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Estado de Minas

Postos aceleram o aumento da gasolina

No mesmo dia do reajuste de 6% nas refinarias, alta chegou a até 8,8% nas bombas de Belo Horizonte. Pela manhã, motoristas tentaram fugir dos preços mais altos. Álcool também subiu


postado em 01/10/2015 06:00 / atualizado em 01/10/2015 07:23

No posto Duas Pátrias, a manutenção do valor atraiu motoristas nessa quarta-feira(foto: Fotos: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
No posto Duas Pátrias, a manutenção do valor atraiu motoristas nessa quarta-feira (foto: Fotos: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)

Menos de 24 horas depois de a Petrobras anunciar o aumento dos preços de seus combustíveis nas refinarias, postos de Belo Horizonte alteraram os valores na bomba num percentual bem acima dos 6% aplicados pela estatal para a gasolina. Em locais conhecidos por motoristas preços mais competitivos, como a Via Expressa, a alta foi de até 8,8%, passando de R$ 3,15 para R$ 3,43 o litro da gasolina. Postos que ainda não aplicaram o reajuste informaram que, até o fim desta semana haverá novos preços em suas bombas, podendo, chegar, inclusive, a R$ 3,92 o litro em um posto da Zona Sul. Até mesmo o etanol está mais caro, em alguns locais, o motorista vai pagar 10% a mais do que pagava na semana passada.

O reajuste de 6% para gasolina e 4% para o óleo diesel foi anunciado pela Petrobras na noite de terça-feira e entrou em vigor ontem nas refinarias. Pela manhã, motoristas fizeram filas nos postos de Belo Horizonte e de outras cidades brasileiras numa tentativa de escapar do aumento. Mas quem apostou que levaria alguns dias para o reajuste chegar nas bombas dos postos em BH, levou susto e reclamou. No início do dia, motoristas tiveram que buscar os locais que mantiveram os preços e enfrentar filas. No posto Pio XII, por exemplo, no Santo Agostinho, a gasolina, ontem, estava a R$ 3,15, mas, a partir de hoje, estará acima de R$ 3,40. “Dei sorte, mas tive que procurar para encontrar o combustível mais barato”, comentou a professora de Educação Física, Maria das Graças Mucida, achando um absurdo os preços reajustados.

De acordo com dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o valor médio da gasolina em Minas Gerais, antes do reajuste, era de R$ 3,24, sendo assim, caso o percentual de 6% fosse aplicado integralmente, o litro do combustível poderia ter um acréscimo de até R$ 0,21 na bomba. O aumento é livre e o repasse é decisão dos empresários. No Posto Picapau, na Via Expressa, por exemplo, o aumento foi de 8,8%, passando de R$ 3,15 para R$ 3,43, ou R$ 0,28 a mais para a gasolina. O local, sempre cheio de motoristas por ser considerado com melhor preço, ontem, estava com pouco movimento. “Está um absurdo, por isso, vou colocar só R$ 50. Amanhã (hoje) passarei a andar só de moto e deixar o carro em casa”, comentou o empresário Jansen Fiqueira Mendes.

No posto Pica Pau, a elevação de quase 9% afugentou os clientes, que sempre lotam o local por causa do combustível barato
No posto Pica Pau, a elevação de quase 9% afugentou os clientes, que sempre lotam o local por causa do combustível barato

Um dos maiores preços na cidade ainda estar por vir. No posto Xuá, na altura do Bairro Santa Lúcia, o valor do litro de gasolina não sofreu reajuste e, atualmente, custa R$ 3,699. No entanto, de acordo com o gerente Edson Alves da Silva, é possível que o litro do combustível chegue a R$ 3, 92. “Não tem como não reajustar. Vamos esperar a concorrência para ver em quanto será o aumento”, garantiu o gerente, acrescentando que o público que ali abastece pertence às classes mais altas e procura qualidade.

Reclamação
A engenheira Ana Paula Colombina abasteceu, ontem, com a gasolina a R$ 3,69 e não sabe o que fazer se ela chegar a R$ 3,92. “É um absurdo. Preciso do carro, porque moro em Nova Lima, na Grande BH, e levo meus filhos para as escolas aqui em BH. O transporte público é ruim”, reclamou, dizendo gastar cerca R$ 1 mil por mês só com gasolina. “Se vivêssemos em uma cidade onde o metrô funcionasse e houvesse segurança, não me importaria de deixar o carro em casa. Mas não temos isso. Com esses valores, não sei o que será de nós”, afirmou.

Em São Paulo, o Sindicato dos Donos de Postos de São Paulo (Sincopreto) informou ontem que o repasse do reajuste autorizado pela Petrobras será de, no mínimo, R$ 0,17 por litro. Em Minas, o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de Minas Gerais (Minaspetro) não forneceu nenhum representante para comentar o assunto.

Por meio de nota, o Minaspetro informou que o mercado de combustíveis é completamente livre. “O sindicato não orienta as empresas associadas sobre se devem ou não repassar aumentos ou diminuições de preços das distribuidoras, tão pouco, a partir de quando deve ser repassado. Não opina e nem interfere em questões relacionadas a preços de combustíveis. E preza pela livre concorrência e pela livre iniciativa e repudia qualquer prática contrária a tais valores”, diz o texto.

Diesel e etanol estão mais caros

Além do reajuste no preço da gasolina, houve o repasse de 4% no óleo diesel e também nesse caso os postos de Belo Horizonte repassaram automaticamente o aumento aplicado nas refinarias. Em alguns locais, o litro passou de R$ 2,85 para R$ 2,97. Na maioria das revendas, o aumento ficou na média de 4%. Na semana passada, o valor do etanol também, subiu em Minas Gerais e em postos pesquisados pelo Estado de Minas, o litro sofreu alta de 11%, como no posto Picapau, na Via Expressa, onde o litro de etanol soltou de R$ 1,99 para R$ 2,21.

Na avaliação do presidente da Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig), Mário Ferreira Campos Filho, o aumento na gasolina é uma boa notícia para o segmento de etanol. “Auxilia o setor a ter mais competitividade, porém, por outro lado, o aumento do diesel eleva no nosso custo de produção já que usamos o combustível no transporte de cana e nas colhedoras de cana. Apesar disso, na balança, o efeito da competitividade é maior que o aumento dos nossos custos”, compara.

Ele explica que a alta no valor do álcool nas bombas é uma questão de mercado. “Desde abril, vínhamos vendendo no etanol abaixo do preço comercializado no ano passado, quando não tínhamos competitividade. Agora, houve uma inversão nas expectativas e as empresas fizeram essa correção nos preços, o que é uma boa notícia. O setor precisa recupera e vai continuar competitivo”, aposta.

A alta da gasolina nas refinarias pressionau o valor do etanol hidratado nas usinas paulistas, que fechou o dia com alta de 7,05%, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/USP). De acordo com o indicador diário, o litro do combustível renovável foi negociado ontem, em média, a R$ 1,3895. Com o aumento, a alta acumulada apenas esta semana já chega a 12,7% ou a R$ 0,157 por litro.

Segundo o Cepea, como o preço do etanol é competitivo economicamente até 70% do valor cobrado pela gasolina nas bombas, a alta no combustível de petróleo puxou o aumento no preço do álcool. Outro fator de pressão no preço do etanol são as chuvas no Centro-Sul que interromperam a colheita da cana-de-açúcar e prejudicaram a fabricação do combustível em regiões tradicionais, limitando assim a oferta. (LE)

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