Publicidade

Estado de Minas

Startup para administrar finanças de famílias ganha 101 sócios em um ano

Gestora de recursos, especializada em administrar o patrimônio de famílias, startup aproveita onda da desbancarização e disponibilidade de profissionais do mercado financeiro para crescer


postado em 02/07/2018 06:00 / atualizado em 02/07/2018 08:22

"A verdade é que não tem um banqueiro que investe seu próprio dinheiro no modelo transacional" - Pedro Guimarães, fundador da Fiduc (foto: Divulgação)

São Paulo – Depois da proliferação das plataformas de investimento, uma startup quer surfar a onda da desbancarização com a proposta de democratizar o conceito de family office, os escritórios com gestores e advogados que administram o dinheiro das famílias com alto poder aquisitivo.

Fundada há pouco menos de um ano, a Fiduc não recebe comissão dos gestores com quem trabalha. A remuneração vem da taxa de 1,5% do patrimônio investido pelo cliente. É o modelo fiduciário (palavra com origem no latim ‘fiducia’, ou confiança) em que o pagamento vem apenas do cliente, e se contrapõe ao modelo transacional, em que bancos e fundos comissionam as instituições que vendem seus produtos.

No Brasil, o modelo fiduciário é praticamente um privilégio dos family ou multi-family offices. A diferença é que, na Fiduc, o modelo está disponível para clientes com apenas R$ 5 mil para investir. Mas o tíquete médio dos clientes hoje é de R$ 200 mil investidos por meio da empresa.

“A verdade é que não tem um banqueiro que investe seu próprio dinheiro no modelo transacional”, diz Pedro Guimarães, o fundador da Fiduc. “O modelo fiduciário é o mesmo que um médico usa, ou deveria usar. Ele não pode receber do laboratório ou da farmácia para indicar um medicamento, tem de indicar o que é melhor para você.”

RETAGUARDA Para montar a Fiduc, Guimarães levantou capital com nomes como George Hime, da Dynamo; Guilherme Horn, sócio da Accenture e especialista em tecnologia; Ana Maria Diniz; Joaquim Oliveira, do Cescon Barrieu Advogados; André Porto, ex-sócio do BTG e ex-CEO do BTG Chile; e Patrick O’Grady, ex-head da XP Asset, entre outros. A Fiduc é a segunda empreitada de Guimarães, que trabalhou por dez anos na Conspiração Filmes, onde chegou a posição de CEO. Em 2011, ele e Paulo Veras – que depois fundou a 99 – montaram um site de compras coletivas que acabou não vingando.

Em 2013, foi trabalhar na Alocc, uma gestora que tem como sócia a TNA, um ‘multi-family office’ carioca que buscava dar escala ao negócio. Foi nessa época que Guimarães leu uma reportagem no “Financial Times” sobre a St. James’s Place, uma gestora de patrimônio britânica, que administra mais de 90 bilhões de euros, tem 200 mil clientes e vale 6 bilhões de euros na Bolsa de Londres.

IMERSÃO Meses depois, ele estava na City de Londres (a capital financeira do Reino Unido) conversando com Mike Wilson, um dos fundadores da St. James’s. Conseguiu um estágio de algumas semanas na gestora e voltou determinado a replicar o modelo no Brasil.

O pulo do gato dos ingleses: em vez de remunerar seus agentes autônomos com rebates pelos produtos que vendem, na St. James’s cada planejador financeiro é sócio, recebendo um percentual do patrimônio investido pelos clientes na forma de dividendos.

O problema é que esse modelo dá trabalho – e seus sócios da época não aceitaram. Guimarães então decidiu montar seu próprio negócio. Em 2016, embarcou de novo para Londres e deu sorte: Alan Simmons, o executivo por trás de toda a área de educação que garante a uniformidade do atendimento dos mais de 3,5 mil planejadores da St. James, estava prestes a se aposentar e topou entrar de sócio na Fiduc.

SOBRAM PROFISSIONAIS No Brasil, a mão de obra está disponível: com bancos fechando agências e corretoras automatizando a distribuição, há um contingente enorme de profissionais capacitados (e com uma carteira de clientes própria) em busca de recolocação. A Fiduc passa uma semana treinando os novos sócios com aulas de mercado, planejamento e estratégias de venda.

Já são 101 sócios em 15 estados e 27 cidades. A capilaridade é crucial, já que os planejadores têm de estar próximos dos clientes – o relacionamento começa sempre com uma reunião presencial para entender o estilo de vida e os objetivos da família em questão. Eles não pagam nada para se cadastrar na Fiduc e recebem 0,5% do patrimônio investido pelos seus clientes. O 1% restante vai para a própria empresa, que oferece toda a estrutura de backoffice, advogados e consultores para ajudá-los a aconselhar seus clientes em questões tributárias e patrimoniais, como um divórcio, por exemplo.

Assim como na St. James’s, a gestora oferece veículos de investimento específicos para cada segmento de mercado. Hoje, estão disponíveis opções em renda fixa, variável, multimercado e previdência; em breve virão fundos imobiliários e fundos passivos. Os produtos são fundos de fundos, nos quais a Fiduc atua como cogestora, mas não arbitra a alocação de recursos.

A Fiduc ainda é um player pequeno em um mercado em que a exigência de escala é brutal: por enquanto administra apenas R$ 16 milhões. Os fundos começaram a funcionar de fato só em fevereiro deste ano, pouco antes de o mercado financeiro começar a dar sinais de declínio. Mas o empreendedor vê como vantagem: “Para captar novos sócios, é até uma boa notícia, porque o que tem de agente autônomo não batendo meta é brincadeira”, lembra.

 

 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade