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Estado de Minas

Em BH, trabalhadores adiam procura por emprego

Fora da rotina para um começo de ano, movimento foi sem filas nessa terça-feira (2) na reabertura da agência de emprego do Sine na Praça Sete, em BH, uma das principais unidades em Minas


postado em 03/01/2018 06:00 / atualizado em 03/01/2018 08:13

"Estou procurando com vizinhos para ver se faço faxina ou algo do tipo". Emanuelle Mayra, doméstica (foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press)

No Brasil de mais de 12 milhões de desempregados, 2018 começou, para alguns deles, com a procura por uma vaga no mercado de trabalho, em Belo Horizonte. Contudo, muita gente não apareceu. A esperança de conseguir emprego levou pessoas de todas as idades a procurar a agência do Sistema Nacional de Emprego (Sine) na Praça Sete, responsável pelo encaminhamento de candidatos ao mercado formal.

Diferentemente do que ocorreu em 2017, não havia fila na porta do posto no Centro da capital, uma das principais unidades no estado.

"A esperança é muito boa. A gente tem que confiar". Eunice dos Santos, cozinheira (foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press)

A cozinheira Eunice dos Santos, de 58 anos, foi ao guichê para atualizar o currículo e procurar uma vaga. No ano passado, ela fez um curso de cuidadora de idosos para ampliar as possibilidades. Enquanto o emprego não vem, vende pacotinhos de biscoitos de nata que faz. “A esperança é muito boa, a gente tem que confiar. Costuma nos primeiros dias do ano ter mais vagas, quem sabe dou sorte”, disse, enquanto aguardava sua vez no balcão de atendimento.

"Procuro um emprego de preferência na área administrativa". Jéssica Thaís Conceição Cruz, estudante de direito (foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press)

O dinheiro das quitandas será bem-vindo, já que, apesar do bico que arrumou, ela está endividada. “Estou com tudo atrasado, luz, água, cartão estourado. Dívida não pago, mas ficar sem comer não fico”, disse. Solteira, dona Eunice tem a ajuda de apenas uma das seis filhas para se manter na casa em que mora sozinha, no Bairro Paulo Sexto.

 O estoquista Paulo Henrique, de 31, que mora com a mãe, o padrasto e o irmão no Bairro Menezes Justinópolis, em Ribeirão das Neves, na Grande BH, ficou desempregado em outubro com a troca de gerência na empresa em que trabalhava. Entre 2016 e 2017, ele já havia ficado fora do mercado por cerca de um ano. “Estou com esperança de conseguir neste ano. Acho que vai ter mais contratação porque está melhorando a situação do país”, disse.

 O superintendente de gestão e fomento ao emprego da Secretaria de Estado de Trabalho e Desenvolvimento Social (Sedese), Márcio Luiz Guglielmoni, não quis arriscar um cenário para o emprego em Minas Gerais este ano, mas disse que os sinais, por enquanto, não são muito positivos. “Gosto muito de ver a questão da construção civil e não estamos tendo muita movimentação ainda, o que mostra que não estamos saindo da crise propriamente dita. Mas é apenas um palpite, espero que eu esteja errado”, afirmou.

Sobre a menor movimentação no Sine, ele acredita que o comércio possa ter estendido o período de permanência de muitos temporários contratados no fim do ano. “A temporada de compras no comércio ainda não terminou porque tem muita gente para receber o 13º ainda. Além dos servidores do estado, há empresas que deixaram para pagar em janeiro e talvez por isso o comércio ainda esteja apostando nas vendas”, avalia.

 De acordo com balanço do Sine divulgado pela Sedese no fim do ano, as 132 unidades do sistema no estado atenderam 1.821.635 trabalhadores até 20 de dezembro. Em 2017, foram colocadas à disposição 55.217 vagas no mercado formal e 35.470 pessoas conseguiram emprego. O aumento em relação a 2016 foi de 48%.

 De acordo com o Sine, há 69.771 trabalhadores cadastrados na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Em Minas Gerais são 259.941 inscritos. O Posto da Praça Sete oferecia nessa terça-feira (2) 91 vagas para porteiro, vendedor, supervisor de serviços, repositor, pedreiro, mecânico, borracheiro, advogado e auxiliar de serviços, entre outras funções.

Sem restrições

 A estudante de Direito Jéssica Thaís Conceição Cruz, de 19, também ocupou a manhã dessa terça-feira (2) à procura de trabalho. “Procuro um emprego de preferência na área administrativa”, conta. Ela trabalhou na área como menor aprendiz até janeiro do ano passado e agora tenta uma vaga para ajudar nas despesas da casa em que mora com o filho de 8 meses e a mãe. “Não falta nada em casa graças a Deus, mas uma renda a mais sempre ajuda”, disse. Jéssica chegou cedo ao posto do Sine para fazer o cadastro, pois esperava enfrentar uma grande fila, que não veio.

Emanuelle Mayra, de 25, também está procurando emprego desde agosto do ano passado, quando perdeu a vaga que ocupava em uma lanchonete da rodoviária. Ela está usando o seguro-desemprego para se sustentar, mas só falta um mês para o fim do recurso. “Estou procurando com vizinhos para ver se faço faxina ou algo do tipo, porque nós duas estamos sem trabalhar”, afirmou, se referindo à amiga com quem divide uma casa no Bairro Xangri-Lá. A jovem não faz restrições. “Posso trabalhar como babá, repositora, vendedora, tudo, o importante é trabalhar”, diz.

Dispenados e sem planos de sáude


O número de beneficiários de planos de saúde continuou em queda no ano passado, com o aumento do desemprego e a queda dos rendimentos do trabalho. Segundo os dados mais recentes fechados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), 47.281.046 brasileiros tinham convênio médico até novembro último, o menor índice desde 2011, considerando-se os dados do fim de cada ano.

Como quase 70% dos clientes são de planos corporativos, ou seja, bancados pelas empresas, a elevação do desemprego fez com que muitos trabalhadores perdessem a condição de acesso aos planos, passando a depender exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS).

Em comparação com os números de novembro de 2016, a queda no fim de 2017 foi de 526 mil clientes. Apesar desse quadro, nove estados apresentaram aumento no número de usuários de convênios: Acre, Amazonas, Ceará, Goiás, Mato Grosso, Piauí, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e Tocantins. No estado de São Paulo, onde 17,2 milhões têm convênio médico, a queda no número de beneficiários entre 2016 e 2017 foi de cerca de 257 mil.

 

Odontológicos

No caso dos planos exclusivamente com fins odontológicos, houve aumento de 1,5 milhão de usuários em relação ao mesmo período do ano anterior em todo o país, atingindo a marca de 23.112.608 beneficiários em novembro de 2017. A maioria dos clientes também conta com plano empresarial.

 

 

 


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