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Estado de Minas

Agropecuária avança em Minas, com menos mão de obra

Áreas agropecuárias crescem 14% no estado e incorporam 77% mais maquinário em 11 anos até 2017. O modelo cortou 71,7 mil empregos e a instrução se manteve baixa nas lavouras


postado em 27/07/2018 06:00 / atualizado em 27/07/2018 14:53

Plantação irrigada de cenoura em São Gotardo: essas áreas cresceram 116% em Minas, mais que o dobro da média nacional(foto: Beto Novaes/EM/D.A Press 5/11/14)
Plantação irrigada de cenoura em São Gotardo: essas áreas cresceram 116% em Minas, mais que o dobro da média nacional (foto: Beto Novaes/EM/D.A Press 5/11/14)

As terras usadas pela agropecuária cresceram em Minas Gerais nos últimos 11 anos, com avanços importantes em absorção de tecnologia e maior produtividade, mas os avanços também pecaram, quando analisados o encolhimento das lavouras permanentes, o baixo grau de instrução dos trabalhadores rurais e o intenso aumento do número de propriedades que lançaram mão dos agrotóxicos. Esste é o retrato da nova realidade no campo, de acordo com os resultados preliminares do Censo Agropecuário 2016/17, divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O estado seguiu a tendência vista no Brasil, com algumas diferenças, abrigando 607.448 estabelecimentos agropecuários, aumento de 10% em relação ao censo de 2006, espalhados numa área 14% maior, verificada no ano passado, de 37,9 milhões de hectares. O crescimento em área no estado, de 4,8 milhões de hectares, foi como incorporar toda a extensão do Rio de Janeiro.

O coordenador técnico do Censo em Minas, Humberto Silva Augusto, destacou, ainda, o acesso à internet nos estabelecimentos rurais, que chamou a atenção, devido à expansão de 2.114% em Minas, e de 1.790% em todo o país. A pesquisa indicou aumento de 77% do número de máquinas utilizados na agricultura em Minas, totalizando 162.764 unidades a mais. As tecnologias e maquinários provocaram diminuição da mão de obra no campo. Acompanhando a tendência nacional, o número de trabalhadores caiu 3,8% no período de 11 anos analisado, significando, em números absolutos, menos 71.796 postos de trabalho.

A faixa etária de trabalhadores e produtores rurais envelheceu. Pessoas em idade entre 45 a 65 anos superaram as faixas etárias de até 45. Em 2006, os produtores com mais de 45 anos representavam 67% do total em Minas e 60% no Brasil. Em 2017, esse número subiu para 76% no estado de 70% no país.

O número de mulheres que gerenciam negócios no campo cresceu 10% em Minas Gerais, resultaldo inferior à média nacional, que foi de 18%. A média de pessoas ocupadas por estabelecimento caiu 0,2 pontos percentuais em relação a 2006 (de 3,2 para 3,0 em 2017). Pertencem ao grupo de produtores e trabalhadores com laços de parentesco, 72,9% das ocupações.

O grau de instrução no campo continua baixo, tendo em vista que 23.1% dos entrevistados disseram não saber ler ou escrever no Brasil e 12,5% em Minas. O percentual daqueles que declararam nunca ter frequentado a escola é de 10,56% no estado e 15,44% em todo o país. O nível de escolaridade dos produtores mineiros mostrou-se mais elevado que a média nacional, sendo que no estado 8,54% responderam ter feito o curso superior (5,84% no Brasil).

Agrotóxicos O número de estabelecimentos que usam agrotóxicos em Minas apresentou elevação de 60%, bem superior ao nível observado no Brasil, de 20% de aumento. Entretanto, o percentual de estabelecimentos que utilizam defensivos agrícolas em relação ao total no estado (30%) é inferior ao do Brasil (36%).

As lavouras permanentes apresentaram decréscimo de 31,7% e as temporárias tiverem crescimento de 13,2%. As pastagens naturais caíram 18,7% em relação à pesquisa anterior e, em contraponto, as plantadas que subiram 9,1%.

Minas Gerais mostrou distribuição de área mais equilibrada em relação ao Brasil, segundo o IBGE. Na faixa inferior a 20 hectares, o percentual de estabelecimentos é maior no país do que no estado. Porém, a área ocupada por essas propriedades é maior em Minas do que no Brasil. Já nas duas faixas intermediárias – entre 20 e 200 ha e entre 200 e 2.500 ha –, tanto o percentual do número de estabelecimentos quanto da área são superiores no estado que no país. A área irrigada no estado mais que dobrou (aumento de 116%) superando a média nacional que foi de 52%. Enquanto essa área representa 3% do total dos estabelecimentos no estado, a área irrigada no Brasil é de 2%.

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