Brasília – Envolvidos ainda em decifrar todo o conteúdo dos discursos e das opiniões revelados pelo presidente em exercício Michel Temer e os ministros da área econômica, analistas de bancos e corretoras do mercado financeiro apostam em pelo menos dois novos pilares para que a economia brasileira reaja: o modelo de livre mercado praticamente sem intervenções no câmbio e suficiente prestígio do governo para promover avanços na agenda política. Na visão do mercado financeiro, Temer apresentou propostas radicais como há muito tempo não se observava no Planalto, para recuperar a confiança, os investimentos e o emprego.
Analistas políticos notam essa diferença em relação à gestão de Dilma Rousseff: não se trata só de indicações partidárias, mas de líderes das legendas, com grande ascendência, portanto, nas votações de projetos em plenário. Será um componente essencial para a aprovação de reformas que o governo busca.
Estão na lista a da Previdência, que deverá reduzir a tendência de crescimento da dívida pública; a flexibilização de leis trabalhistas, que deverá reduzir custos para empresas; e a uniformização das alíquotas do Impostos sobre a Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS), que pode acabar com a guerra fiscal, aumentar a arrecadação de estados e melhorar o ambiente de negócios.
Nesse novo modelo de livre mercado, intervenções cambiais estarão praticamente descartadas. Se o país reconquistar confiança internacional, como Temer espera, o efeito colateral poderá ser a valorização do real, o que poderia prejudicar as exportações, um dos grandes motores para a retomada do crescimento econômico. “Isso também resultará em recuo forte da inflação, e poderá ser compensado pela queda de juros”, nota Barroso. Com empréstimos mais baratos, os investimentos e o consumo devem crescer.
O economista Carlos Thadeu Filho, sócio da MacroAgro Consultoria, comenta que os desafios da equipe de Temer não são novos e há clareza sobre as medidas que precisam ser tomadas para que o país volte a crescer e gerar empregos. Na opinião dele, o governo deu sinais de que as políticas fiscal e monetária estarão alinhadas para reajustar as contas públicas e combater a inflação. “A variável-chave nessa equação é o nível de confiança de empresários e consumidores. Quando esses indicadores melhorarem teremos a certeza de que o país está no rumo correto”, destaca.
Thadeu afirma que não há no radar grandes instabilidades internacionais que possam complicar ainda mais o processo de recuperação da economia brasileira. “Tudo vai depender do que o governo conseguir tirar do papel. As escolhas para a equipe sinalizam mudanças, mas elas precisam se concretizar”, comenta.
Para o economista-chefe da INVX Global Partners, Eduardo Velho, “o mercado esperava um pouquinho mais”. Ele acha, porém, que as indicações são positivas. “Está correta a direção das medidas que eles pretendem tomar. Eu acho que esse governo vai surpreender os que esperam pouco dele”, avalia.
Marcos Mendes confirmado
O consultor legislativo do Senado Federal Marcos Mendes confirmou, em post do grupo Economia do Facebook, que vai participar da equipe de Henrique Meirelles no Ministério da Fazenda. Ele trabalhará como assessor do ministro. “Todos sabem que os desafios são enormes. Seria mais fácil ficar fora, mas acho que é hora de ajudar”, comentou. “Como dizem os jogadores de futebol: prometo dar tudo de ‘si’ e, se Deus quiser, ajudar o grupo a sair com bom resultado”, acrescenta Mendes. Meirelles prometeu anunciar amanhã sua equipe.
