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Estado de Minas

'Vamos gerar 50 mil empregos em 2019', diz deputado federal mineiro

Estado destinará R$ 100 milhões para projetos de inovação e tecnologia nas universidades voltados para as startups mineiras. Intenção é diversificar o desenvolvimento econômico


postado em 29/04/2018 07:00 / atualizado em 29/04/2018 06:58

Embora tenha se afastado do cargo para disputar uma das 77 cadeiras na Assembleia Legislativa nas eleições de outubro, o parlamentar diz que continua de olho no setor(foto: Sidney Lopes/EM/D.A press)
Embora tenha se afastado do cargo para disputar uma das 77 cadeiras na Assembleia Legislativa nas eleições de outubro, o parlamentar diz que continua de olho no setor (foto: Sidney Lopes/EM/D.A press)
A partir de setembro, o governo de Minas Gerais vai investir R$ 100 milhões em projetos de inovação e tecnologia no âmbito das universidades. O recurso já está garantido no orçamento da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig) e, para ter acesso, é preciso que a composição acionária da empresa tenha um professor.

 

A informação é do deputado federal e ex-secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia e Ensino Superior Miguel Corrêa Júnior. Embora tenha se afastado do cargo para disputar uma das 77 cadeiras na Assembleia Legislativa nas eleições de outubro, o parlamentar diz que continua de olho no setor, por meio de projetos em tramitação na Câmara dos Deputados.

 

“Posso afirmar que pela primeira vez na história o jovem mineiro universitário tem espaço para construir seus negócios aqui e financiamento para construir suas ideias. E que as startups que estão ficando aqui têm muito mais chance de crescer e se fortalecer porque na base inicial dela tem dinheiro, formação e ecossistema”, afirmou Miguel Corrêa. Ainda de acordo com ele, a meta do governo é gerar 50 mil empregos diretos e 200 mil indiretos em 2019, graças ao fomento às novas empresas.


Qual o balanço dos investimentos em tecnologia e inovação nestes primeiros três anos de governo?

 

A economia mineira tem como foco a mineração e a agricultura e a gente pode afirmar, com toda a convicção, que agora há um terceiro vetor, que é o conhecimento e inovação voltados para o desenvolvimento.

 

Essas duas primeiras áreas a gente altera pouco o funcionamento, são commodities, movimentos mundiais de safra, valores, e naturalmente o estado tem pouca influência. O que significa que uma atuação política de estado é para incrementar as duas primeiras e abrir um leque para todas as outras oportunidades.

 

Uma reflexão importante é a seguinte: o mundo tem feito investimentos nas pequenas e médias empresas, pois é muito mais barato e eficiente. Então, você investe na pequena e ela tem possibilidade de crescer com um investimento menor.

 

"Criamos uma máquina que está girando. A nossa avaliação é que 70% das empresas criadas nesse modelo vão sobreviver, enquanto no modelo antigo eram 50%"

 

Por que investir nesse modelo de empresa?

 

A planta de desenvolvimento econômico no Brasil inteiro é quase a mesma. Desde que Juscelino (Kubitschek) atuou na industrialização, as pessoas acham que a única solução para a economia é atrair as grandes empresas. Só que atrair grandes empresas é muito pesado para o cidadão. Essas empresas vêm para cá por uma negociação muito dura, todo estado está de pires para ela vir. Então, ela recebe isenção de impostos, recebe áreas, tem investimentos em infraestrutura. E se você observar, elas geram poucos empregos, porque é alta tecnologia, engenheiros, não tem nada que gere 10 mil empregos. Então, o estado deixa de arrecadar, além de outros investimentos, para gerar 500, 1 mil empregos.

 

Vamos imaginar por hipótese que uma empresa venha para cá gerando 1 mil empregos. Ela custa para o estado, em 10 anos, R$ 50 milhões. Para construir uma empresa você tem custo de água, luz, internet, comprar mesa, comprar cadeira, aluguel, impostos, contratações. Nesse modelo, as pessoas não conseguem sobreviver. O que a gente faz? Nasce no mundo uma empresa nova chamada startup.

 

As pessoas acham que a tecnologia é complicadora, mentira. Ela é facilitadora. O que é uma startup? Uma empresa pequena com base em tecnologia. Mas ela tem algumas características importantes, o custo dela é baixo, você cria espaços de trabalho conjunto que são oferecidos pelo estado. Segundo o Sebrae, metade das empresas fecha com um ano, por não saber pôr preço. Então, nós vamos ensinar a precificar, a fazer marketing, ter plano de gestão e negócios e que ela tem que escalar.

 

Tem que ser possível que os produtos dela sejam vendidos em Minas Gerais inteira, no Brasil inteiro e no mundo. Uma empresa dessas, se der certo, cresce muito. Hoje, se pegar as 10 principais empresas na Bolsa de Valores de Nova York, elas têm no máximo 10, 12 anos de vida.

Qual o papel das universidades nesse contexto?

 

É o espaço do conhecimento. Então, a gente começa ali a fazer uma indústria de novas empresas. Você pede a essa universidade que reúna naquele espaço físico todo mundo de empresa júnior, encubadoras, comunidades de startups, de inovação, todo esse ambiente que trabalha a produção. Colocando no mesmo lugar, a gente libera um recurso por semestre para a própria faculdade contratar professores para conduzirem esses programas de treinamento e conhecimento. Ali cabem 120 novas empresas com até três sócios, por semestre. Isso se chama aceleradoras dentro das universidades. Essa planta industrial nas universidades tem a capacidade de gerar 500 empresas por ano.

