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Estado de Minas

Te­mer bar­ra importação de ca­fé do Vi­e­t­nã

Sob pres­são de ca­fei­cul­to­res e da ban­ca­da ru­ra­lis­ta no Con­gres­so, go­ver­no pre­fe­re sus­pen­der as compras do produto


postado em 23/02/2017 06:00 / atualizado em 23/02/2017 08:05

A decisão restringe a compra de 60 mil toneladas de café(foto: Marcos Michelin/EM/D.A Press)
A decisão restringe a compra de 60 mil toneladas de café (foto: Marcos Michelin/EM/D.A Press)

O pre­si­den­te Mi­chel Te­mer de­ci­diu sus­pen­der pro­vi­so­ri­a­men­te a im­por­ta­ção pe­lo Bra­sil de 60 mil to­ne­la­das de café. A sus­pen­são foi di­vul­ga­da nesta quarta-feira pe­lo Pla­nal­to, um dia de­pois de a Câ­ma­ra de Co­mér­cio Ex­te­ri­or (Ca­mex) – ór­gão li­ga­do ao Mi­nis­té­rio da In­dús­tria, Co­mér­cio Ex­te­ri­or e Ser­vi­ços – ter pu­bli­ca­do re­so­lu­ção au­to­ri­zan­do a im­por­ta­ção de 1 mi­lhão de sa­cas do grão da va­ri­e­da­de co­n­i­lon (usa­do prin­ci­pal­men­te pa­ra a pro­du­ção de ca­fé so­lú­vel) do Vi­e­t­nã, com re­du­ção dos im­pos­tos do Vietnã.

A me­di­da foi to­ma­da co­mo re­sul­ta­do de uma reu­ni­ão an­te­on­tem de pro­du­to­res de ca­fé e de re­pre­sen­tan­tes da ban­ca­da ru­ra­lis­ta com o mi­nis­tro da Se­cre­ta­ria de Go­ver­no, An­to­nio Im­bas­sahy, e tam­bém com o mi­nis­tro da In­dús­tria e Co­mér­cio Ex­te­ri­or, Mar­cos Pereira. A im­por­ta­ção foi con­du­zi­da pe­lo mi­nis­tro da Agri­cul­tu­ra, Blai­ro Ma­g­gi, mas de­sa­gra­dou pro­du­to­res ru­rais e foi al­vo de crí­ti­cas da Con­fe­de­ra­ção da Agri­cul­tu­ra e Pe­cu­á­ria do Bra­sil (CNA).

“Em reu­ni­ão com o pre­si­den­te, Im­bas­sahy ex­pres­sou a pre­o­cu­pa­ção dos par­la­men­ta­res e pro­du­to­res de café. Te­mer, de­ci­diu sus­pen­der pro­vi­so­ri­a­men­te a por­ta­ria pa­ra ana­li­sar a si­tu­a­ção jun­tos aos ór­gã­os com­pe­ten­tes”, dis­se a Se­cre­ta­ria de Go­ver­no, em nota. Em no­ta, a CNA ce­le­brou co­mo vi­tó­ria da agro­pe­cu­á­ria na­ci­o­nal a de­ci­são do pre­si­den­te Mi­chel Te­mer de sus­pen­der, em ca­rá­ter tem­po­rá­rio, a im­por­ta­ção de ca­fé conilon. Re­por­ta­gem do Es­ta­do de Mi­nas mos­trou na se­ma­na pas­sa­da a po­lê­mi­ca so­bre a im­por­ta­ção, ten­do em vis­ta que os ca­fei­cul­to­res têm ga­ran­ti­do ha­ver es­to­que su­fi­ci­en­te pa­ra aten­der à de­man­da da indústria.

