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Estado de Minas

Alívio chega às represas, mas conta de luz ainda é alta

A despeito das chuvas, desligamento das termelétricas e da crise econômica, brasileiros continuarão pagando mais pelo insumo. Em Minas, reajuste da Cemig pode alcançar 12%


postado em 25/03/2016 06:00 / atualizado em 25/03/2016 07:30

Linhas de transmissão da Usina de Três Marias: em todo o país, o nível médio dos reservatórios voltou a 56% da capacidade(foto: Gladyston Rodrigues/EM/DA Press - 22/7/14)
Linhas de transmissão da Usina de Três Marias: em todo o país, o nível médio dos reservatórios voltou a 56% da capacidade (foto: Gladyston Rodrigues/EM/DA Press - 22/7/14)
A fraca atividade econômica, o paradeiro na indústria e a queda no consumo das famílias, aliados a um período chuvoso favorável, contribuíram para o nível de água dos reservatórios das usinas hidrelétricas, garantindo um ano de energia barata no atacado do Sudeste, mas que continua cara para o consumidor. Apesar de a oferta estar farta e os preços da energia praticados no chamado mercado de curto prazo estarem próximos ao piso, para o brasileiro 2016 ainda será um ano de aumento pesado na conta.


Especialistas do setor elétrico estimam que em Minas Gerais o reajuste dos preços, que vai ser anunciado em abril, deve encarecer a conta entre 8% e 12%, considerando-se a revisão das tarifas da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). A geração térmica continuará pesando na fatura, mesmo com a previsão da mudança no sistema de bandeiras tarifárias para a cor verde a partir do próximo mês.


Os custos da geração termelétrica de anos anteriores ainda repercutem em 2016, de acordo com os especialistas ouvidos pelo Estado de Minas. O empréstimo próximo de R$ 60 bilhões concedidos ao setor elétrico para custear a geração, pago em parcelas, vai representar aumento de custo das tarifas.


O nível dos reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste, responsável por 70% da geração no país, está acima de 56%. Para se ter ideia, em fevereiro do ano passado o subsistema mantinha percentual próximo a 18%, o que provocou o acionamento das termelétricas e um megarreajuste nas contas de energia dos consumidores, em média, de 51% em 2015, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).


Cerca de 25% da energia gerada no Brasil no ano passado teve origem na geração térmica. A partir de abril, mais usinas devem ser desligadas no país, mas como a meta do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) é chegar ao fim do período seco com 30% de armazenamento, o uso da energia mais cara ainda deve ser necessário. “Acredito que, no país, a geração térmica em 2016 deve ficar próxima a 20%”, calcula Juliana Marreco, especialista em planejamento energético e professora da escola de negócios e administração Ibmec.


O custo alto da energia em 2016 é explicado por uma combinação de fatores, segundo Eduardo Nery, diretor da consultoria em desenvolvimento sustentável Energy Choice. O executivo lembra que o atual nível do Rio São Francisco é crítico, próximo a 20%, afetando as usinas de Três Marias (MG), Sobradinho (BA) e Paulo Afonso (BA). A situação do Norte também é preocupante, tendo em vista a situação dos rios Tocantins e Madeira. “O Nordeste ainda não consegue fazer um balanço energético sem a geração térmica”, diz o consultor.


Nery explica que mesmo que contadas as sobras de energia no Sudeste, o cenário do setor elétrico se agrava no país e pressiona os custos. “As obras da usina de Belo Monte estão paradas há mais de 800 dias.” Ele ressalta que não foram construídos os sistemas de transmissão, o que fez o país ter que despachar térmicas a alto custo em 2014 e 2015, repercutindo nos preços pagos pelo consumidor, inclusive neste ano. “O parque eólico do Nordeste é outro problema. Está pronto há dois anos e não há linhas de transmissão. Estamos pagando por uma energia que não estamos usando. Não fosse isso, certamente o custo da energia poderia cair para o consumidor.


