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Estado de Minas

Pesquisa revela que Copa não empolga maioria dos comerciantes de BH

O levantamento da CDL aponta que mais da metade dos comerciantes não tem qualquer expectativa de retorno com o Mundial na Rússia. Fuso horário desfavorável e instabilidade desanimam


postado em 12/06/2018 06:00 / atualizado em 12/06/2018 07:45

Gujoreba, na Savassi, optou por encher prateleiras do atual endereço, em lugar de abrir loja temática, como fez em 2014(foto: Túlio Santos/EM/D.A Press)
Gujoreba, na Savassi, optou por encher prateleiras do atual endereço, em lugar de abrir loja temática, como fez em 2014 (foto: Túlio Santos/EM/D.A Press)

Assim como a fama da Rússia, país-sede da Copa do Mundo, o clima para o campeonato mundial de futebol está frio entre comerciantes, que se dividem quanto às expectativas de lucrar com o evento. Pesquisa divulgada ontem pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH) aponta que mais da metade dos empresários (51,5%) não está esperando retorno com a movimentação em torno dos jogos. Os demais 48,5% aguardam com entusiasmo, sendo que mais da metade deles prevê aumento das vendas.

Já se imaginava que a ida do campeonato para o outro lado do mundo, logo depois de o Brasil ter sido sede do evento, esfriaria os torcedores. O conturbado ano eleitoral e o fuso horário desfavorável também são apontados como fatores que distanciam o país do futebol do principal evento do gênero esportivo. Mas a projeção é que, à medida que o Brasil, que estreia em campo no domingo, avance na tabela, o comércio também reaja positivamente.


“Nosso investimento foi bem menor em relação à Copa de 2014, que foi no Brasil, com situação econômica melhor. Além disso, algumas pessoas misturam política e futebol e falam que não vão torcer para o Brasil”, afirma o gerente da loja de utilitários e presentes Gujoreba Gustavo Batista. Este ano, eles não foi aberta loja temática da Copa, como em 2014, mas estão à espera da torcida canarinho.


Infinidade de itens, de bandeira, copo, óculos, chapéu e blusa a peruca são oferecidas pela empresa, como mostra a caixa Rúbia Ferreira. Assim como a Gujoreba, quase um quarto dos comerciantes, num total de 23,7%, vai vender produtos com o tema da Copa do Mundo. À medida que o campeonato avançar, a expectativa é de que a procura aumente. “Aos poucos, as vendas vão melhorando. Vamos ver depois que o Brasil passar da primeira fase”, diz Batista.


Segundo a pesquisa do CDL/BH, apenas 3,4% dos entrevistados pretendem aumentar o quadro de funcionários da empresa. Entre os comerciantes que não esperam retorno com o mundial, 29,1% responderam que o evento reduz o fluxo de pessoas. Entre os otimistas, 53,4% estão animados e apostam no aumento das vendas.


“A Copa de 2018 perde um pouco em relação a 2014. Como antes foi no Brasil, a Copa tinha uma movimentação toda diferenciada. Mas vemos uma motivação crescente, com lojas enfeitadas e pessoas se preparando, procurando produtos”, avalia o vice-presidente da CDL/BH, Marcelo de Souza e Silva. Ele aconselha, mesmo os comerciantes cujo segmento não tenha relação com o Mundial a aproveitarem para fazer promoções e fidelizar o cliente. “Quem se prepara consegue aproveitar”, diz.


No Centro de BH, Normando Araújo, de 51, decidiu comprar um acessório para o afilhado, de 8 anos. “As crianças ainda estão bem empolgadas. Mas tem gente que está até se esquecendo da Copa. Até mesmo as casas, os bares, não vemos quase nenhuma decoração. O legado deixado em 2014 foi só de prejuízo. Então acho que isso influencia bastante, junto com a situação do país”, avalia. A técnica de enfermagem Isleia Eulália, de 33, atribui a falta de ânimo à Seleção, que, para ela, deixa a desejar. Mesmo assim, garantiu seus adereços. “Passei em frente a loja e lembrei que já vai começar, e que domingo tem o jogo”, contou.

HORÁRIO O fuso horário não colaborou e a Copa do Mundo será realizada em períodos de meio de expediente no Brasil, o que exigiu que comércio e repartições públicas alterassem o horário de funcionamento enquanto o time brasileiro estiver em campo na Rússia. Exceto no domingo, ninguém vai ter folga nos dias de partidas. No domingo, estreia da Seleção Brasileira, lojas e shoppings estarão fechados.

Dia 22, o Brasil joga contra a Costa Rica, às 9h. Nesse dia, o comércio de rua e os shoppings abrirão a partir das 12h. O último jogo da primeira fase será contra a Sérvia, na quarta-feira, dia 27, às 15h. O comércio funcionará das 8h às 14h30. Nos shoppings, a pausa ocorre entre as 14h30 e as 17h30. A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) não informou escala diferenciada para a Copa. No serviço público, haverá horário especial,


Pesquisa da CDL apontou que a maior parte dos comerciantes (44,8%) informou que vai deixar a loja aberta durante os jogos da Copa. Pouco mais de um quinto (21,6%) vão fechar somente no horário do jogo, 14,7% fecharão a loja e não vai abrir depois da partida e outros 8,6% deixarão a loja aberta e contarão com TV para os funcionários acompanharem.

Mundial nas lojas

Expectativa do comércio varejista e BH

» Com o evento você espera algum retorno?
Sim 48,5%
Não 51,5%

» Vai contratar mais funcionários?
Sim 3,4%
Não 96,6%

» Vai fazer alguma ação específica?
Aperfeiçoar atendimento 31,9%
Decoração da loja 26,7%
Vender produtos específicos para a Copa 23,7%
Descontos e promoções 9,9%

Fonte: CDL-BH

Churrasco geral

Caiu para 24% o percentual de famílias interessadas em comprar itens relacionados com o Mundial de futebol, neste ano, enquanto na Copa do Mundo de 2014 esse universo era de 50,1%.  Os dados são da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) baseados em levantamento feito com 18 mil consumidores de todas as capitais do país. E o churrasco entre familiares e amigos parece ser o evento mais esperado, já que os produtos com maior procura devem ser os alimentos e bebidas, com 9,9% de intenção de compra.


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