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Estado de Minas STARTUPS FINANCEIRAS

Fintech mira América do Sul

Avaliada em R$ 1,5 bilhão, a provedora de soluções para meios de pagamento Hub Fintech expande serviços no continente e deve começar a operar na Argentina no ano que vem


postado em 14/06/2018 06:00 / atualizado em 14/06/2018 09:10

Alexandre Brito, CEO da Hub Fintech: empresa registra cerca de 1,3 milhão de cartões ativos(foto: Divulgação)
Alexandre Brito, CEO da Hub Fintech: empresa registra cerca de 1,3 milhão de cartões ativos (foto: Divulgação)

São Paulo – Depois de ficar conhecida como a primeira empresa de cartões pré-pagos para presentes com operação de ponta a ponta, a Hub Prepaid, dona da marca Vale Presentes, evolui para um negócio maior com a abertura do mercado para as startups financeiras, as chamadas fintechs. Fundado em 2012, o negócio de cartões-presente e pré-pago continua em alta, mas a empresa vem passando por  grande transformação para agregar novos produtos e serviços ao seu portfólio. Em 2014, recebeu aporte de R$ 150 milhões da Sforza, gestora de investimentos do empresário Carlos Wizard Martins, em troca de 90% do seu capital.


Com a chegada do novo sócio e a autorização para efetuar serviços financeiros junto ao Banco Central (BC), a empresa evoluiu de emissora e administradoras de seus cartões pré-pagos para uma provedora de soluções e tecnologias para meios de pagamento, passando a ampliar sua oferta de serviços para bancos que já eram clientes, como a Caixa Econômica Federal (cartões Construcard) e Itaú, para o mercado varejista, como a Magazine Luiza, e outros marketplaces da internet, além de novos segmentos, como de contas digitais e gestão de despesas e recebíveis, e análise de risco (antifraude).


A evolução e a expansão dos serviços também fizeram a empresa mudar de nome para Hub Fintech, mais adequado ao momento vivido por ela. “Agora estamos tendo um novo reposicionamento de Hub Prepaid para Hub Fintech, porque todo mundo achava que fazíamos cartão pré-pago, mas fazemos muito mais do que isso”, explica Alexandre Brito, na empresa há cerca de um ano, vindo da Mastercard, onde assumiu a direção geral.


Com a chegada dos aplicativos de transporte, a Hub percebeu um nicho de mercado por conta do alto custo para as empresas como 99 e Cabify transferirem as diárias para seus motoristas por meio de DOC ou TED. Hoje, essas empresas fazem os repasses diretamente para a plataforma da Hub, que centraliza o recebimento dos pagamentos e distribui aos donos dos carros que utilizam o aplicativo.


No caso da Magazine Luiza, a Hub desenvolveu uma lista de casamento com vale-presente integrada ao e-commerce, permitindo a expansão da atuação da varejista, otimizando processos internos de estoque e devoluções, por meio de cartões – presente que acumulam créditos para que os noivos utilizem na própria loja. Hoje, a Hub registra cerca de 1,3 milhão de cartões ativos e um montante transacionado em sua plataforma de R$ 87 milhões (valores de 2017).


Avaliada em cerca de R$ 1,5 bilhão, a empresa já sonha com o famoso unicórnio – denominação dada a startups cuja avaliação do mercado supera US$ 1 bilhão. No Brasil, apenas três startups conseguiram o título: PagSeguro, 99 e Nubank. “Não temos como meta entrar nesse time do unicórnio, mas estamos trabalhando e entregando nosso trabalho da melhor forma possível. Se acontecer será consequência desse trabalho”, diz Brito, lembrando que a Hub já recebeu ofertas de compra superiores a R$ 1,5 bilhão, o que seria um pouco menos que a metade do valor de US$ 1 bilhão.


Se o unicórnio ainda é um sonho, a expansão internacional já é uma realidade. Até meados de 2018, a Hub Fintech deve desembarcar na Argentina. “Nosso processo de internacionalização começa pela Argentina. Acreditamos que essa operação deverá estar funcionando a partir de abril ou maio de 2019”, conta o executivo. Ele lembra que a demora se deve ao segmento de meios de pagamento ser muito regulado em todos os mercados do mundo.


Por isso, diz que, ao contrário de outros setores, a decisão não consiste em simplesmente abrir uma empresa e começar a operar. “Além disso, dependemos de licenças de bandeira, de fazer conectividade de liquidação... O mundo de meios de pagamento exige uma infraestrutura que precisa ser desenvolvida. Então, esse processo na Argentina, que iniciamos há quatro meses, deve levar ainda pelo menos 12 meses para começarmos a emitir os primeiros cartões na naquele país.”


Depois do mercado argentino, afirma Brito, a meta é crescer para outros países, mas todos da América do Sul. A dúvida para a segunda operação está na escolha entre Peru, Chile e Colômbia. “Isso vai depender muito da regulamentação de cada país. É isso que estamos analisando”, salienta ele, que calcula em cerca de R$ 10 milhões o volume de recursos aportados na expansão internacional.

O que é a Hub Fintech

» Avaliada em R$ 1,5 bilhão
» Cerca de 250 funcionários
» Mais de 5 mil clientes
» Capacidade para personalizar 30 milhões de cartões por ano
» Capacidade para autorizar mais de 500 transações de compra por segundo

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