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Estado de Minas

Mercado reduz a projeção do IPCA

Pela primeira vez neste ano, economistas e analistas reduzem expectativa de inflação de 7,62% para 7,57%


postado em 01/03/2016 06:00 / atualizado em 01/03/2016 07:59

Brasília – Depois de oito rodadas consecutivas de alta, o boletim Focus do Banco Central trouxe ontem a primeira queda das expectativas para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano. No documento divulgado durante a manhã pela instituição, a mediana das previsões para a inflação de 2016 apresentou baixa ao sair de 7,62% para 7,57%. Mesmo assim, segue distante do teto da meta deste ano, de 6,50%. O BC vem reforçando que continua trabalhando para evitar o índice extrapole esse patamar. Quatro semanas atrás, a mediana no Focus estava em 7,26%.  Entre as instituições que mais se aproximam do resultado efetivo do índice no médio prazo, denominadas Top 5, a mediana das expectativas também caiu, passando de 8,13% para 7,95% de uma semana para outra – um mês antes, estava em 7,79%.


De acordo com o último Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado em dezembro, o BC projeta que a inflação encerre este ano em 6,2% no cenário de referência e em 6,3% pelo de mercado. Para 2017, a estimativa da autoridade monetária está em 4,8% pelo cenário de referência e de 4,9% pelo de mercado. Na ata mais recente do Comitê de Política Monetária (Copom), a instituição informou que houve aumento desses porcentuais nos dois casos em ambos cenários.


As projeções do mercado financeiro para os preços administrados ficaram estáveis no boletim Focus. Vilões da inflação de 2015, ao subirem 18,07%, a expectativa agora é de que terão alta de 7,50% este ano. Quatro semanas atrás, a mediana estava em 7,70%. No caso de 2017, a mediana das expectativas permaneceu em 5,50% pela 12ª semana consecutiva. O BC conta com forte desinflação desse segmento este ano para levar o IPCA para o intervalo de 4,5% a 6,5%. A expectativa do BC é de que, apenas no primeiro semestre deste ano haja uma desinflação de 2 pontos porcentuais da inflação.


Se reduziu a perspectiva de inflação, o mercado não mudou a tendência em relação à perspectiva de desempenho para a economia neste ano. O Produto Interno Bruto (PIB) deste ano deve ter retração de 3,45%, de acordo com o boletim Focus. Na edição anterior do documento, a estimativa era de baixa de 3,40% e na de quatro semanas atrás, de recuo de 3,01%. Para 2017, foi mantida a expectativa de recuperação em 0,50%, após cinco semanas seguidas de redução – um mês atrás, a projeção era de crescimento de 0,70% da atividade.

Câmbio e juros

O boletim Focus mostra que os impactos das incertezas internacionais chegam ao país por meio da cotação do câmbio. Houve mudanças nas previsões para a variável em praticamente todas as abordagens feitas pelo BC no documento, ainda que de forma tênue. O documento aponta para um câmbio a R$ 4,35 no lugar da R$ 4,36 vista na semana passada. Em semana de reunião do Copom, analistas do mercado financeiro revisaram mais uma vez para baixo a projeção para a taxa básica de juros no fim do ano que vem. Pela quarta semana consecutiva, os economistas mantiveram as estimativas para a Selic em 2016 no boletim. De acordo com o levantamento realizado com aproximadamente 120 instituições, a taxa básica de juros permanecerá nos atuais 14,25% ao ano até o encerramento de 2016.

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