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Estado de Minas

Sem dinheiro, obras ficam inacabadas em Minas


postado em 21/02/2016 06:00 / atualizado em 23/02/2016 17:05

Com a escassez de recursos financeiros, obras foram abandonadas, incluindo a da futura cidade administrativa de Jeceaba, que já consumiu R$ 11 milhões. Mato toma conta do local(foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)
Com a escassez de recursos financeiros, obras foram abandonadas, incluindo a da futura cidade administrativa de Jeceaba, que já consumiu R$ 11 milhões. Mato toma conta do local (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)
Na pequena Jeceaba, o mais novo ingrediente de apreensão depois da interrupção das atividades da usina dos grupos Vallourec e Sumitomo Metals durante dois meses no ano passado foi o anúncio da reestruturação dos negócios do grupo francês. A empresa decidiu concentrar suas atividades no município, com a desativação prevista nos próximos três anos de parte das operações da usina Barreiro (antiga Manesmann), em Belo Horizonte. Preocupado, o prefeito Fábio Vasconcelos (PDT) está, no entanto, convencido de que a cidade é prioritária na estratégia da multinacional.

“Na medida em que a economia começar a melhorar, Jeceaba tem perspectivas. Se a empresa fechasse, quebraria o município”, afirma o prefeito. A crise na indústria siderúrgica, que afetou o ritmo de produção da fábrica, impôs tempos difíceis. A receita do Imposto sobre Serviços (ISS), que havia alcançado R$ 3,6 milhões por mês, desceu a R$ 1,1 milhão por mês no ano passado. Com o recuo geral da arrecadação do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) no estado, é esperada uma diminuição de 40% do repasse ao município neste ano.

Retrato das dificuldades, as obras do centro administrativo da prefeitura, no Bairro Camapuã, iniciadas na gestão passada, quando o prefeito era Júlio César Reis pelo PT, foram paralisadas e o mato invade a área em meio ao abandono, servindo de pasto e abrigo de animais. O projeto consumiu R$ 11 milhões, de acordo com o prefeito, que tem priorizado investimentos em educação e saúde. “É torcer para a crise passar logo”, afirma Vasconcelos.

É também o que esperam empreendedores locais, a exemplo de Daniel Augusto de Souza Pereira. Há cerca de dois anos, ele abriu a academia de ginástica OneFit, que sofreu o abalo em 2015. A demanda pelos serviços caiu a um ponto de levar Daniel a vender o carro para continuar pagando o aluguel do imóvel onde o negócio foi instalado. Como reação, os serviços foram ampliados para aulas coletivas de artes marciais e danças. “Agora estabilizamos, mas ainda estamos na luta”, afirma.

SOBREVIVÊNCIA Com a desaceleração dos projetos da Vale, a receita de São Gonçalo do Rio Abaixo encolheu 30% no ano passado, freando o ciclo de quase 10 anos de expansão. A família de Leandro Amora, dono do Supermercado Amora, começou o negócio com um pequeno armazém, há 33 anos, e, como a cidade, prosperou. Ele chegou a ser eleito empreendedor do ano. A crise de demanda e preços do minério de ferro que afetou a Vale, no entanto, fez a receita municipal encolher 18% desde o segundo trimestre de 2015 e pegou o comerciante em meio a uma ampliação. A inadimplência dos clientes no cheque dobrou, chegou a 30% e fez Leandro desistir de aceitar a moeda. “O problema de nossa economia é que somos dependentes do que uma única empresa produz. Se ela vai bem, estamos bem, se entra em crise, nós sofremos”, avalia.


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