O mercado reage ao corte da nota brasileira pela agência de classificação de risco Moody's que retirou o selo de bom pagador internacional do Brasil. O anúncio foi feito na manhã desta quarta-feira. Na abertura dos negócios, o dólar comercial voltou ao patamar de R$ 4. Às 13h15, a moeda norte-americana subia 0,67% frente ao real, vendida a R$ 3,989, repetindo o movimento da véspera. Já a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera em forte queda. As ações da Petrobras caíam mais de 4% e as da Vale recuavam mais de 6%. No mesmo horário, o Ibovespa, principal indicador da bolsa brasileira, caía 2,68%, a 41.381 pontos.
A Moody's rebaixou o Brasil para Ba2, a segunda nota do grau especulativo. Entre as três maiores agências de classificação e risco, a Moody's era a única que ainda não tinha tirado o selo de bom pagador, que estava em Baa3, último nível do grau de investimento.
Além do rebaixamento, a agência colocou o país em perspectiva negativa, o que significa que pode reduzir ainda mais a classificação do país nos próximos meses. Segundo a Moodys, um dos motivos que levou ao rebaixamento foi a perspectiva de maior deterioração dos indicadores de dívida do Brasil, em um ambiente de baixo crescimento, com a dívida do governo provavelmente superior a 80% do Produto Interno Bruto (PIB), em três anos.
A agência também citou as dinâmicas políticas desafiadoras, que devem continuar dificultando esforços de consolidação fiscal e atrasando reformas estruturais.
De acordo com a agência, a perspectiva negativa contempla os riscos de deterioração adicional para o perfil de crédito do Brasil que emanando de choques macroeconômicos e de disfunção política mais profunda.
No último dia 17, a agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P) voltou a rebaixar o país, cinco meses após retirar o selo de bom pagador do Brasil. A nota foi reduzida de BB+ para BB. A agência concedeu ainda perspectiva negativa.
A S&P tinha sido a primeira a retirar o grau de investimento em setembro do ano passado. Em dezembro, a Fitch seguiu a decisão. (Com agências)
