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Estado de Minas MOEDA VIRTUAL

Futuro do bitcoin está em risco

Notícia de que a cotação recorde da moeda virtual foi construída artificialmente no final de 2017 por grandes operadores do mercado coloca em xeque a segurança das criptomoedas


postado em 20/06/2018 06:00 / atualizado em 20/06/2018 08:27

Em seis meses, a criptomoeda despencou 65% e o mercado reduziu em cerca de 60% os volumes (foto: JACK GUEZ/AFP)
Em seis meses, a criptomoeda despencou 65% e o mercado reduziu em cerca de 60% os volumes (foto: JACK GUEZ/AFP)

São Paulo – Depois de muitos boatos e dúvidas em relação à manipulação dos preços das moedas digitais, uma investigação recente realizada por pesquisadores da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, revelou fortes indícios de que os valores do bitcoin e de outras criptomoedas foram inflados artificialmente no final de 2017.

Em dezembro do ano passado, um bitcoin chegou a ser negociado US$ 19 mil, ou cerca de R$ 75 mil. Ontem, a moeda estava sendo negociada a US$ 6,7 mil, ou pouco mais de R$ 26 mil, uma redução em torno de 65% nos últimos seis meses. Apesar da queda na cotação, o preço no Brasil tem sofrido menos, por causa da alta do dólar, que chegou à beira dos R$ 4 nas últimas semanas. Como a moeda é cotada em dólar, os brasileiros perdem um pouco mais com essa variável.

Segundo o relatório dos professores da Universidade do Texas John Griffin e Amin Shamns, que utilizaram algoritmos para analisar os dados relacionados aos momentos dos picos de valores, houve manipulação de preços por grandes operadores do mercado, entre eles a Bitfinex, uma das maiores bolsas do setor, com sede no Caribe, e não por uma demanda real de investidores comprando e vendendo moedas.

Griffin e Shamns também identificaram a utilização de uma outra moeda digital, o Tether, que é atrelada ao dólar norte-americano, para fomentar a procura por Bitcoins durante os momentos de alta. “Usando algoritmos para analisar os dados do blockchain, descobrimos que as compras com o Tether são cronometradas após as desacelerações do mercado e resultam em aumentos consideráveis nos preços do Bitcoin”, escreveram na introdução do relatório, que já recebeu mais de 57 mil visitas e cerca de 18 mil downloads. Segundo eles, quanto mais Theter era impresso e entrava no mercado, mais os preços das criptomoedas aumentava.

De acordo com João Paulo Oliveira, especialista em criptomoedas, somente no segundo semestre de 2017, período em que os preços começaram a disparar, o volume de Theter emitido saiu de US$ 300 milhões para US$ 2,5 bilhões, movimento que acabou gerando muitas suspeitas de que poderia estar havendo uma manipulação para puxar os preços do bitcoin e de outras criptomoedas para cima.

Esse movimento, e o aumento das desconfianças no mercado, acabaram gerando nos primeiros meses deste ano uma forte correção nos preços e dos volumes negociados no mercado brasileiro de moedas digitais. “Desde o final de dezembro, o mercado reduziu em cerca de 60% os volumes negociados”, diz Oliveira, lembrando que as notícias de manipulação são antigas e, por conta disso, os ajustes continuam sendo realizados.

Carlos André Montenegro, um dos fundadores da corretora brasileira BitcoinTrade, considera as acusações dos pesquisadores relevante e acredita que, se comprovadas, vão gerar um impacto negativo em toda a comunidade de criptomoedas. Ele pondera, no entanto, que o valor de mercado de todas as moedas digitais é considerável e muito difícil de ser manipulado. Só em bitcoins, afirma ele, são US$ 160 bilhões envolvidos. “Para alguém manipular todo esse volume de recursos terá que se expor a um risco muito grande”, disse Montenegro.

O cofundador da Finchain, startup que controla a corretora FlowBTC, Marco Vieira, lembra que a Bitfinex, apesar de ser uma das três maiores exchange do mundo, responsável por 5% do volume diário de criptomoedas, não teria como sustentar toda a alta de preços que ocorreu no ano passado. “Uma parte dessa alta é devida a febre pelas moedas digitais do final do ano passado”, sustenta Vieira, lembrando que o investidor tem que enxergar as moedas digitais como mais um ativo de alto risco e não colocar “todos os ovos em uma mesma cesta”.

Apesar da volatilidade do mercado, ele diz que o mercado dessas moedas está em alta e que o investimento no longo prazo é uma ótima aposta. Tanto que a Finchain está recebendo um aporte da Genial Investimentos, plataforma do Brasil Plural, que acaba de fechar a compra de 18% do capital da empresa. A Finchain é especializada em blockchain, criptomoedas e dona da corretora FlowBTC, uma das maiores do país.

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