O te­mor dos pro­du­to­res é que a im­por­ta­ção tra­ga pra­gas pa­ra a pro­du­ção lo­cal e abra es­pa­ço pa­ra a im­por­ta­ção de mais sa­cas, le­van­do à per­da de com­pe­ti­ti­vi­da­de pa­ra o do Bra­sil, mai­or pro­du­tor de ca­fé do mundo. Es­sa im­por­ta­ção – iné­di­ta na his­tó­ria da in­dús­tria ca­fe­ei­ra na­ci­o­nal – ti­nha por ob­je­ti­vo fa­vo­re­cer a in­dús­tria de ca­fé so­lú­vel que en­fren­ta o al­to pre­ço da sa­ca, cau­sa­da pe­la se­ca que as­so­lou prin­ci­pal­men­te o Es­pí­ri­to San­to, mai­or for­ne­ce­dor de co­n­i­lon do Brasil.

Na se­ma­na pas­sa­da, em no­ta, o go­ver­no de Mi­nas Ge­rais, mai­or pro­du­tor de ca­fé do país, tam­bém di­vul­gou no­ta con­de­nan­do a me­di­da e re­for­çan­do as crí­ti­cas dos produtores. “A Fren­te Par­la­men­tar do Ca­fé agra­de­ce es­se pas­so fun­da­men­tal do go­ver­no bra­si­lei­ro, fru­to de uma sen­si­bi­li­za­ção am­pla e de­mo­crá­ti­ca pro­mo­vi­da por pro­du­to­res, li­de­ran­ças, e que ga­nhou voz jun­to ao go­ver­no por meio dos par­la­men­ta­res com­pro­me­ti­dos com o se­tor da pro­du­ção”, afir­mou em no­ta o de­pu­ta­do fe­de­ral Car­los Me­l­les (DEM-MG), pre­si­den­te da frente.

Concorrência


A de­ci­são tam­bém foi co­me­mo­ra­da pe­la se­na­do­ra Ro­se de Frei­tas (PMDB-ES) que se dis­se pre­o­cu­pa­da com uma pos­sí­vel con­cor­rên­cia des­le­al no mer­ca­do de ca­fé, se o go­ver­no fe­de­ral re­to­mar a ideia de im­por­tar o grão do ti­po conilon. Pa­ra a se­na­do­ra, hou­ve um re­cuo pro­vi­só­rio, mas a in­ten­ção é que a pro­pos­ta não se­ja re­to­ma­da, uma vez que, se­gun­do ela, a com­pra no mer­ca­do ex­ter­no vai tra­zer gran­de pre­juí­zo aos pro­du­to­res nacionais.

“Es­sa po­lê­mi­ca foi cri­a­da por in­dús­tri­as que ale­gam es­cas­sez de ma­té­ria-pri­ma des­de a es­ti­a­gem que pre­ju­di­cou e mui­to os ca­fe­zais do Es­pí­ri­to Santo. Por ou­tro la­do, os pro­du­to­res bra­si­lei­ros sus­ten­tam que há uma pro­du­ção su­fi­ci­en­te pa­ra su­prir e aten­der a de­man­da”, afir­mou a senadora. A As­so­ci­a­ção Bra­si­lei­ra da In­dús­tria do Ca­fé (Abic) de­fen­de a importação.

Pa­ra o se­na­dor Val­dir Rau­pp (PMDB), de Ron­dô­nia, tam­bém gran­de pro­du­tor do grão ti­po co­n­i­lon, não há mo­ti­vos pa­ra o Bra­sil im­por­tar ca­fé se pro­duz 50 mi­lhõ­es de sa­cas ao ano e ex­por­ta mais de 30 milhões. Se­gun­do ele, so­men­te o anún­cio da au­to­ri­za­ção pa­ra a com­pra do ca­fé vi­e­t­na­mi­ta fez a sa­ca do ca­fé ron­do­ni­en­se, o quar­to mai­or pro­du­tor do país, ca­ir cer­ca de R$ 130. A pro­pos­ta do Mi­nis­té­rio da Agri­cul­tu­ra era de li­be­rar a im­por­ta­ção de 250 mil sa­cas por mês até o mon­tan­te de um mi­lhão com re­du­ção da alí­quo­ta de 10% pa­ra 2%. E ca­so a im­por­ta­ção su­pe­ras­se es­sa quan­ti­da­de de sa­cas, o im­pos­to pas­sa­ria pa­ra 35%.

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