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Estado de Minas

Bolsa de Valores tem maior alta em 16 meses

Ações de estatais disparam com empate técnico indicado por pesquisa de 2º turno entre Dilma Rousseff e Aécio Neves


postado em 19/07/2014 06:00 / atualizado em 19/07/2014 06:47

Brasília – Enquanto no restante do mundo dominavam ontem as preocupações com o desenrolar da crise na Ucrânia e com o acirramento dos conflitos no Oriente Médio, os investidores no Brasil estavam voltados para as eleições presidenciais. A divulgação, na noite de quinta-feira, de uma pesquisa do instituto Datafolha indicando pela primeira vez empate técnico entre Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) em um provável segundo turno melhorou o humor dos analistas de bancos e corretoras, que não fazem questão de esconder a insatisfação com os indicadores da economia.

Após um dia de grande volume de negócios, o principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, o Ibovespa, influenciado basicamente pela repercussão da pesquisa eleitoral, subiu 2,7%, o maior patamar em 16 meses. A Bovespa atingiu 57.012 pontos. No pico do pregão, encostou em 3%. A compra e a venda de ações movimentou R$ 10,14 bilhões, 1,5 vezes mais do que a média diária de R$ 6,5 bilhões registrada em 2014, até aqui. Na semana, a alta chegou a 4,06% e no mês a 7,23%.

Desde quando começaram a surgir os primeiros números sobre as intenções de voto nas eleições de outubro, ficou clara uma associação que já virou jargão entre analistas: “Se Dilma cai, a Bolsa sobe”. Caso a presidente não se reeleja, especulam os investidores, as estatais passariam a ter menos ingerência política. Valeria a chamada economia de mercado, com menos intervenções do Estado nas empresas com capital aberto e, teoricamente, mais possibilidades de ganho.

É isso que ajuda a explicar a alta considerável de ações como as da Petrobras, cujo valor avançou 4,07% ontem. A expectativa de mais pesquisas apontando disputa acirrada entre Dilma e candidatos de oposição também fez disparar as ações da BM&Fbovespa: 5,81%. A pesquisa Datafolha e as apostas em mudanças mexeram também com o câmbio.

Com o mercado comprando mais ativos brasileiros, a moeda norte-americana fechou ontem em queda de 1% e voltou a valer menos de R$ 2,25. “É tudo especulação e ainda há uma euforia muito grande, claro. Mas existe fundamento por trás desses movimentos”, comenta Lucas Marins, analista da Ativa Corretora.

No mundo, após uma quinta-feira de mercado agitado com os desdobramentos da queda de um avião que transporta civis na fronteira da Rússia com a Ucrânia, os investidores reavaliaram a piora dos conflitos no leste europeu e o desempenho das bolsas foi um pouco melhor: o índice Dow Jones, por exemplo, subiu 0,73%. “Já no Brasil, o mais importante é a política econômica. É isso que preocupa o investidor”, reforça o professor do Ibmec/MG e mestre em ciência política, Diogo Costa.

Os movimentos abruptos na Bolsa, como os de ontem, exigem cautela, avalia o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito. É preciso esperar a concretização das expectativas, observa, para tomada de decisões mais firmes.

O cenário no mercado financeiro ficou também agitado com a divulgação do Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que registrou neste mês a quarta queda consecutiva, na comparação com o mês anterior. Em 46,4 pontos, o ICEI atingiu o menor valor da série histórica, iniciada em janeiro de 1999. O indicador varia de zero a 100 pontos, sendo que valores aima de 50 pontos significam confiança.


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