Brasília – Com uma valorização de 28% no ano, a Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa) se consolida acima dos 55 mil pontos, patamar superado na véspera pela primeira vez desde maio de 2015. Ontem, na oitava alta consecutiva, o Ibovespa, principal índice de lucratividade, subiu 0,18% aos 55.578 pontos. Foi o mais longo rali desde outubro do ano passado, quando se valorizou por nove pregões seguidos. Na semana, a bolsa paulista acumula ganhos de 4,6%.
Para Ivo Chermont, economista-chefe do Quantitas, o mercado brasileiro tende a manter a boa performance este ano, beneficiado por questões externas. “A economia mundial cresce um pouco, sem pressão inflacionária. Os maiores mercados estão com juros baixos e até negativo, isso aumenta o apetite ao risco”, analisou.
O especialista destacou que os Estados Unidos não conseguem elevar as taxas de juros e o Japão segue com medidas de estímulo fiscal. “A tendência é a bolsa ter um susto aqui, outro acolá, mas continuar subindo. Os riscos não estão fazendo os mercados entrarem em pânico”, ressaltou. Chermont lembrou que, com uma taxa média mundial tão baixa, os investidores estão olhando mais para os países emergentes. “O Brasil está se organizando e tem juros de mais de 14% ao ano. É um candidato óbvio diante do ambiente global”, reiterou.
Na opinião de Newton Rosa, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, na medida em que for confirmado o impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff, e o novo governo encaminhar reformas estruturais, mostrando que a economia vai começar a deixar o pior para trás, o Brasil oferece oportunidades muito boas. “Pode ser um bom ano”, estimou.
Rosa também acredita que o quadro internacional de liquidez e juros baixos tem muita influência no comportamento dos ativos de risco do Brasil. “Mas, no ambiente doméstico, há uma expectativa positiva em relação à política. Esse governo adota medidas fiscais que vão colocar a casa em ordem mesmo que não seja no curto prazo”, avaliou. Para o economista, o desempenho de commodities ajuda a explicar o fôlego. “Por enquanto, os ventos estão a favor. Os EUA postergando a decisão de juros e bancos centrais aumentando estímulos para enfrentar o Brexit”, assinalou.
GANHO EXTRA O economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, chamou a atenção para a alta da bolsa em dólares. “Em reais, a valorização é de 28,3% no ano, mas, em dólar, ela subiu 55,8% em 2016 por conta da liquidez internacional e de juros baixíssimos e negativos no mundo”, sustentou. Ele destacou que a taxa de juros para 40 anos praticada no Japão é de 0,19%. “Isso o investidor faz em quatro ou cinco dias em CDI no Brasil. É uma diferença significativa”, comparou.
Perfeito ainda explicou que motivos internos também estão conspirando à favor do Brasil. “Empresas como a Petrobras, com peso na Bolsa, se beneficiam da evolução do petróleo este ano. A commodity subiu 25% este ano. E houve uma alteração positiva na gestão da companhia”, sublinhou.
Enquanto isso...
...cautela para os próximos dias
Decisões da próxima semana mantiveram os investidores cautelosos ontem, o que conferiu volatilidade ao pregão da Bovespa. Há reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) no Brasil e também do Banco Central Europeu, que deve definir ações sobre o Brexit. Na segunda-feira, há vencimento de opções de ações, o que também gera instabilidade. O mercado ainda repercutiu as declarações do novo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), da base aliada, garantindo que pretende priorizar a agenda econômica.
Empresários estão mais confiantes
Brasília – Os empresários brasileiros estão mais confiantes. Prova disso foi que a confiança deles aumentou pelo terceiro mês consecutivo, de acordo com o índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), que chegou aos 47,3 pontos em julho, segundo divulgou a Confederação Nacional da Indústria (CNI). O novo patamar está 10,1 pontos acima dos 37,2 pontos registrados em julho de 2015. Mesmo assim, o indicador permanece abaixo da média histórica, de 54,3 pontos, e segue inferior à linha divisória de 50 pontos, que separa a percepção entre otimismo e pessimismo colhida entre os entrevistados.
A pesquisa mostrou ainda que a confiança é menor nas pequenas indústrias e maior nas empresas de grande porte. De acordo com os dados, o ICEI ficou em 44,7 pontos nas pequenas empresas e, nas grandes, em 48,8 pontos. Segundo o índice, o setor mais pessimista é a indústria da construção, com 44,4 pontos. Nas indústrias extrativas e de transformação, o indicador ficou em 48 pontos. “As perspectivas dos empresários para os próximos seis meses também melhoraram”, informou a confederação.
Para a instituição, o indicador de expectativas em relação à situação das empresas e da economia subiu para 52,3 pontos em julho, o que mostra otimismo dos industriais. O indicador de expectativas está acima da linha divisória dos 50 pontos e é 10,3 pontos superior aos 42 pontos registrados em julho do ano passado. “A recuperação da confiança dos empresários é condição fundamental, mas insuficiente para a reativação da atividade. É preciso criar também condições para que as expectativas se materializem na economia real”, afirmou o gerente-executivo de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco.
Na avaliação de Castelo Branco, além das medidas estruturais como o ajuste fiscal e a reforma da Previdência, a retomada do crescimento depende de ações que facilitem a operação das empresas no curto prazo. Entre as ações emergenciais, estão a melhoria das condições de acesso ao crédito e a ampliação do prazo de recolhimento dos impostos. A proposta da CNI é adequar os prazos de pagamento dos tributos ao calendário de recebimento das vendas pela indústria. Este mês o índice foi feito entre 1º e 13 de julho com 3.197 empresas. Dessas, 1.255 são de pequeno porte, 1.216 são médias e 726 são grandes.
