
Minas Gerais voltou a enfrentar queda da atividade econômica no terceiro trimestre deste ano, depois dos sinais de estabilidade que haviam surgido de abril a junho. O estado encolheu 0,6% entre julho e setembro, na comparação com o trimestre anterior, marcado por ligeira variação de positiva de 0,1%, embora importante por dar sequência a cinco trimestres de retração. Os dados são resultado do Produto Interno Bruto (PIB, o conjunto da produção de bens e serviços de Minas), divulgado ontem pela Fundação João Pinheiro (FJP), de Belo Horizonte, e que foi influenciado pela redução intensa da produção da indústria e da construção civil.
Se confirmada a taxa estimada, ela será superior à estimativa para o Brasil, de 3,48% neste ano, com base nos relatórios de analistas de bancos e corretoras ouvidas pelo Banco Central. “Uma vez confirmada essa queda, ficaríamos em situação pior do que a do Brasil devido, principalmente, ao desempenho ruim do setor extrativo mineral, mais importante para a indústria mineira do que para a média nacional”, afirma Glauber Silveira.
De acordo com a Fundação João Pinheiro, a indústria extrativa mineral sofreu recuo de 14,6% neste ano, em consequência da paralisação das atividades da Samarco Mineração, depois do rompimento da barragem de minério de ferro de Fundão, em Mariana, na Região Central do estado – maior desastre ambiental ocorrido no país – e da redução do ritmo de atividade da mineradora Vale, que está aumentando sua produção em Carajás (PA), com a entrada em operação da reserva batizada de S11D. A mineração contribui com 6,1% do resultado da indústria no PIB de Minas, que, por sua vez, responde por 28,8% do total.
Na comparação com o terceiro trimestre de 2015, o desempenho do estado, de julho a setembro, ficou negativo em 1,9% e no acumulado do ano, frente aos nove primeiros meses do ano passado, a economia mineira encolheu 3,1%, ainda segundo o levantamento da fundação. A queda de 1% da indústria no terceiro trimestre reflete, em particular, a paralisação da mineração de ferro em Mariana e a má performance das fábricas de bens de capital (máquinas e equipamentos) e de automóveis.
O encolhimento da indústria mineira é observado em boa parte dos segmentos, incluindo a construção civil. “Há excesso de oferta e pouca demanda para o setor, porque as pessoas estão endividas, com a renda comprometida, e o desemprego é alto no país”, diz o pesquisador Glauber Silveira, também professor da escola de administração e negócios Ibmec.
