
Dos 25 setores analisados apenas dois apresentaram resultados positivos no comparativo com igual mês do ano anterior (fabricação de produtos alimentícios e de bebidas). Trata-se da vigésima primeira taxa negativa nesse tipo de comparação. A maior queda é do setor de fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias. O grupo teve queda de 35,3% em novembro.
Em novembro, o setor de automóveis apresentou alta de 1,3% na produção no comparativo com outubro, mas a análise do IBGE é que se trata de um crescimento verificado sobre uma base muito baixa tendo em consideração as férias coletivas e as suspensões temporárias adotadas pelas montadoras. Segundo números da Anfavea divulgados ontem, a produção de veículos da indústria automotiva recuou a patamar semelhante ao de 2006. No ano passado, foram produzidos 2,42 milhões de unidades contra 3,14 milhões em 2014.
“Este ano não foi positivo. As questões políticas influenciaram em demasia a confiança do consumidor e contaminaram a economia de maneira forte”, disse o presidente da entidade, Luiz Moan. A consequência direta da retração do setor foi o fechamento de 10,2% das vagas de trabalho das montadoras. Ao todo, 14,7 mil postos foram fechados no comparativo entre dezembro de 2014 e de 2015.
O recuo no setor industrial não é algo pontual de novembro. Em 12 meses, a queda é de 7,7%. Neste tipo de comparação, apenas a indústria extrativa e a de fabricação de produtos de minerais não-metálicos apresentaram alta. Os demais segmentos recuaram. A maior retração é na fabricação de equipamentos de informática e produtos eletrônicos (-29,3%). Mas no caso da indústria extrativa o acidente da Samarco deve ter impacto sobre o indicador de dezembro.
O economista da Fiemg, Sérgio Guerra, afirma que o resultado da produção de novembro é pior que o esperado, o que força a entidade a rever a projeção do Produto Interno Bruto (PIB) para 2015. A expectativa inicial era queda de 4,1% e de 7,9% para a indústria, mas os números devem ser ainda piores. Com forte peso da indústria extrativa na produção industrial mineira, o recuo do indicador no estado deve ser bastante acentuado pelo desastre de Mariana. Com isso, é esperado recuo ainda maior nos números de Minas. Além da tragédia com a barragem, a baixa produção da indústria automotiva também impacta os resultados mineiros.
Retomada difícil Com o resultado negativo do setor de máquinas e equipamentos, considerado termômetro para investimentos, a expectativa é por demora ainda na retomada do crescimento. Em sete dos 11 meses fechados de 2015, o setor apresentou números negativos ante o mês anterior, o que indica a falta de confiança do empresariado para retomar o crescimento. “O grande problema é a falta de governabilidade, que gera incerteza muito grande. A menos que isso mude, não é de se esperar a retomada da confiança”, afirma Guerra. Diz ele que apenas uma trégua no caos político poderia induzir a retomada dos investimentos e, por consequência, do crescimento da economia.
E, para fechar o ciclo negativo, sob os impactos de notícias ruins dia a dia, os consumidores também têm apresentado baixa confiança. Segundo o gerente da Coordenação de Indústria do IBGE, André Macedo, o consumo de bens duráveis têm recuado. “Na base disso, além do baixo nível de confiança do consumidor, que mostra que ele tem dúvida sobre realizar aquele investimento, tem o crédito mais caro e mais escasso afetando de maneira importante essa categoria econômica”, afirma, ressaltando que os números do mercado de trabalho também contribuem negativamente. (Com agências)

