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Estado de Minas

Howard Schultz: o fundador da Starbucks que cogita se candidatar a presidente dos EUA

O lendário empreendedor que transformou uma cafeteria local em uma rede global, vai deixar o conselho da empresa até o final do mês para enveredar na política


postado em 06/06/2018 06:00 / atualizado em 06/06/2018 09:33

Um dos primeiros empresários a tentar exercer alguma liderança moral, Schultz sempre defendeu equilíbrio entre lucro e consciência(foto: Alex Wong/AFP 10/5/18)
Um dos primeiros empresários a tentar exercer alguma liderança moral, Schultz sempre defendeu equilíbrio entre lucro e consciência (foto: Alex Wong/AFP 10/5/18)

Rio – Howard Schultz transformou uma cafeteria de Seattle numa rede global de 28 mil lojas presente em 77 países. Agora, ele quer devolver aos Estados Unidos um pouco do que o país lhe deu, e isso pode passar por uma candidatura a presidente.

O fundador do Starbucks disse há alguns dias que vai deixar a presidência do conselho da companhia até o final de junho. Além de trabalhar na sua fundação filantrópica e escrever um livro sobre “trabalho de impacto social e os esforços para redefinir o papel e a responsabilidade de uma empresa de capital aberto,” Schultz vai avaliar como participar da vida pública. Não é pouca coisa para um empreendedor que fez de uma empresa local uma das marcas icônicas do século 21.

“Eu quero ser sincero com você sem criar mais manchetes especulativas”, ele disse ele ao The New York Times. “Já faz algum tempo que eu estou profundamente preocupado com o nosso país – a crescente divisão interna e a nossa posição no mundo. Uma das coisas que eu quero fazer no meu próximo capítulo é descobrir se há um papel que eu possa desempenhar que me permita retribuir, mas eu não sei o que isso significa ainda.” A decisão de se aposentar foi comunicada ao conselho há um ano. Schultz fará 65 anos no mês que vem.

Quando o The New York Times perguntou a ele se estava pensando na Casa Branca, Schultz respondeu com aparente sinceridade. “Eu pretendo pensar em uma série de opções, e isso pode incluir o serviço público. Mas estou longe de tomar decisões sobre o futuro.” O Times disse que o Schultz “é frequentemente mencionado como um candidato potencial do Partido Democrata”, além de outros CEOs como Bob Iger (da Disney) e Jamie Dimon (do JP Morgan). Mas nenhum outro parece estar disposto para enveredar para o caminho político quanto Schultz.

Poucos empresários são tão venerados pelos acionistas quanto Schultz. Desde o IPO da Starbucks, em 1992, as ações da companhia se valorizaram 21.000%, segundo os mais recentes dados disponíveis. Significa que um acionista que tivesse investido US$ 10 mil na época teria hoje algo como US$ 2 milhões.

Mas Schultz avançou também em áreas menos quantificáveis: sob sua liderança, o Starbucks nunca se furtou de se posicionar em debates que outras companhias evitam, como direitos dos gays, relações raciais, direitos dos veteranos, a epidemia de violência desencadeada por armas de fogo e o alto custo da educação nos Estados Unidos, que gerou uma dívida estudantil considerada por muitos especialistas como impagável.

Um dos primeiros empresários a tentar exercer alguma liderança moral, Schultz sempre defendeu que as empresas devem buscar “o frágil equilíbrio entre lucro e consciência”. Não é um caminho fácil, diz ele, mas é o único a seguir.

O Starbucks foi a primeira rede de alimentação a oferecer seguro-saúde para todos os seus funcionários (tanto para os que trabalham em meio período quanto período integral) e parceiros. A generosidade veio da história pessoal de Schultz, que viu seu pai, um veterano da Segunda Guerra, voltar para casa e ter que dirigir um caminhão e um táxi para poder colocar comida na mesa.

Há menos de dois meses, o progressismo do Starbucks foi colocado à prova de forma brutal. Dois clientes negros foram presos dentro de um Starbucks na Philadelphia: como eles não estavam comprando nada, o gerente da loja os achou “suspeito” e chamou a polícia.

Respondendo à tragédia, Schultz ordenou que 8 mil lojas do Starbucks nos Estados Unidos fechassem mais cedo no último dia 29 para um treinamento contra preconceito racial. O treinamento será anual e atingirá os 350 mil funcionários que o Starbucks tem no mundo todo.

A partir do dia 26, Schultz passará a ser o chairman emérito da companhia, um título não mais do que honorífico, e Myron Ullman, que já presidiu o conselho da JC Penney, será o novo chairman do Starbucks.

Do zero ao bilhão

Howard Schultz é filho de um veterano da Segunda Guerra que precisou dirigiu um caminhão e um táxi para sustentar a família. Ele cresceu em um conjunto habitacional do Brooklyn, Nova York, e foi o primeiro membro da família a cursar universidade. Seu primeiro emprego foi como vendedor da Xerox. Mais tarde, foi contratado pela fabricante suíça de máquinas de café Hammarplast, e acabou sendo por intermédio dessa empresa que conheceu uma pequena rede de cafeterias de Seattle, a Starbucks. Em 1987, Schultz comprou a marca e em pouco mais de uma década a transformou num colosso global. Atualmente, a rede está presente em 77 países e possui 28 mil lojas.

 

 

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