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Estado de Minas O NATAL DA DESILUSÃO

Com crise, lojistas de BH projetam primeiro Natal com queda nas vendas desde 2008

Pesquisa mostra que consumidor vai gastar menos, optando por presente de menor valor


postado em 03/12/2015 06:00 / atualizado em 03/12/2015 07:21

Três em cada quatro empresários do comércio da capital mineira projetam vendas piores no Natal deste ano em relação a 2014. Com isso, a projeção da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH) é de retração de 2,15% das vendas de dezembro, o que pode significar a primeira retração no período pelo menos desde 2008. O resultado esperado é reflexo da combinação de inflação e desemprego em patamares elevados e da crise político-econômica, dizem os lojistas.

No outro lado da ponta, dois em cada três consumidores indicam que vão consumir menos no Natal deste ano, enquanto 16,7% afirmam que pretendem consumir mais. O restante manterá o padrão do ano passado. A justificativa é praticamente a mesma dada pelos empresários – inflação, desemprego e crise política, além da falta de dinheiro.


O presidente da CDL-BH, Bruno Falci, chama atenção para a pergunta feita aos empresários sobre as metas para 2016: 73,7% dos entrevistados responderam não ter nenhuma meta. “Estamos em uma crise de confiança. O consumidor que tem dinheiro no bolso não compra porque não sabe o dia de amanhã. As pessoas estão desiludidas, descrentes, não conseguem pensar a longo prazo”, afirma Falci.

Falta de confiança retratada na expectativa de tíquete médio por parte dos empresários. Segundo a pesquisa, neste ano o valor médio dos presentes deve ser de R$ 88,56, enquanto um ano antes foi de R$ 195,13, recuo de 55,62%. Além do valor médio para cada presente ser menor, o número de pessoas presenteadas também deve ser menor. Neste ano, serão quatro presentes, enquanto no último Natal foram seis. Com esse valor disponível, as roupas devem ser o principal presente da lista do Papai Noel em 64,1% dos casos.


O ritmo de expansão do comércio na capital mineira vem em desaceleração desde 2013. Se concretizada a projeção para as vendas de dezembro deste ano, os valores negociados serão próximos aos registrados em 2013 e 2,15% inferiores ao do ano passado. “Falar de juros, de impostos, de mão de obra, sempre falamos. Mas agora a parte econômica está colada à política. A gestão política está afetando os negócios”, afirma Falci. Ele ressalta que a virada na economia se dará somente depois de ser dada uma solução para o lado político. “Em primeiro lugar, é preciso resolver o problema político”, afirma.

A situação é ainda mais crítica ao se observar o volume de encomendas feitas pelos lojistas. Quase um terço dos entrevistados diz ter estoque maior para o Natal de 2015, apesar de as vendas projetadas serem bastante inferiores. Segundo Falci, isso se dá porque as encomendas foram feitas em período em que a crise econômica era menos aguda. A consequência “provável” é o encalhe de mercadorias e o fechamento de empresas.

Na tentativa de incentivar as vendas natalinas, a CDL-BH organiza neste ano a campanha Natal de prêmios. Os consumidores que comprarem mais de R$ 70 em uma das mais de 1 mil empresas participantes vão concorrer a prêmios, incluindo um carro zero.


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