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Estado de Minas

Retração da economia pode ser maior em Minas

Com queda de 0,6% do PIB do estado no terceiro trimestre, taxa acumulada em 2016 deve ficar negativa em cerca de 3,7%


postado em 20/12/2016 06:00 / atualizado em 20/12/2016 07:34

Além do fraco desempenho da mineração, indústria afeta os resultados(foto: Jair Amaral/EM/D.A Press - 18/8/09)
Além do fraco desempenho da mineração, indústria afeta os resultados (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press - 18/8/09)

Minas Gerais voltou a enfrentar queda da atividade econômica no terceiro trimestre deste ano, depois dos sinais de estabilidade que haviam surgido de abril a junho. O estado encolheu 0,6% entre julho e setembro, na comparação com o trimestre anterior, marcado por ligeira variação de positiva de 0,1%, embora importante por dar sequência a cinco trimestres de retração. Os dados são resultado do Produto Interno Bruto (PIB, o conjunto da produção de bens e serviços de Minas), divulgado ontem pela Fundação João Pinheiro (FJP), de Belo Horizonte, e que foi influenciado pela redução intensa da produção da indústria e da construção civil.

O agronegócio também foi decisivo para a perda no terceiro trimestre, informou o pesquisador da FJP Glauber Silveira. O setor recuou 3,8% de julho a setembro em razão do fim da colheita em junho de oito grandes culturas desenvolvidas em Minas: milho, feijão, sorgo, trigo, banana, abacaxi, cebola e mandioca. A produção das lavouras de soja, peso-pesado da produção mineira, da mesma forma, foi toda colhida no primeiro semestre. Com o fechamento do trimestre até setembro, a expectativa para o balanço de 2016 é de retração de cerca de 3,7% do estado, devido, principalmente ao mau desempenho da extração de minerais e da indústria de transformação.

Se confirmada a taxa estimada, ela será superior à estimativa para o Brasil, de 3,48% neste ano, com base nos relatórios de analistas de bancos e corretoras ouvidas pelo Banco Central. “Uma vez confirmada essa queda, ficaríamos em situação pior do que a do Brasil devido, principalmente, ao desempenho ruim do setor extrativo mineral, mais importante para a indústria mineira do que para a média nacional”, afirma Glauber Silveira.

De acordo com a Fundação João Pinheiro, a indústria extrativa mineral sofreu recuo de 14,6% neste ano, em consequência da paralisação das atividades da Samarco Mineração, depois do rompimento da barragem de minério de ferro de Fundão, em Mariana, na Região Central do estado – maior desastre ambiental ocorrido no país – e da redução do ritmo de atividade da mineradora Vale, que está aumentando sua produção em Carajás (PA), com a entrada em operação da reserva batizada de S11D. A mineração contribui com 6,1% do resultado da indústria no PIB de Minas, que, por sua vez, responde por 28,8% do total.

Na comparação com o terceiro trimestre de 2015, o desempenho do estado, de julho a setembro, ficou negativo em 1,9% e no acumulado do ano, frente aos nove primeiros meses do ano passado, a economia mineira encolheu 3,1%, ainda segundo o levantamento da fundação. A queda de 1% da indústria no terceiro trimestre reflete, em particular, a paralisação da mineração de ferro em Mariana e a má performance das fábricas de bens de capital (máquinas e equipamentos) e de automóveis.

O encolhimento da indústria mineira é observado em boa parte dos segmentos, incluindo a construção civil. “Há excesso de oferta e pouca demanda para o setor, porque as pessoas estão endividas, com a renda comprometida, e o desemprego é alto no país”, diz o pesquisador Glauber Silveira, também professor da escola de administração e negócios Ibmec.


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