
Brasília – O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, se dedicou na terça-feira à defesa das políticas econômicas do governo na audiência pública em que foi ouvido na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Ele afirmou que a recessão econômica acabou e que o país tem demonstrados indicadores fortes da retomada da atividade econômica. Contudo, apesar do discurso, Meirelles foi fortemente criticado pelos parlamentares da oposição, principalmente pelo senador Lindberg Farias (PT-RJ) e a senadora Gleisi Hoffman (PT-PR). Também o presidente da Casa, Tasso Jereissati (PSDB/CE), confrontou o ministro.
Em respostas aos parlamentares, Meirelles declarou que o governo está empenhado em criar mais empregos e melhorar o cenário geral da economia para permitir a redução do endividamento e o maior consumo das famílias. “Não há nenhuma política de fazer o ajuste em cima de programas sociais. Muito pelo contrário, o ajuste se dá, principalmente, para criar empregos. No último ano, foram criados mais de 1 milhão”, destacou.
“O senhor não anda pelas ruas deste país”, rebateu o senador Lindberg Farias, destacando que tem aumentado o número de famílias morando nas ruas. “Você esqueceu o principal tema deste debate. Vocês (presidente do Senado, Eunício de Oliveira, Michel Temer, e Meirelles) deveriam ser obrigados a andar pelas ruas do país para ver que o que está acontecendo.” A senadora Gleisi Hoffmann questionou uma possível candidatura do ministro diante da ausência do “pensamento” social. “O senhor devia passar menos tempo nos carpetes e ar-condicionado do mercado financeiro”, criticou.
Meirelles declarou que a destruição de empregos no país decorreu da “pior crise econômica da história” e que o governo trabalha para “reverter o problema”. “Bolsa-família é fundamental, apenas está se prevenindo fraudes. Não se pode confundir fraudes com políticas sociais. A partir disso, a política mais duradoura é a criação de empregos. Mas a política social perde a eficácia com a perda de empregos. Estamos trabalhando exatamente para melhorar e resolver esse problema”, apontou.
Discussão Durante a audiência pública, o senador Lindberg Farias (PT-RJ) bateu boca com o presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), senador Tasso Jereissati (PSDB/CE). Enquanto o parlamentar criticava a relação do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, com o frigorífico JBS, o presidente interrompeu pelo tempo excedente da fala. “Vossa excelência já passou de 12 minutos”, afirmou, lembrando que o tempo combinado não superaria os de cinco minutos mais dois de tréplica.
Mantidas as previsões de ajuste fiscal que o governo tem como parâmetro, a partir de 2021 o déficit primário será revertido, apresentando números positivos crescentes que deverão chegar a superávit de 2,4% em 2026. A afirmação foi feita ontem pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Ele destacou que, para que o resultado seja alcançado, é necessário que as reformas estruturais do país continuem avançando.
“A aprovação das reformas possibilitará, inclusive, a redução dos juros reais de forma sólida para o Brasil”, acrescentou Henrique Meirelles. Segundo ele, o ajuste “tem de vir de mudanças na despesa obrigatória, em especial, da Previdência”. Indagado sobre como recebia o resultado de uma recente consulta feita pelo Senado a especialistas, segundo a qual a Previdência não seria deficitária, Meirelles disse que “essa questão não deve ser objeto de opinião”, e que os cálculos não levam em conta gastos com saúde e assistência social.
Em resposta a indagações sobre a previsão de redução do valor projetado para o salário-mínimo – de R$ 969 para R$ 965, de acordo com revisão orçamentária anunciada pelo ministro do Planejamento, Dyogo de Oliveira – Meirelles voltou a dizer que isso também “não é uma questão de opinião”, nem de boa vontade. “O reajuste para menos é calculado por lei, e leva em conta o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) e o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto, a soma da produção de bens e serviços do país)” afirmou o ministro. (Com agências)
