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Estado de Minas

Ataque do vira-cabeça dizima lavoura de alface na Região Metropolitana de BH

Perdas provocadas por vírus disseminado nas plantações de Minas Gerais passam de 80% da produção na Regio Central do estado. Com a praga, expectativa é de que hortaliças encareçam


postado em 13/12/2016 06:00 / atualizado em 13/12/2016 08:02

Manchas escuras estão entre as características da doença que está atacando as folhosas(foto: Anderson Maia/Divulgação)
Manchas escuras estão entre as características da doença que está atacando as folhosas (foto: Anderson Maia/Divulgação)

Um vírus transmitido pelo inseto tripes está, literalmente, virando a cabeça de agricultores do maior cinturão produtor de alface da região metropolitana de Belo Horizonte. Lavouras do município de Mário Campos, a 42 quilômetros da capital, estão sendo destruídas pelo vírus vira-cabeça. As perdas na cultura superam os 80% em algumas propriedades. A dificuldade de combater a doença já levou produtores a abandonar o plantio da verdura e a buscar alface fora de Minas Gerais. As projeções apontam que o vira-cabeça deverá elevar o preço do produto no início do ano. De acordo com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), Mário Campos responde por 30% do abastecimento de alface da Grande BH e, pelas projeções da empresa, houve perda de 40% na produção do município.

Agricultores começaram a sofrer com o vírus em 2014, mas o agravamento da seca, a partir do ano passado, aumentou ainda mais o problema. Isso porque a reprodução do inseto tripes é favorecida por temperatura alta e tempo seco.

 

Agricultores nunca viram tantos danos

 

As perdas provocadas pelo vírus microscópico causaram um rombo de R$ 300 mil no bolso do agricultor Genaro Damasceno, de 47 anos. Produtor de Mário Campos, ele teve uma perda de mais de 80% da produção e desde o ano passado luta para se livrar do inseto tripes, transmissor do vira-cabeça. Em 30 anos no ramo, o agricultor nunca viu problema tão grave. “Produzia 3 mil caixas de alface por mês. Agora, minha colheita foi reduzida para para 500 caixas”, conta.

Como alternativa para não deixar de atender seus clientes, Damasceno tem buscado o produto em São Paulo e no Rio de Janeiro. Sem sucesso com o uso de inseticida, ele deposita as esperanças na chuva. “Tomara que a chuva acabe com isso. É uma doença antiga, mas com a falta de chuva desenvolveu muito, o inseto ficou resistente e afetou muito a lavoura”, diz. Segundo o produtor, a caixa de alface na região subiu de R$ 15 para R$ 30. “Mas esse preço não paga a produção”, afirma.

Por causa da doença transmitida pelo tripes, há três meses, o agricultor Anderson Meireles Maia, de 45, parou de cultivar alface. “De dois anos para cá, só me dava prejuízo. Plantava e não colhia”, afirma o agricultor, assustado com o impacto na lavoura. Na plantação, agora, predomina cebolinha, salsinha, couve e brócolis. “Parei com alface por um tempo. Vamos ver se as coisas vão mudar e se tem um modo de combater o tripes com eficiência”, conta. Ele também tem comprado alface em São Paulo e revendido em Minas. “A alface crespa já passou de R$ 0,50 para R$ 1. Acho que, em janeiro, quando diminuir a produção em São Paulo, vai custar de R$ 2 a R$ 3”, diz.

Também produtor rural de Mário Campos, Alexandre Vagner de Freitas, de 40, foi outro vencido pelo “vira-cabeça”. A produção foi substituída por brócolis ninja e chuchu. “Ele (o vírus) virou minha cabeça e de muita gente. Acabou com tudo”, diz. A produção da verdura está parada desde o ano passado. “Fui em palestra, tentei remédio, mas plantava para colher 100 caixas e colhia 15. Vendia caro e mesmo assim não dava lucro”, reclama.

CONTROLE Desde 2014, a Emater-MG tem tentado auxiliar os produtores rurais no combate ao tripes. A doença atinge todos os tipos de alface e leva a planta a apresentar manchas escuras. O vírus também provoca distorção do pé e causa também, em alguns casos, a interrupção do crescimento da planta. A orientação é eliminar as plantas doentes imediatamente, assim como o mato e ervas daninhas ao redor das plantas. Em último caso, adota-se o inseticida para controlar o mosquito.

“O importante é eliminar as lavouras antigas. Porque se tem uma planta doente e tem o tripes, a doença vai eclodir. O policultivo (mesclar a produção de alface com outras culturas) também é fundamental”, afirma o coordenador técnico estadual de Holericultura da Emater-MG, Georgeton Silveira. Ele também recomenda a produção de mudas em viveiros com tela. Segundo o especialista, a doença atinge o sistema vascular da planta, que não consegue distribuir a seiva. Ele atribui o aumento da doença ao tempo seco, favorável ao desenvolvimento do tripes.


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