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Estado de Minas

Brasileiros não se preparam para velhice

Pesquisa mostra que cidadãos do país não pensam no futuro


postado em 23/07/2017 12:10 / atualizado em 23/07/2017 12:17

Victor Mendes culpa a falta de estímulo familiar para guardar dinheiro(foto: Minervino Junior/CB/D.A. Press. )
Victor Mendes culpa a falta de estímulo familiar para guardar dinheiro (foto: Minervino Junior/CB/D.A. Press. )
Brasília – Nem os debates sobre a reforma da Previdência têm levado os brasileiros a pensar em garantir uma velhice tranquila. Seis em cada 10 cidadãos não se preparam para a aposentadoria. Essa realidade é ainda pior entre os mais jovens. No grupo com idade de 16 a 24 anos, oito em cada 10 não poupam para deixar de trabalhar sem ter uma queda na renda. Os dados fazem parte de levantamento realizado pelo Instituto Paraná Pesquisa, a pedido do Estado de Minas. No país das desigualdades, mesmo os mais escolarizados não fazem planos para o momento de deixar o mercado de trabalho. Entre os entrevistados que têm ensino superior, seis em cada 10 não fazem economia para usufruir durante a inatividade.


A pesquisa mostra poucas diferenças quando são analisadas as respostas por gênero. Pelo menos 63,2% dos homens não se preparam para a aposentadoria e 59,9% das mulheres não se preocupam com o assunto. A situação é mais alarmante entre os menos escolarizados. Entre os entrevistados com nível médio, 70% não fazem planos para a velhice. O percentual sobe para 75,6% entre as pessoas que cursaram apenas o ensino fundamental.

E engana-se quem pensa que o processo de envelhecimento da população brasileira demorará a ocorrer. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que, em 2030, o país terá 41,5 milhões de idosos, contra 14,2 milhões em 2000. E a faixa de jovens de 15 a 29 anos, que representava 28,2% da população, cairá para 21%.

Os incentivos ao consumo e a falta de estímulos familiares para poupar são apontados pelo estudante de economia Victor Hugo Mendes, de 24 anos, como principais barreiras para que ele se prepare para a aposentadoria. “Não sou um poupador, sou consumista. Também acho que não me preparo para a velhice porque não tenho um emprego fixo”, admite. Apesar disso, ele estagia em um banco e conhece os benefícios de participar de um plano de previdência privada.

O estudante está consciente de que, se não poupar, terá uma brutal queda de renda na aposentadoria. Interessado em concorrer a uma vaga no serviço público, sabe que, se for aprovado, precisará complementar a renda porque receberá como aposentadoria, no máximo, o teto do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), atualmente em R$ 5.531,31. “No banco, passei a ter contatos com previdência complementar, e a aberta pode ser uma das soluções, se mudar de ideia e quiser ficar na iniciativa privada”, explica.

PLANOS

Dados da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi) indicam que, atualmente, 13 milhões de brasileiros contrataram um dos dois planos oferecidos por bancos e seguradoras. São eles o Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL) e o Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL). A escolha entre eles deve levar em conta o modelo de declaração do Imposto de Renda (IR).

Conforme a entidade, o PGBL é indicado para quem declara o IR pelo formulário completo e contribui para a Previdência Social. Neste caso, o participante pode deduzir da base de cálculo do IR as contribuições feitas ao plano de previdência complementar até o limite de 12% da renda bruta anual. Já o VGBL é destinado àqueles que utilizam o formulário simplificado do IR ou não têm renda a declarar.

Em ambas as modalidades de planos, explica o especialista em Previdência Renato Follador, não há cobrança do IR a cada seis meses sobre os rendimentos obtidos, como ocorre em diversos tipos de aplicações. Além disso, ao contratar um PGBL ou um VGBL, o poupador opta pela tabela regressiva de IR. Na prática, quanto mais tempo os recursos permanecerem aplicados, menor será a alíquota incidente.


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