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Estado de Minas REDUÇÃO DE DESPESAS

Financiamentos elevam abertura de miniusinas de energia solar

Financiamento específico para investir em sistemas de energia solar tem contribuído com a expansão do setor.


postado em 22/07/2018 06:00 / atualizado em 22/07/2018 09:43

A engenheira Rafaella Lopes, da Loja Elétrica, afirma que a demanda por cursos sobre a instalação dos sistemas de captação de energia solar aumentou nos últimos anos(foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)
A engenheira Rafaella Lopes, da Loja Elétrica, afirma que a demanda por cursos sobre a instalação dos sistemas de captação de energia solar aumentou nos últimos anos (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)

Os benefícios da energia solar atraíram o empresário Marcelo Andrade Soares, que atua em um ramo em que o insumo energia sempre pesa na planilha de custos no fim do mês: o de alimentação. Sócio do restaurante Tia Zarica, no Bairro Floresta, em Belo Horizonte, ele aplicou R$ 51 mil num sistema de 38 painéis de captação de energia solar. Depois, investiu mais R$ 89 mil em outros 64 módulos, que entraram em funcionamento na última semana. A energia solar não somente ajuda a esquentar a comida do restaurante, como também aquece os ganhos do empresário, que tem a expectativa de obter uma economia de 75% na conta de luz. “Além de ser uma fonte de energia limpa, a energia solar proporciona uma grande economia”, afirma.


Ele lembra que os ganhos financeiros proporcionados pela miniusina fotovoltaica não ficaram restritos à redução da conta de luz. “Mudamos a nossa matriz energética, substituindo um fogão do restaurante por um forno elétrico. A redução do consumo de gás de cozinha (GLP) foi de 50%”, comemora o empreendedor, que optou por investir no sistema de geração de energia solar com recursos próprios e espera retorno do gasto inicial (R$ 140 mil) em três anos e meio.


Diretora de novos negócios da Emap Solar, empresa de venda e instalação de usinas solares fotovoltaicas sediada em Nova Lima, Miriam Penna Diniz diz que um estabelecimento comercial pode fazer um investimento relativo baixo (a partir de R$ 30 mil) nos sistemas de energia solar, com a opção de recorrer aos financiamentos voltados para o setor, conseguindo o retorno do capital em até três anos. Em Montes Claros, no Norte de Minas, o diretor da Empresa Facilita Energia Soluções, Geovane Câmara, diz que a expansão desse serviço no comércio deve continuar. “A tendência da instalação de equipamentos de energia solar é se multiplicar nos próximos anos, por causa da necessidade de investimentos em energia renovável”, comenta.


A multiplicação já é vivida por Rafaella Lopes, engenheira da empresa Loja Elétrica, de BH. A engenheira revela que, além do crescimento das vendas de materiais, aumenta em ritmo acelerado a procura pelos cursos sobre a instalação dos sistemas de captação de energia solar, também oferecidos pela empresa. Cada curso tem duração de duas semanas.

PRATICIDADE
Outro fator que tem impulsionado comerciantes e empresários a investir em painéis solares para geração de energia é a disponibilidade de obter financiamentos a longo prazo, específicos para essa modalidade de uso, com taxas de juros muito atrativas. Com isso, empreendedores não precisam desembolsar capital próprio de início, quitando parcelas equivalentes às contas de luz pagas anteriormente. As linhas de crédito para a energia solar foram criadas por instituições como o Banco do Nordeste, que implantou o programa FNE Sol, liberando empréstimo para sistemas de energia renovável, com prazo para pagamento de até 12 anos, com carência de seis meses a um ano, viabilizados com recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE). “O financiamento desse tipo de sistema tem contribuído para o desenvolvimento local e regional, com a construção de uma matriz energética mais limpa e o aproveitamento do imenso potencial de geração de energia solar existente no Norte de Minas, no Norte do Espírito Santo e em todo o Nordeste”, afirma o gerente de ambiente de políticas de desenvolvimento do Banco do Nordeste, José Rubens Dutra Mota.


O Serviço de Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sebrae Minas) dá uma mãozinha para os empreendedores investirem em energia solar, orientando sobre a busca e financiamentos e outros aspectos do negócio. “Oferecemos consultoria, mostrando como deve ser feita análise da eficiência energética dos empreendimentos. Uma dica é que deve montada uma infraestrutura com um grau de eficiência capaz de se evitarem prejuízos”, afirma João Paulo Palmieri, consultor do Sebrae.

 

Expansão no Norte de Minas

 

A expressão “sombra e água fresca” sempre foi usada como referência de tranquilidade, incluindo a estabilidade financeira. Não é mais assim. A mudança de conceito ocorre no Norte de Minas, região caracterizada pela forte intensidade do Sol. Por conta desse potencial, além de investimentos em grandes usinas de energia fotovoltaica, aumentam na região os sistemas de captação da energia dos raios solares por parte de empresas do comércio, da prestação de serviços e outros segmentos, como clubes recreativos.


A usina solar voltaica despertou o interesse da rede de farmácias Minas Brasil, que tem 37 lojas em Montes Claros e em outras seis cidades do Norte do estado. “Com os painéis solares, estamos alcançando uma economia de 75% dos gastos com energia elétrica”, afirma Linton Guedes, diretor comercial da empresa. “Acredito que a energia solar é a energia do futuro, por ser de uma fonte limpa, sem causar impactos ao meio ambiente”, comenta o empresário, que usa capital próprio, esperando o retorno do investimento em quatro anos. Ele ressalta também a necessidade de o Brasil investir em novas fontes de energia em busca de maior crescimento econômico.


O comerciante Dinailton Alves da Silva, dono de padaria em Buritizeiro, é outro que decidiu pela energia solar. Ele informa que ainda está fazendo orçamento da compra de uma usina de 86 módulos solares, com capacidade para suprir toda a sua demanda. “O grande vilão da padaria é o custo da energia elétrica e a minha ideia é eliminá-lo”, assegura Dinailton, que buscou consultoria do Sebrae Minas e pretende fazer um financiamento junto ao Banco do Nordeste, sem precisar lançar mão de capital próprio para gerar e consumir energia limpa.

CORTES
 A unidade do Serviço Social do Transporte (Sest/Senat) em Montes Claros também optou pela instalação de uma usina solar fotovoltaica, com 279 painéis, ao custo de R$ 349 mil. A diretora do Sest/Senar em Montes Claros, Teresa Cristina Mendonça Fernandes, diz que a expectativa da unidade é reduzir em 95% a conta de luz, de R$ 12 mil mensais. A sede de Montes Claros é a primeira unidade da instituição no país a recorrer à energia solar no desenvolvimento de suas atividades, que incluem vários cursos e treinamentos de profissionais do transporte.


Em um clube social, o mesmo sol que deixa a pele bronzeada à beira da piscina também é fonte de redução de custos. Com cerca de 3 mil associados, o Max-Min Clube, de Montes Claros, inaugurou uma usina solar fotovoltaica com 936 painéis. O investimento foi de R$ 1,3 milhão. Segundo o presidente do clube, Wagner Batista Castro, a expectativa é recuperar o montante aplicado em cinco anos, tendo em vista a economia de 74% dos gastos com a conta de luz da entidade, que, antes, era de R$ 60 mil por mês. (LR)

 

 

 

 

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