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Estado de Minas

Greve já provoca canibalismo entre aves

Sem ração, frangos de granjas mineiras se agridem comendo as penas umas das outras e provocando ferimentos que levam à morte


postado em 24/05/2018 12:39 / atualizado em 24/05/2018 12:47

Avimig estima mortandade de 36 mil frangos por hora(foto: Maria Tereza Correia/EM/D.A Press)
Avimig estima mortandade de 36 mil frangos por hora (foto: Maria Tereza Correia/EM/D.A Press)

A greve dos caminhoneiros, que impede a chegada de ração e insumos às granjas no interior de Minas, está provocando canibalismo entre os frangos. Normalmente, essa situação ocorre quando há uma superpopulação no local de criação ou quando há uma carência de vitaminas nos alimentos das aves. Elas então passam a se agredir comendo as penas umas das outras, o que chega a provocar ferimentos que podem levar à morte. “Os frangos estão comendo outros frangos devido à falta de ração”, diz o diretor da Associação Mineira de Avicultores (Avimig), Cláudio de Almeida Faria.

Altamente dependente do transporte, a avicultura é um dos setores que mais sofrem com a paralisação dos caminhoneiros. Desde o início do movimento, tem havido mortandade de pintinhos e também de frangos antes do ponto de abate por causa da falta de ração. Cláudio Faria informa que está ocorrendo nas unidades de criação em Minas a mortandade de 36 mil frangos por hora, sem que os animais estejam em ponto de abate.

A mortandade de pintinhos também é elevada. “Os pintinhos saem das incubadoras e são levados para as granjas. Como não tem espaço nas granjas por causa da falta de abate, os pintinhos morrem com um dia de nascidos”, explica o diretor da Avimig.

“A situação é caótica”, afirma Cláudio de Almeida Faria, lembrando que a greve pode prejudicar também as exportações, por questão sanitária, em virtude da morte de animais, que podem gerar contaminação para as  granjas. “Atualmente, o Brasil é o maior exportador mundial de frango. Com esta greve (dos caminhoneiros), poderá cair para o ultimo lugar”, alerta ele.

O diretor da Avimig disse que entidade ajuizou uma ação com pedido de liminar junto à 5ª Vara da Justiça Federal em Belo Horizonte, pedindo que seja determinada a liberação imediata da passagem de caminhões e carretas com rações e outros insumos do setor avícola, para amenizar os prejuízos, que são “incalculáveis”. Até o momento, ainda não houve o despacho do juiz.

Segundo Claudio Faria, até a manhã desta quinta-feira, 80% da produção de frango de Minas já estava paralisada, pois, por causa do protesto dos  caminhoneiros nas rodovias, cinco grandes abatedouros do estado suspenderam as atividades, localizados nos municípios de Sete Lagoas, Visconde do Rio Branco (Região Central), Passos (Sul do Estado), Uberlândia (Triângulo) e Patrocínio (Alto Paranaíba). Estão na iminência de também interromper a produção abatedouros localizados  em São Sebastião do Oeste (região Centro-Oeste do estado), Pará de Minas (Central) e Uberaba (Triangulo).

De acordo com o diretor da Avimig, com a paralisação das unidades,   11,8 mil trabalhadores estão parados nos abatedouros de frangos no estado.  Minas Gerais é o  quinto maior produtor nacional de aves, com o abate de 2 milhões de frangos por dia, ficando atrás do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo. A produção brasileira é de 22 milhoes de frangos abatidos diariamente.

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