RECESSÃO No ano passado, a crise da economia, que demandou menos carga do setor elétrico, contribuiu para afastar a ameaça de um racionamento. A seca que transformou balneários como Furnas e Três Marias em paisagens desérticas, agravada pelo atraso na construção de linhas de transmissão, encareceu a energia para os consumidores brasileiros. A supertarifa provocou queda no consumo residencial de 2% o que não ocorria desde o racionamento, em 2001.
Já a produção da indústria, afetada pela crise no mercado interno e pela baixa demanda internacional, recuou 5,3%, o equivalente à potência de uma usina hidrelétrica com capacidade instalada de 2.200 megawatts (MW). Em fevereiro, os reservatórios das hidrelétricas de Três Marias, Furnas e Nova Ponte, em Minas, estavam, respectivamente, em 30,02%, 17,18% e 37,7%.


Com a recessão, os preços na região Centro-Sul estão no patamar do piso. “A energia está sendo comercializada no mercado de curto prazo a R$ 30 o megawatt/hora, Já no Nordeste, os preços praticados são de R$ 250/MWh”, compara Fábio Cuberos, diretor de Regulação da consultoria Safira Energia. Ele acredita que apesar da queda de preços, a média de reajustes em 2016 deve acompanhar o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M).


Walter Froés, diretor da CMU comercializadora de energia, diz que o forte despacho das térmicas no ano passado ainda vai pressionar os custos em 2016. “O reajuste da Cemig deve ficar entre 8% e 12%”, calcula o especialista. No Sul do país, o nível dos reservatórios é de 95%, mas a situação é preocupante no Norte e Nordeste, onde os reservatórios estão operando, na média, abaixo dos 50%.

PALAVRA DE ESPECIALISTA

Eduardo Nery, diretor da consultoria Energy Choice

Pura contradição

“O consumidor brasileiro vive uma contradição. Está sobrando energia no Sudeste, os preços estão baixos no mercado de curto prazo, mas o valor da energia paga pelo brasileiro é alto. Uma combinação de fatores explica o custo, como o despacho das térmicas e aumento nas tarifas para custear o empréstimo concedido ao setor. No entanto, este é um momento que poderia ser aproveitado para baixar custos para o brasileiro. Existem possibilidades que dependem de uma política de governo, que poderia ser definida logo depois do balanço energético feito em abril, no fim do período chuvoso. O Brasil poderia exportar um percentual de energia para a Argentina, que para fazer frente à seca está importando gás do Chile. Poderíamos, ainda, armazenar a energia nos reservatórios vazios para uso futuro o que também poderia aliviar a tarifa, ou ainda, permitir o uso subsidiado pelas empresas eletrointensivas, contribuindo para a volta da atividade e manutenção de empregos.”

Diques cheios em abril

São Paulo – O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) prevê volume de chuvas mais fraco em abril, mas, ainda assim, capaz de permitir a continuidade do movimento de recuperação do nível de água dos reservatórios em todo o Brasil. Em sua primeira previsão para o próximo mês, o órgão indica que a Energia Natural Afluente (ENA), indicador que dimensiona o volume de água nos reservatórios e a consequente geração de energia, ficará em 92% da média mensal no Sudeste/Centro-Oeste.

Confirmada tal projeção, o nível de armazenamento na região subirá dos 56,5% registrados ontem para 63,9% em 30 de abril.

O Sul do país seguirá com chuvas acima da média, pelas estimativas do ONS, que apontam o indicador ENA equivalente a 144% da média de longo termo (MLT) nesse mercado em abril. No Nordeste, o número previsto é de apenas 42% da média histórica e no Norte são esperados 56% da MLT. Com isso, o nível dos reservatórios do Sul seguiria acima de 90% da capacidade, em 92,3% ao fim de abril, ante os 95,98% anotados na última quarta-feira. No Nordeste, a taxa de utilização dos reservatórios alcançaria 37,9%, ante 33,89% na mesma base de comparação. No Norte, o número deve subir de 54,02% para 70,4% no fim do próximo mês.

MAIS DEMANDA O ONS prevê, também, aceleração do crescimento da demanda por energia, estimando aumento de 3,2% na carga em relação ao mesmo mês do ano passado. A projeção se segue a uma estimativa de expansão de 1,9% da carga em março, divulgada na semana passada. É esperado aumento da carga em todas as regiões, com maior intensidade no Norte (5,1%) e Sudeste/Centro-Oeste (4,2%), além de alta de 1,6% no Nordeste e de 0,4% no Sul.
(foto: Arte EM)
(foto: Arte EM)


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