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Estado de Minas

Empresa lança a primeira moeda digital brasileira

Bossa Nova Investimentos lança no mercado global criptomoeda atrelada a startups nacionais. Expectativa da empresa é captar entre US$ 11 milhões US$ 20 milhões em um período de 60 dias


postado em 11/06/2018 06:00 / atualizado em 11/06/2018 09:33

Pierre Schurmann(foto: Divulgação)
Pierre Schurmann (foto: Divulgação)

São Paulo – Na próxima sexta-feira, a Bossa Nova Investimentos lançará no mercado global (menos no Brasil, por questões regulatórias) a primeira criptomoeda focada em empresas da América Latina. Trata-se da BR11, uma moeda virtual securitizada e atrelada a um fundo de investimentos em startups brasileiras.


Todo o processo e registro das operações utiliza a tecnologia Blockchain, com tokens de segurança que permitem obter acesso a recursos restritos eletronicamente. Ao contrário das outras moedas digitais, cuja maioria não tem lastro real, a brasileira terá garantia nos ativos de 11 startups nacionais associadas. Ou seja, o investidor internacional que aplicar uma quantia mínima de US$ 5 mil estará adquirindo frações do capital desse grupo de startups nacionais.


"É importante que o Brasil consiga se posicionar de forma diferenciada nesse mercado"

Pierre Schurmann, presidente da Bossa Nova Investimentos


Cada BR11 foi fixado no lançamento em US$ 1, e o seu valor flutuará de acordo com o desempenho das empresas associadas. A expectativa é captar, em um período de 60 dias, entre US$ 11 milhões e US$ 20 milhões, segundo Pierre Schurmann, presidente da Bossa Nova.


Para o executivo da Bossa Nova, a criação de uma moeda digital brasileira não tem como objetivo ganhar dinheiro, mas permitir que as empresas nacionais possam ter acesso ao mercado internacional de investidores. “É importante que o Brasil consiga se posicionar de forma diferenciada nesse mercado”, afirma ele, lembrando que foi investido US$ 1,5 milhão em todo o processo para preparação e lançamento da BR11.



Schurmann afirma ainda que criptomoeda foi criada como uma forma de democratizar o acesso de investidores menores, que não dispõem de altas somas para comprar ações de grandes empresas. Além disso, com a possibilidade de serem leiloadas em plataformas virtuais, a moeda brasileira ganha liquidez e a confiança dos investidores.


Registrada na Securities and Exchange Commission (SEC), o órgão que regula o mercado financeiro nos Estados Unidos, a BR11 passou por um estágio de pré-venda para investidores internacionais e atraiu a atenção de familly offices (gestores de patrimônio e investimento de grupos familiares) globalmente.


A emissão das moedas, explica Schurmann, utilizará a tecnologia da Securitize, que garante que seja 100% compatível com as leis de cada país na qual será oferecida. Para que os investidores possam ter liquidez, a BR11 será listada na plataforma Open Finance, na qual seu câmbio flutuará de acordo com a valorização das 11 startups que fazem parte do fundo.
“Será a terceira emissão de um security token nas Américas”, comemora o executivo. Ele diz ainda que todo o dinheiro captado será reinvestido na expansão das empresas associadas. “Ninguém vai colocar dinheiro no bolso. Tudo será destinado para as startups do fundo”, salientou ele.


Liderada por Schurmann, da mesma família do navegador catarinense Vilfredo Schurmann, e pelo empresário João Kepler, a Bossa Nova Investimentos é uma empresa de venture capital com participação em 347 startups no Brasil e nos Estados Unidos, e com projeção de chegar a 450 investidas até o final de 2018. Só nos EUA, 120 empresas receberam investimentos da Bossa.


A criação da BR11 é mais uma forma de atrair investimentos estrangeiros para startups brasileiras. Shurmann lembra que, ao contrário do que acontece no Brasil, investir em empresas americanas exige muito menos burocracia e muito mais transparência. “Queremos tornar esta visão e experiência úteis para as nossas startups e permitir que nossas investidas tenham acesso a novos mercados”, diz ele.


Atualmente, os investimentos da Bossa Nova estão focados em empresas com negócios inovadores, digitais e escaláveis, que já estejam validados, operando e faturando, mesmo que pouco. As áreas de interesse vão de educação a saúde, do varejo ao mercado financeiro.

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