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Estado de Minas

Minas Gerais tem queda de 4,9% do PIB, o pior resultado desde 2002

Dados do Monitor Fundação João Pinheiro demonstram que a retração foi maior do que a registrada para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, de 3,8%


postado em 23/03/2016 12:36 / atualizado em 23/03/2016 12:54

Minas Gerais teve uma queda de 4,9% no Produto Interno Bruto (PIB) em 2015. Os dados divulgados pela Fundação João Pinheiro mostram que a economia mineira teve desempenho abaixo da média nacional, que também sofreu retração de 3,8%. Foi registrada queda em 10 dos 11 setores de atividades econômicas do estado.

A queda foi puxada pela retração na indústria (-9,1%) e serviços (-2,85). “O setor de serviços reflete o que está acontecendo no país como um todo. É o reflexo do desaquecimento do mercado interno, que depende muito do consumo das famílias. Houve uma queda na massa de rendimento dos trabalhadores, seja pelo número de ocupados ter sido reduzido, seja pela redução do rendimento médio”, afirma o coordenador da área de estudos econômicos da Fundação João Pinheiro, Raimundo de Souza.

É o pior resultado desde o início da série histórica em 2002. “No ano passado a ficha caiu de que a crise é maior do que tinha sido imaginado. O mal desempenho não se deve só à economia. A crise política é a principal responsável pela queda do PIB”, completa Raimundo. A desaceleração da economia mineira vem desde o biênio 2011-2012.

O período de estiagem, verificado desde 2013, que levou os reservatórios a níveis críticos, e o rompimento da Barragem de Fundão em Mariana, em novembro, foram fatores que contribuíram para o desempenho negativo da economia mineira. O setor de eletricidade e saneamento teve queda de 12,2%. “Minas é a caixa d'água do Brasil, mas devido à seca dos últimos três anos, as usinas deixaram de produzir energia. Em vez de exportar, o estado teve que importar de outras regiões, como o Norte do país que continuou produzindo”, pontua Raimundo. A mineração que está entre os principais setores da indústria mineira sofreu o baque do rompimento da barragem. Enquanto a indústria extrativa brasileira (baseada na extração de petróleo) cresceu 4,9%, em Minas o setor despencou (-1,1%).

O pior resultado da indústria extrativa mineira foi registrado no quarto trimestre do ano – período posterior à tragédia que ocorreu em 5 de novembro. A queda do quarto trimestre em relação ao terceiro foi de 10,7. A falta de chuva, que impactou nos reservatórios, também foi um dos fatores que explicam o mau desempenho da agricultura. O café, açúcar e feijão que têm o maior peso no setor da agricultura mineira tiveram quedas, respectivamente de 1,4%, 2,9% e 11,1%.

O único setor da indústria mineira que apresentou crescimento foi de serviços imobiliários (1,8%), mas o bom desempenho não foi suficiente para frear a retração de outros setores.

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