Esse número foi atingido em Minas Gerais?


É o que estamos fazendo. Por isso somos o principal estado gerador de empregos do Brasil. Perdemos em quantidade para São Paulo, mas quantitativamente ao número da população estamos em primeiro lugar. Hoje, temos condições de fazer próximo de 5 mil startups por ano.

 

"O estado é sócio dos mineiros. Se você tem uma ideia, nos conte, que queremos transformar a sua ideia em uma empresa"

 

E qual o custo disso para o estado?

 

A gente gasta R$ 500 mil para gerar 500 empresas. A metade vai morrer? Tem problema não, vamos ficar com 250 com esse custo. Só que essas 250 vão gerar empregos e impostos. Imagina que cada startup dessa, por ano, vai gerar ao estado R$ 50 mil de impostos no primeiro ano e isso 250 vezes vai gerar R$ 12,5 milhões. É um belíssimo negócio para o estado.

 

Qual o papel de Minas nesse cenário de desenvolvimento tecnológico?


Somos protagonistas hoje do Brasil e seremos do mundo. O Bibop (Grestam, cofundador e presidente da HyperloopTT), que é o homem mais inovador do mundo, veio aqui para falar que não existe nada do mundo sendo feito com esse padrão. A Bakery, que é a principal aceleradora de startups do mundo, veio aqui para dizer que não existe nada igual no mundo.

 

Por quê? Porque aqui o estado coloca condições para tornar esses jovens empreendedores. E tem outra coisa, agora é uma aposta. O Estado é sócio dos mineiros. Se você tem uma ideia, nos conte, que queremos transformar a sua ideia em uma empresa. Só que no mundo inteiro não existe dinheiro a fundo perdido para essas empresas.

 

O que estamos lançando? Em setembro haverá a primeira rodada de R$ 100 milhões para essas startups que estão no ecossistema das universidades poderem receber esse dinheiro para colocar o negócio de pé.

E qual o critério para ter acesso a esses recursos?

 

É um recurso da Fapemig (Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais), e para acessá-lo, elas (as empresas) terão que ter um professor na sua composição acionária, lembrando que tanto alunos quanto professores terão participação igual nessa empresa. E o desenvolvimento que será feito terá que ser entregue ao setor produtivo do estado. Então, se você tem uma startup resolvendo problemas da agricultura, será entregue a todas as empresas de agricultura a solução.
Essa é a contrapartida para o estado?


Posso dizer que são inúmeras as contrapartidas. Estaremos formando uma mentalidade empreendedora. Cada pessoa no emprego público obriga o estado a arrecadar mais impostos, ou aumentando, ou fazendo mais negócios. Quando você faz negócios e gera mais empregos, você traz recursos para o estado. Essa é a grande mudança de mentalidade. O governador Fernando Pimentel (PT) nos deu a ordem: nosso foco é geração de emprego.

 

 

"O mundo tem feito investimentos nas pequenas e médias empresas, pois é muito mais barato e eficiente. Então, você investe na pequena e ela tem possibilidade de crescer com um investimento menor "

 

 

Levando-se em conta a situação financeira do estado, os R$ 100 milhões para investir nas novas empresas estão garantidos?

 

Esse dinheiro não é novo, é aquele previsto em lei e que nos obriga a aplicar 1% da verba da Fapemig. Esse dinheiro é para pesquisa aplicada para o desenvolvimento da economia mineira. Vamos lembrar que a secretaria é de desenvolvimento econômico, ciência e tecnologia e ensino superior. Essa ação é cumprir rigorosamente o que determina a legislação da secretaria. Então, é dinheiro do ensino superior, da pesquisa, da inovação e desenvolvimento econômico, tendo que transferir esse conhecimento.

 

É caro para uma empresa média trabalhar a inovação, enquanto as universidades fazem isso com muita excelência. Por consequência, se as universidades já têm esse espaço e as startups são a solução disso tudo, ela leva a tecnologia para a empresa média. Quando isso acontece, ela gera um contrato, vai empregar, vender e pagar impostos. É o ciclo perfeito para qualquer modelo de desenvolvimento econômico.

 

Só que nós temos uma característica superior ao Vale do Silício, porque não tem dinheiro público lá. As startups vão receber o dinheiro, que não é um empréstimo, é a fundo perdido. O que significa que nossas startups estão sólidas, preparadas para receber dinheiro do mundo inteiro, sem estar de pires de mão.

 

Quantas startups há hoje em Minas?

 

Hoje a gente chega quase a empatar com São Paulo em número de startups. Ao chegar ao fim do ano, teremos mais que São Paulo. No ano que vem, mais que a América Latina inteira, e teremos o mesmo número de aceleradoras que os Estados Unidos. Então, é uma aposta com um dinheiro que já existe. Criamos uma máquina que está girando.

 

A nossa avaliação é que 70% das empresas criadas nesse modelo vão sobreviver, enquanto no modelo antigo eram 50%. Posso te afirmar que pela primeira vez na história o jovem mineiro universitário tem espaço para construir seus negócios aqui e financiamento para construir suas ideias. E que as startups que estão ficando aqui têm muito mais chance de crescer e se fortalecer porque na base inicial dela tem dinheiro, formação e ecossistema que permite isso. Posso afirmar que geraremos o ano que vem 50 mil empregos exclusiva e diretamente com essa ação, e em torno de quase 200 mil empregos indiretos.




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