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Estado de Minas CONSUMO

Varejo de luxo está com os dias contados

Para Stefan Siegel, fundador da plataforma Not Just a Label, nova geração de consumidores valoriza a experiência, não a marca. Na sua avaliação, a moda passa por mudanças profundas


postado em 11/07/2018 06:00 / atualizado em 11/07/2018 08:17

Ex-modelo, Stefan Siegel diz que luxo hoje é individualidade. Não é uma logo ou etiqueta com preço alto(foto: DIVULGAÇÃO)
Ex-modelo, Stefan Siegel diz que luxo hoje é individualidade. Não é uma logo ou etiqueta com preço alto (foto: DIVULGAÇÃO)

São Paulo – A plataforma Not Just a Label (NJAL) tem sido o ponto de partida para novos talentos da moda ao funcionar como uma espécie de vitrine para designers exibirem suas criações, tanto para quem trabalha nessa área quanto para os potenciais clientes. Hoje, estão representados no espaço cerca de 30 mil designers, de 150 países. Entre eles, brasileiros como Gefferson Vila Nova e Le Tolentino.

Recentemente, o italiano Stefan Siegel, ex-modelo e ex-banker da Merrill Lynch, responsável pela NJAL, esteve em São Paulo para participar de um evento. Na sua avaliação, a moda passa por mudanças profundas.

“A nova geração tem outra noção sobre o que é luxo e valoriza experiência sobre o consumo. Luxo hoje é individualidade. Não é uma logo ou uma etiqueta com preço alto”, explica Siegel. Para o empresário, vem mais mudança por aí. “O varejo de luxo está com os dias contados”, diz Siegel.

A NJAL, criada há 10 anos, cresce com essa mudança de comportamento ao estimular em sua plataforma processos de colaboração entre designers e uma nova estrutura organizacional para marcas e cidades apoiarem novos criadores.

Lucros


A indústria não remunera os criadores de forma correta e os lucros acabam concentrados nas mãos de poucos grandes conglomerados, diz Siegel, que também critica a promoção do consumo desenfreado e o uso de influenciadores.

“O cachê das celebridades não pode ser mais importante do que o valor pago aos designers, aos criadores. As roupas se tornaram irrelevantes. Quando a indústria da moda começa a financiar corações virtuais (likes no Instagram), em vez de almas verdadeiras, mandamos uma mensagem para as futuras gerações que parecer bonito é o mesmo que criar beleza.”

Desde que o NJAL foi fundado, sua principal fonte de receita vem de fora da plataforma: consultoria para governos que querem promover suas cidades ou países como celeiro de moda independente, principalmente por meio de eventos, como o que transformou o térreo do hotel Waldorf Astoria em uma pop-up store.

Em eventos off-line ou pelo site, A NJAL se propõe a promover uma moda ética e sustentável, remunerando designers de forma “justa” e eliminando intermediários.

Foram nove anos para atrair os primeiros investimentos. No ano passado, A NJAL recebeu aportes do fundo chinês C-Ventures, especializado em moda e millennials, e da venezuelana Carmen Busquets, fundadora e ex-sócia do Net-a-Porter, um dos maiores sites de vendas de marcas de luxo.

Siegel, que pretende lançar o marketplace da NJAL em outubro, promete repassar 90% do valor das vendas para os designers. Para incrementar as fontes de receita, ele também deve desenvolver serviços B2B.

Além disso, até o fim do ano, a NJAL vai oferecer uma assinatura mensal de “uso de direitos autorais” para grandes redes de ‘fast fashion’, que passarão a ter o direito de copiar o design dos 4 milhões de peças exibidas na plataforma. O modelo, desenvolvido com apoio da União Europeia, já teve um piloto com a Inditex, dona da Zara.

Brasil

A internet tem sido um espaço de experimentação para novas formas de se produzir e consumir moda. A brasileira Udesign, fundada há pouco mais de um ano pelo empreendedor Ivan Pereira, permite encomendar o look das passarelas, mas a produção é toda feita sob encomenda. Só é produzido o que é vendido.

Em uma década de mercado, a Not Just a Label ganhou evidência ao receber o apoio de Vivienne Westwood, a rainha da moda punk londrina, e da cantora pop Lady Gaga. Não demorou para Siegel se tornar queridinho da Condé Nast, que publica a revista Vogue. Ele costuma ser chamado para palestrar em seminários sobre o futuro da indústria de luxo, em que apresenta uma visão crítico-catastrófica do mundo da moda.

 

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