62 milhões

Brasileiros com contas em atraso representavam 40,6% da população adulta em setembro, percentual superior ao do ano passado. Só no crediário caiu número de faturas não pagas


postado em 12/10/2018 06:00 / atualizado em 12/10/2018 07:45

Mais da metade dos inadimplentes (51,5%) está na faixa dos 30 aos 39 anos, situação atribuída à falta de emprego e renda(foto: Beto Magalhães/EM/D.A Press - 7/8/13)
Mais da metade dos inadimplentes (51,5%) está na faixa dos 30 aos 39 anos, situação atribuída à falta de emprego e renda (foto: Beto Magalhães/EM/D.A Press - 7/8/13)

São Paulo – O número de brasileiros com alguma conta em atraso ficou estagnado em 62,4 milhões, o equivalente a 40,6% da população adulta, na passagem de agosto para setembro. Frente a setembro do ano passado, o total de brasileiros inadimplentes subiu 3,9%, segundo levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), feito em parceria com o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC).


O presidente da CNDL, José Cesar da Costa, afirma que o desemprego elevado e a renda ainda abaixo dos patamares anteriores à crise seguem prejudicando a capacidade de pagamento dos consumidores. “Esse quadro só deve ser revertido com a melhora do mercado de trabalho, o que exige, por sua vez, recuperação econômica mais vigorosa”, destaca o executivo, ao comentar o resultado do estudo.


O balanço abrange desde dívidas bancárias – como faturas atrasadas de cartão de crédito e empréstimos bancários não pagos –- a crediários abertos no comércio e dívidas com empresas que prestam serviços de telefonia, TV por assinatura e internet. Na comparação com setembro de 2017, as dívidas bancárias, incluindo cartão de crédito, cheque especial e empréstimos, subiram 8,5% no mês passado, alta mais expressiva. Já o número de brasileiros que atrasaram pagamento de crediários no comércio mostrou queda de 6,1%. Nas contas de serviços básicos, como água e luz, houve recuo de 1,1% no total de consumidores com contas em atraso.


O volume de dívidas que está no nome de pessoas físicas teve crescimento de 1,5% em setembro, ante 2017. Frente a agosto, a pesquisa observou leve queda de 0,04% no volume de dívidas em atraso. Os dados das pendências por setor credor revelam que as dívidas bancárias — cartão de crédito, cheque especial e empréstimos — mostraram o crescimento mais expressivo no mês passado: 8,5% na comparação com idêntico período de 2017.

No comércio, também foi percebida queda de 6,1% em atrasos no crediário. Nos serviços básicos, como água e luz, a queda foi de 1,1%. De acordo com a CNDL e o SPC, 52,7% dos compromissos financeiros não quitados foram contraídos junto a bancos ou financeiras, seguidas do comércio (17,9%) e emprestas prestadoras de serviços básicos (7,9%).


Sufoco dos mais velhos
O indicador de inadimplência revela que o aumento mais acentuado do calote surge na população mais velha. Comparando-se os dados de setembro deste ano com o mesmo mês de 2017, houve crescimento de 10% na quantidade de inadimplentes entre 65 e 84 anos. Em número absoluto, estima-se um total de 5,4 milhões de consumidores com o CPF restrito nessa faixa etária.


Entre os brasileiros de 50 a 64 anos, o aumento no número de negativados foi de 6,2%, com 12,9 milhões, e na população de 40 a 49 anos foi de 4,9%, com 14 milhões de inadimplentes. Os dados apontam ainda que a maior parte dos inadimplentes (51,5%) permanece na faixa dos 30 aos 39 anos. São 17,7 milhões de pessoas que não conseguem honrar seus compromissos financeiros. Na população mais jovem, os números também são expressivos: 7,7 milhões de inadimplentes entre 25 a 29 anos e 4,4 milhões com contas atrasadas têm entre 18 e 24 anos.


Para o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Junior, o fato de ter aumento o acesso dos idosos a linhas de crédito acaba levando à inadimplência nessa faixa etária. “Com o aumento da expectativa de vida, a população idosa participa cada vez mais ativamente do mercado de crédito, com um leque maior de produtos e serviços voltados para esse público específico. Isso eleva o número de potenciais consumidores nessa faixa etária, assim com o número de consumidores que eventualmente caem na inadimplência”, analisa.

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