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Estado de Minas

Amazon dobra salários e cria pressão sobre as rivais

O valor da hora trabalhada, reajustada de US$ 7,25 para US$ 15, poderá fazer com que empresas como Google, Apple, Microsoft, Ebay e Intel revejam políticas de remuneração


postado em 08/10/2018 06:00 / atualizado em 08/10/2018 10:12

Trabalhadores da gigante norte-americana passarão a receber mais depois de críticas ao trabalho excessivo e ao baixo salário na companhia(foto: Manjunath Kiran/AFP 18/9/18)
Trabalhadores da gigante norte-americana passarão a receber mais depois de críticas ao trabalho excessivo e ao baixo salário na companhia (foto: Manjunath Kiran/AFP 18/9/18)

São Paulo – Enquanto os brasileiros discutem o futuro do décimo terceiro salário, direitos previdenciários e redução da desigualdade de salários entre homens e mulheres, algumas das maiores empresas dos Estados Unidos estão tomando iniciativas próprias de valorização e retenção de talentos.


Esse movimento ficou mais evidente na semana passada, quando a Amazon decidiu aumentar o salário mínimo de seus funcionários. A partir de 1º de novembro, os empregados receberão ao menos US$ 15 pela hora trabalhada, o dobro do salário mínimo federal, de US$ 7,25. A empresa vinha sendo alvo de críticas e investigações sobre as condições de trabalho em suas unidades.


As suspeitas de excesso de trabalho e baixa remuneração surgiram após o jornalista britânico James Bloodworth passar três semanas em um centro de distribuição da Amazon para investigar as condições de trabalho da empresa. “Escutamos as críticas, pensamos muito sobre o que queremos fazer”, disse, em comunicado, o presidente da Amazon, Jeff Bezos. “Estamos entusiasmados com essa mudança e incentivamos nossos concorrentes e outros grandes empregadores a se juntarem a nós”.


Segundo a gigante americana, mais de 250 mil funcionários e 100 mil temporários serão beneficiados pelo reajuste. Um salário de US$ 15 por hora, levando em consideração um empregado com jornada de 40 horas semanais, representa uma renda anual de US$ 31,2 mil – ou US$ 30 mil, tirando duas semanas de férias não remuneradas.


Outras grandes empresas do Vale do Silício, como Google, Apple, Microsoft, Ebay e Intel, poderão adotar medidas semelhantes para não perderem mão-de-obra ou gerarem entre os empregados um sentimento de estarem sendo mal pagos. “É uma questão de regra de mercado, onde quem oferece os melhores salários e os benefícios mais atraentes leva vantagem no momento de recrutar novos funcionários”, disse Amanda Said, especialista em seleção da consultoria britânica Falcon Group.


Vale lembrar que, em um cenário de pleno emprego nos Estados Unidos, com a taxa de desocupação em mínimos históricos, muitos empregadores reclamam que têm dificuldade em encontrar funcionários qualificados suficientes para empregos e dizem que às vezes precisam ajustar pedidos ou cancelar planos de investimento por esse motivo.


Entre os maiores críticos da Amazon e das condições de trabalho, até então impostas pela companhia, está o senador americano Bernie Sanders. No fim de agosto, ele apresentou no Congresso um projeto de lei que obriga as grandes empresas a pagarem mais aos seus empregados em troca de manutenção da carga tributária.


Pela proposta, a empresa que se negar a aprimorar a política de remuneração terá de pagar impostos mais altos e maior contribuição para programas de assistência social, como o Medicaid – algo polêmico em uma economia liberal. A Amazon, em resposta, afirmou que as declarações de Sanders, que se descreve como democrata socialista, são “falsas e desinformativas”.


Na semana passada, Sanders comemorou a decisão da Amazon. “O que Bezos fez hoje não é só importante para os milhares de trabalhadores da Amazon, pode ser também um primeiro passo em todo o mundo. Insto os líderes corporativos dos EUA a seguir o que Bezos fez”, disse o senador americano, em sua conta no Twitter.


Bezos não apenas está mais preocupado com a remuneração de seus funcionários como também parece dedicado a ajudar as pessoas apostando na filantropia. Ele anunciou, no mês passado, a criação de um fundo de US$ 2 bilhões para financiar projetos de educação em comunidades carentes, além de incentivar a construção de casas para famílias carentes. Nada disso, com certeza, o deixará mais pobre. Bezos, considerado atualmente o homem mais rico do mundo, possui fortuna estimada em US$ 166 bilhões.

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