Publicidade

Estado de Minas ENTREVISTA/TALLIS GOMES

"O momento é do empreendedor", diz fenômeno do empreendedorismo

À frente de aplicativo inovador no mercado de beleza, mineiro diz que jovens precisam ter foco e concentração


postado em 21/07/2018 06:00 / atualizado em 21/07/2018 07:51

(foto: Leo Neves/Divulgação 26/4/18)
(foto: Leo Neves/Divulgação 26/4/18)

Fortaleza – No Brasil,  existe espaço para o crescimento de jovens empreendedores. É preciso que esses novatos, além de simplesmente pensar em projetos, se preocupem logo em tirar as ideias do papel. Eles também devem deixar de lado a diversão, para fazer algo diferente. A receita é de Tallis Gomes, de 31 anos, mineiro de Carangola, na Zona da Mata, que virou fenômeno de empreendedorismo. Criador do aplicativo Easy Taxi, ele é também detentor de vários títulos de reconhecimento de seu trabalho no exterior.

Em 2017, foi eleito um dos empreendedores mais inovadores abaixo dos 35 anos no mundo pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), dos Estados Unidos.Na lista dos homenageados pela instituição estão os cofundadores do Google Larry Page e Sergey Bin (2002) e o cofundador do Facebook Mark Zuckerberg (2007). O Easy Taxi, empresa que cresceu mundo fora e chegou a 35 países, quatro continentes e 420 cidades, alcançou 20 milhões de usuários. Em 2015, o empreendedor vendeu a empresa para um grupo alemão, pelo valor de R$ 1 bilhão, como revelou ao Estado de Minas.

Com a fortuna da venda da Easy Taxi, Tallis Gomes montou um fundo de investimentos e partiu para outro negócio inovador: criou a  Singu, empresa que oferece, por meio de aplicativo, desta vez o serviço de     beleza em domicílio. Ainda que com todo o sucesso e sua capacidade empreendedora, engana-se quem pensa que Tallis Gomes tem, digamos, aquele aspecto de executivo. Ele não abre mão de vestir calça jeans e tênis e preserva o estilo jovial, tendo ministrado palestras em algumas das melhores universidades do mundo, como as de Columbia e Harvard, nos Estados Unidos. Nesta entrevista ao EM, ele fala da carreira e de casos de sucesso.

 

Como foi o seu aprendizado como empreendedor até criar o Easy Táxi?
Comecei a empreender aos 14 anos. Criei um market play de venda de telefones celulares usados e fazia prints de telefones na internet, criava um catálogo físico e vendia localmente os aparelhos, falando para as pessoas me adiantarem 75%  do valor. Comprava o produto na internet, colocava o endereço do comprador. Aos 16 anos, saí de Carangola e fui para o Rio de Janeiro, onde frequentei a faculdade (ele cursou publicidade na Escola Superior de Propaganda e Marketing/ESPM). Montei uma empresa, uma agência de gameficação (jogos na internet) e mídia social. A ideia deu errado e fali. Já entreguei panfletos em sinal e fui prestador de serviços de manobrista para poder me manter. Fui para o mercado, trabalhei em grandes empresas, como Unilever e a Ortobom, quando ví a necessidade de criar um modelo de negócio em que você construía softwares para grandes companhias. Em 2011, criei um dos primeiros aplicativos de transporte do mundo, o Easy taxi, que sob a minha gestão tornou-se o maior aplicativo de transporte do mundo, valendo mais de R$ 1 bilhão. Vendemos para um fundo alemão em 2015.

Qual é o potencial de seu novo negócio?
Ao sair da Easy Taxi, montei um fundo de investimentos.  Dentro desse fundo,  olho para o mercado de beleza, que no Brasil movimenta mais de R$ 100 bilhões por ano. Dessa maneira, criei a Singu, que é o maior market place de beleza da América Latina, em que a gente leva serviços de manicure, massagem, depilação e escova para as casas das pessoas, atendendo  a centenas de milhares de clientes e empregando milhares de pessoas nas cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo.

O que o levou a vender o Easy Taxi, se era uma empresa com grande potencial de crescimento?
O que acontece é que, à medida que cresce o seu negócio, você precisa levantar mais capital. Todas as vezes que levanto capital, há diluição dentro da empresa. Com isso, eu e outros fundadores tínhamos menos de 10% do negócio. O nosso custo ficou muito alto. Tínhamos muito pouco do negócio para continuar à frente dele. Decidimos liquidar nossa participação (na Easy Taxi) e desenvolver outros projetos.

"O principal é tirar as ideias do papel"



Que perspectivas vê no mercado da beleza?
É muito grande. Acredito que quatro vezes maior do que o mercado de transporte,  um oceano azul. Ninguém faz tão bem o que fazemos hoje, nessa iniciativa, na América Latina. Somos a maior empresa do setor no gênero. E há um aspecto emocional, minha mãe também é cabeleireira. Então, existe um ponto emocional e o fato de querer mudar a forma como esse mercado funciona. É uma forma quase nefasta – os salões de beleza retêm 70% do valor que os profissionais recebem dos clientes. Invertemos essa ordem,  pagando 70% aos prestadores dos serviços e retemos 30%. Queria essa plataforma de ascensão social e provo isso na prática. Hoje, uma manicure, nesse negócio, consegue ganhar até R$ 6 mil por mês É um dinheiro inimaginável no setor.

Existe espaço, então, para a ascensão social, por meio do empreendedorismo?
Sem a menor sombra de dúvidas. O Brasil tem bastante espaço. Esse espaço não será criado apenas com investimentos estatais. Acho que o estado tem seu valor de fomentar parte da capacidade que o empreendedor tem de desenvolver o seu negócio, principalmente, quando se fala em empréstimos oferecidos a taxas de juros mais baixas. Isso ajuda a viabilizar o empreendedorismo.

Qual é o conselho que você dá aos jovens que querem se tornar empreendedores?
O principal é tirar as ideias do papel. Os jovens que ainda moram com seus pais e frequentam a universidade estão numa hora em que podem errar. Quando estiverem saindo da faculdade, em lugar de ir para a night, ou de sair com os amigos para beber, a melhor coisa que podem tentar é fazer alguma diferença na vida de alguém. Se eles realmente têm uma dúvida, que podem resolver, solução que podem criar, que façam o seu protótipo, criem o seu MVP (Produto Mínimo Viável), e tentem colocar a sua ideia na prática. A hora é essa.

 

 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade