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Estado de Minas

Conheça as empresas da área de educação que ensinam e dão lucro

Cada vez mais profissionalizado, ensino privado não para de crescer. Por trás do avanço estão empresários conhecidos, como o bilionário investidor Jorge Paulo Lemann e Chaim Zaher


postado em 05/12/2017 12:00 / atualizado em 05/12/2017 08:54


São Paulo – Poucos setores da economia atravessaram a recente crise brasileira com tanta desenvoltura quanto o de ensino privado. No caminho inverso da grande maioria das empresas, as escolas particulares, tanto as de ensino básico como as de nível universitário, fizeram investimentos, intensificaram processos de consolidação e alçaram a indústria acadêmica ao topo do ranking dos mercados mais promissores e rentáveis do país.

Rodrigo Glaindo, presidente da Kroton Educacional, que foi impedida pelo Cade de comprar a Estácio(foto: Paulo Whitaker/Reuters - 23/5/13)
Rodrigo Glaindo, presidente da Kroton Educacional, que foi impedida pelo Cade de comprar a Estácio (foto: Paulo Whitaker/Reuters - 23/5/13)

O mercado enxerga que ocorrerá uma explosão no ensino básico, como aconteceu no superior nos últimos anos(foto: Amanda Perobelli/Estadão Conteúdo/AE)
O mercado enxerga que ocorrerá uma explosão no ensino básico, como aconteceu no superior nos últimos anos (foto: Amanda Perobelli/Estadão Conteúdo/AE)
Alimentado por um volume sem precedentes de investimentos e de faturamento, que atingiu cerca de R$ 50 bilhões no ano passado, segundo cálculo da consultoria Hoper, grandes grupos ganharam musculatura e formaram poderosas redes de ensino, como Kroton, Estácio, Laureate e Anima, entre muitas outras.

Jorge Paulo Lemann, bilionário suíço-brasileiro, criou fundo de R$ 1 bilhão para investir em educação(foto: Helvio Romero/Estadão Conteúdo - 23/3/11)
Jorge Paulo Lemann, bilionário suíço-brasileiro, criou fundo de R$ 1 bilhão para investir em educação (foto: Helvio Romero/Estadão Conteúdo - 23/3/11)
“O setor de educação, historicamente gerido por famílias, se transformou em um campo altamente profissionalizado e eficiente”, diz o consultor Yuri Areco, da BLB Brasil. “Junto com os aportes vieram novos modelos de gestão e melhores práticas administrativas e financeiras.”

De fato, o setor conquistou dimensões inéditas nos últimos anos. Segundo o mais recente Censo da Educação Superior, divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), as instituições de ensino superior privadas somaram, em 2016, 34 mil cursos ofertados e 8 milhões de estudantes matriculados – o equivalente a toda a população da Suíça. Parece muito, mas ainda está longe do ideal. Um dos fatores que despertaram o interesse dos investidores na educação é exatamente o baixo percentual de brasileiros que chegaram ao ensino superior: 14%.

Entre os países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), que compila dados de 40 nações, incluindo o Brasil, a média é de 35%. Ou seja, a indústria do ensino particular tem potencial para dobrar de tamanho se o número de adultos nas universidades brasileiras se nivelar ao de outros países.

Por trás do intenso movimento de expansão no ensino privado estão nomes já conhecidos. O bilionário Jorge Paulo Lemann criou um fundo de R$ 1 bilhão, o Gera Venture Capital, para investir em educação. Logo de cara, ele injetou R$ 100 milhões para fundar a Escola Eleva, no Bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro, inaugurada no início deste ano e que promete se tornar referência do segmento de ensino básico no país.

Além do aporte de Lemann, grandes investimentos têm sido feitos capitaneados pelo executivo Rodrigo Galindo, presidente da Kroton, e pelo empresário Chaim Zaher, sócio do Grupo SEB e maior franqueado da rede canadense Maple Bear na América Latina, além das gestoras Tarpon Investimentos e Bahema. “O mercado enxerga que ocorrerá uma explosão no ensino básico, como aconteceu no superior nos últimos anos”, afirma Zaher.

Os bons resultados começaram a atrair capital estrangeiro. É o caso do americano Alan Greenberg, cofundador da Avenues,  rede global de educação básica, fundada em Nova York em 2012, e que terá uma unidade em São Paulo a partir do segundo semestre de 2018. Ele está desembolsando R$ 150 milhões para criar uma estrutura com condições de ter 2,1 mil alunos. A mensalidade será de R$ 7 mil mensais, em média. “Nossa meta é ser uma escola com mais de 20 endereços, mas sempre com a mesma identidade. Não serão diferentes escolas”, disse Greenberg. “O Brasil é o grande mercado a ser explorado para a educação.”

No caso do ensino superior, parte do sucesso se explica pelas recentes alterações na legislação. Com o objetivo de ampliar a oferta de cursos, o Ministério da Educação (MEC) publicou, em junho,  portaria que acelera e flexibiliza a implantação de cursos superiores na modalidade a distância. A portaria possibilita, segundo o MEC, o credenciamento das instituições de ensino superior (IES) para cursos de educação a distância (EaD) mesmo sem o credenciamento para cursos presenciais. “A flexibilização abre um horizonte de novas possibilidades para a educação no país, que poderá alcançar locais que antes eram economicamente inviáveis para as instituições de ensino”, diz Wilson de Matos Silva, reitor do grupo paranaense Unicesumar.

FUSÃO VETADA
A reprovação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), em junho, da operação de compra da Estácio pela Kroton Educacional, avaliada em R$ 5,5 bilhões e que criaria um gigante do setor de ensino no país, é outra notícia que agitou o fértil campo do ensino brasileiro. O casamento entre as duas empresas traria concentração econômica ao mercado, de mais de 30%, diante de um limite estabelecido pelo Cade de 20%. “O veto à fusão caiu como um alento para o setor, já que agora a concorrência está mais protegida”, diz o economista Carlos Monteiro, diretor da Carta Consultoria, especializada em ensino.

No Brasil, a educação é e continuará sendo um investimento certeiro – e de baixo risco. Mesmo com as mudanças nas regras, boa parte das matrículas são feitas pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), pelo qual o governo paga a faculdade e o aluno tem 18 meses após formar para começar a devolver o dinheiro.

Além disso, segundo especialistas, em tempos de crise as famílias procuram dar melhores condições de ensino aos filhos, enquanto os alunos em idade universitária lutam para concluir uma boa formação. Nos períodos de pujança econômica, fazem o mesmo para garantir um bom lugar ao sol no mercado de trabalho. A mesma educação que ajuda a construir um país melhor também pode, do ponto de vista empresarial, dar lucro.

Crédito privado impulsiona setor


O crescimento do mercado de ensino privado cria oportunidades também para bancos e financeiras. Com um rigor maior do Ministério da Educação e da Caixa para a liberação do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), instituições privadas de crédito se tornaram alternativas aos estudantes que não podem pagar as mensalidades da faculdade.

No campo privado, o crédito universitário é oferecido principalmente por quatro instituições: Bradesco, Ideal Invest (gestora do programa Pravaler Crédito Universitário, que tem o Itaú como sócio minoritário), Fundaplub, instituição que gere linhas de financiamento oferecidas pelas próprias universidades, e o Santander, que não oferece financiamento para a graduação, mas empresta para o pagamento de cursos de pós-graduação e MBAs.

Na média, o financiamento estudantil privado é mais caro do que o Fies (que tem taxa de  3,4% ao ano), mas costuma ser menos burocrático. No Bradesco, o índice mínimo é de 28,68% anuais, ou 2,39% por mês. A Fundaplub não cobra juros, apenas uma taxa de administração de 0,35% ao mês, ou 4,2% ao ano.

Sob a ótica das universidades, a ideia não é apenas ganhar dinheiro com juros dos empréstimos. As linhas privadas de crédito são importantes na estratégia de manter os alunos nos cursos. Por isso, a Estácio e a Anima subsidiam juros no Pravaler. Já a Ser Educacional decidiu cobrar os mesmos juros oferecidos pelo Fies no Pravaler: 3,4% ao ano. Os três grupos educacionais comandam diversas instituições de ensino. No caso da Anima, estão a UNi-BH (MG) e a São Judas (SP).

Apesar de os programas de crédito terem sido criados para estudantes, eles seguem as mesmas regras praticadas pelo mercado. Quem atrasa as parcelas dos financiamentos paga multa de 2% sobre o valor e juros de mora de 1% ao mês após 30 dias contados a partir do atraso. Se o aluno ficar inadimplente, seu nome pode incluído nos órgãos de proteção de crédito, como Serasa e SPC.

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