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Estado de Minas

Mercado Livre entra nos serviços financeiros

Estratégia, que será oferecida a pessoas físicas, micro e pequenas empresas que utilizam o Mercado Pago, busca aumentar os negócios e atuar em brecha deixada pelos bancos


postado em 31/01/2018 12:00 / atualizado em 31/01/2018 08:11

A nova plataforma da Mercado Livre será instrumento para oferecer mais crédito a empreendedores (foto: Mercado Livre / Divulgação)
A nova plataforma da Mercado Livre será instrumento para oferecer mais crédito a empreendedores (foto: Mercado Livre / Divulgação)

São Paulo – O Mercado Livre, uma das maiores empresas de comércio eletrônico da América latina, apresentou ontem novo serviço de crédito para concessão de empréstimos a pessoas físicas e micro e pequenas empresas que vendem pelo site ou que usam a plataforma Mercado Pago para pagamento dos produtos. A ideia de criar o Mercado de Crédito, segundo Tulio de Oliveira, diretor de Mercado Pago no Brasil, é de elevar o volume de negócios do site e ajudar os empreendedores a obterem recursos para investir e potencializar seus negócios e melhorar o fluxo de caixa. “Estamos tentando aumentar esse mercado que é mal atendido pelos bancos”, disse ele, lembrando que existem pelo menos 85 mil clientes com créditos pré-aprovados.

No Brasil, os testes com serviço começaram em um projeto-piloto há seis meses. Nesse período, 18 mil usuários contrataram R$ 250 milhões, com taxa de juros que variaram de 2,5% a 5,5% ao mês. Os empréstimos são concedidos em função do histórico de vendas do vendedor no site e de uma análise de risco (scoring), realizada com tecnologia desenvolvida internamente que utiliza inteligência artificial para avaliar mais de 400 variáveis de comportamento do empreendedor no Mercado Livre. O valor concedido pode ser parcelado em até 12 vezes. Os valores são debitados diretamente da conta no Mercado Pago. Os valores emprestados vão de R$ 1 mil a R$ 350 mil. Até agora, a média dos financiamentos na América Latina foi de R$ 40 mil e de R$ 30 mil no Brasil, segundo o executivo.

 Martín de los Santos, vice-presidente de Mercado de Crédito na América Latina, explica que todo o processo de contratação pode ser realizado em apenas dois cliques no site do Mercado Livre, bastando o usuário determinar o valor e o prazo do crédito. “Em seguida, o recurso é disponibilizado na conta do Mercado Pago do cliente. É tudo muito rápido”, diz ele, que espera que o serviço de crédito chegue a 400 mil clientes que têm negócio montado no Mercado Livre nos próximos anos.

 

 De acordo com os dados da empresa, 85% dos clientes que já contrataram empréstimos tiveram aumento nas vendas, o que demonstra que o valor obtido na operação de crédito é investido na própria empresa. Do total de R$ 250 milhões concedidos, R$ R$ 70 milhões já retornaram para o grupo. No Brasil, de acordo com Santos, a oferta de crédito do Mercado Livre tem parceria do banco gaúcho Topázio e da financeira BMP MoneyPlus. Além das parcerias, o executivo disse ainda que o grupo Mercado Livre também está utilizando capital próprio e que montou um fundo para captar recursos com investidores interessados em participar da concessão de crédito.

 Outro ponto positivo constatado no projeto-piloto foi o baixo percentual de inadimplência, em torno de 2%, e o alto índice de recontratação de empréstimos, em torno de 70% (sete em cada dez usuários) na América Latina. Questionado sobre a possibilidade de, futuramente, abrir o capital do Mercado de Crédito, a exemplo do UOL, que foi muito bem-sucedido com o IPO (oferta inicial de ações) da sua plataforma de pagamento, o PagSeguro, que conseguiu captar US$ 2,3 bilhões, na Bolsa de Nova York, Santos disse que uma oferta de ações do novo negócio não está nos planos do grupo. Sobre crescente concorrência, o executivo afirmou que o mercado brasileiro de crédito é pouco desenvolvido e que os usuários são “subatendidos” pelos bancos, o que abre espaço para novos players.

 Inspirado no site americano eBay, o Mercado Livre foi fundado na Argentina, em 1999. No acumulado dos últimos 12 meses, encerrado em setembro de 2017 (a empresa ainda não divulgou o resultado do quarto trimestre do ano passado) foram registradas vendas de US$ 10,3 bilhões, e passaram pela plataforma de pagamento US$ 11,8 bilhões, no mesmo período. São 40 milhões de vendedores e compradores únicos, que fazem mais um milhão de operações por dia com 2.800 categorias de produtos.

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