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Estado de Minas

Ações na bolsa de valores voltam com força este ano; nove companhias abrem o capital

Carrefour alcançou o maior valor de mercado. Hermes Pardini teve a maior valorização


postado em 28/12/2017 06:00 / atualizado em 28/12/2017 08:17

Início dos negócios com papéis da Burger King, uma das nove empresas brasileiras que buscaram recursos na bolsa de valores(foto: Divulgação/BM&FBovespa)
Início dos negócios com papéis da Burger King, uma das nove empresas brasileiras que buscaram recursos na bolsa de valores (foto: Divulgação/BM&FBovespa)

São Paulo
– O ano de 2017 foi atípico para o mercado de ações. Apesar de todos os solavancos da economia brasileira, nove empresas buscaram na bolsa uma forma de captar recursos para seus projetos de investimento. Esse número está longe do recorde histórico de 2007, quando 60 IPOs (sigla em inglês para oferta inicial de ações) foram registrados pela Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), mas não deixa de ser relevante que os investidores tenham confiado no mercado de capitais, apesar das incertezas do país. Para efeito de comparação, em 2016, apenas uma empresa abriu o capital. Até terça-feira, 26, as nove companhias atingiam, juntas, valor de mercado de R$ 82,3 bilhões, segundo cálculos da consultoria Economática. O montante equivale a cerca de 2,5% do valor de todas as empresas listadas na Bovespa.


Apesar de recém-chegado (abriu o capital em julho), o Carrefour ficou entre as 21 principais companhias em valor de mercado (R$ 29,3 bilhões até 26/12) e se tornou a número 1 entre todos os IPOs deste ano. Já a Lhpardini (Hermes Pardini) foi a empresa da lista de IPOs que obteve o melhor desempenho no período, com valorização de 80,23% (fechamento em 26/12).

Outra estreia relevante em 2017 foi a da BR Distribuidora, que até o dia 26 já estava entre as 35 maiores empresas da bolsa brasileira, com valor de mercado de R$ 19,5 bilhões. Em terceiro lugar no grupo dos IPOs está a IrbBrasil, com R$ 10,6 bilhões de valor de mercado até o fechamento da última terça-feira. E antes de o ano acabar, o PagSeguro, sistema de pagamentos digitais, iniciou a parte burocrática junto à Bolsa de Nova York para abrir capital. (Leia mais abaixo)

Até quando o interesse pela busca de recursos na Bolsa deve continuar? Alexandre Espírito Santo, economista da Órama (plataforma digital de investimentos) e professor de macroeconomia e finanças do Ibmec-Rio, lembra que o mercado brasileiro de ações leva vantagem em relação a muitos países por conta da legislação e da fiscalização por parte da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Essas regras rígidas atraem especialmente fundos e investidores estrangeiros e, em volume bem menor, alguns investidores pessoa física.

“Apesar do movimento visto neste ano, o mercado de capitais brasileiro ainda é pouco explorado”, diz o economista. “Ele poderia ganhar alguns incentivos para se tornar mais atraente, já que é uma ferramenta extraordinária para movimentar a economia em virtude da quantidade de recursos que as empresas conseguem captar e investir para expandir seus negócios e gerar emprego”, acrescenta Alexandre.

Segundo o economista da Órama, entre as explicações para o aumento da procura por abertura de capital está a mudança nas regras dos juros cobrados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em seus empréstimos, a partir de 2018, passando de TJLP (a taxa de juros de longo prazo, de 6,75% em dezembro, ante a taxa básica de juros, a Selic, de 7%) para TLP (taxa de longo prazo), o que diminuirá o subsídio desse dinheiro e tornará a taxa mais próxima da cobrada pelas instituições financeiras em outras modalidades de financiamento. “Com mais empresas buscando recursos no mercado de capitais, o BNDES vai ficar cada vez mais voltado a companhias que não teriam condições de fazer um IPO”, opina Alexandre Espírito Santo.

Eleições O especialista acredita que 2018 deve ser mais tímido em quantidade de IPOs. Isso porque será um ano de eleições presidenciais, o que deverá tornar o mercado mais inquieto do que o normal. “É um cenário que terá turbulência, em maior ou menor medida, por isso algumas empresas poderão adiar seus planos de buscar recursos na Bolsa”, acredita o economista. O que pode diminuir esse clima de trepidações econômicas, segundo ele, seria um tom “não tão exageradamente radical” por parte dos candidatos ao Palácio do Planalto.

Marcos Sarmento Melo, sócio da Valorum Consultoria Empresarial e professor de finanças do Ibmec-Brasília, também acredita que os IPOs sejam mais tímidos em 2018. “Como deve ser um ano de ritmo menor na Bolsa, formas mais baratas de captação de recursos pelas empresas, como lançamentos de debêntures, devem ser mais procuradas”, avalia. Melo acredita ainda que, por conta das mudanças na TJPL para TLP, devam surgir outras linhas de crédito com juros mais baixos. “Isso pode se tornar um concorrente para os IPOs”, opina o professor.

Seja por meio de IPOs ou de linhas de crédito, Melo acredita que as empresas deverão manter uma expectativa otimista em relação à economia brasileira. “Essa demanda por novos recursos pode até aumentar, já que muitos trabalham com a crença de que a recuperação já começou”, diz o especialista. “Se a capacidade de produção das empresas não for ampliada a partir de agora, oportunidades poderão ser perdidas.”

PagSeguro vai aos EUA

Antes da virada do ano, o PagSeguro, sistema de pagamentos digitais de compras pertencente ao UOL, decidiu ir na mesma direção de outras empresas e buscar recursos no mercado de capitais. Na terça-feira 26, a empresa entrou com um pedido para negociar suas ações na Bolsa de Nova York (Nyse). Como os documentos apresentados à SEC (órgão regulador do mercado de capitais dos Estados Unidos, uma espécie de Comissão de Valores Mobiliários, a CVM, daquele país) são preliminares, ainda não é possível saber o tamanho da oferta de ações ou quanto a empresa pretende pedir pelo papel. A previsão é que o IPO ocorra em 2018.

A opção em fazer o IPO nos Estados Unidos e não no Brasil tem a ver com o tipo de investidor buscado pela empresa – entre os americanos, há receptividade maior a negócios ligados a tecnologia, diferentemente do que se vê por aqui. Os bancos americanos Goldman Sachs e Morgan Stanley serão os coordenadores globais da oferta inicial dos papéis e o acionista vendedor é o próprio UOL. No Brasil, seus principais concorrentes são o MercadoPago e o SumUp.

Segundo informações divulgadas pelo PagSeguro, os recursos obtidos com o IPO serão utilizados para bancar aquisições de concorrentes e aumentar os investimentos “em tecnologias ou produtos que são complementares ao nosso negócio”. A empresa pretende vender como principal vantagem o fato de o mercado de pagamentos digitais no Brasil ainda estar em fase de expansão.

No Brasil, a taxa de utilização (3,6% do total do comércio eletrônico). No Reino Unido, o índice é de 18% e nos Estados Unidos, 7,8%, segundo dados do Banco Mundial. Se o IPO do PagSeguro se confirmar, a empresa seguirá trajetória semelhante à de outras companhias brasileiras que optaram pela oferta de suas ações nos Estados Unidos, como Netshoes e Azul.

No acumulado de janeiro a setembro de 2017, o PagSeguro obteve um lucro líquido de R$ 290 milhões, alta de 225% ante aos primeiros nove meses de 2016. Já a receita chegou a R$ 1,7 bilhão no acumulado até setembro. (PP)

 


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