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Estado de Minas NEGÓCIOS

Salões especializados e com atendimento express ganham espaço em BH

Padronização, especialização e gestão começam a ser vistos em atividades relacionadas com a estética. Com os novos processos, empreendedores garantem mais eficiência para a clientela


postado em 17/08/2015 06:00 / atualizado em 17/08/2015 07:45

Qeyty Rozana, especialista em coloração, diz que é importante se qualificar para fidelizar as clientes(foto: Beto Novaes/EM/D.A Press)
Qeyty Rozana, especialista em coloração, diz que é importante se qualificar para fidelizar as clientes (foto: Beto Novaes/EM/D.A Press)

O ponto é estratégico, fica às margens de uma das avenidas mais movimentadas da capital mineira, a Cristiano Machado. É em frente à estação do metrô que funciona uma das unidades de uma rede de salões voltada para mulheres que têm orgulho dos cabelos cacheados. O trabalho dos funcionários lembra uma linha de produção industrial, que segue à risca os princípios de padronização.

Logo cedo é grande o movimento de clientes que moram ou que trabalham na região. A maioria é gente que, pelo menos uma vez por semana, separa uma hora do dia para se cuidar. “O sistema otimiza tempo e custo, sem pecar na qualidade”, resume a administradora e sócia do Instituto Beleza Natural, Leila Velez, que buscou inspiração nos tempos em que trabalhava na linha de montagem de sanduíches do Mc Donald's. Vinte e dois anos depois do início das atividades, a marca planeja chegar a R$ 1,2 bilhão de faturamento até 2017.

O modelo de negócio, adaptado ao conceito express e com preços convidativos, tem, aos poucos, ganhado espaço no país e no mercado mineiro. Trata-se de um fenômeno recente ainda pouco explorado, mas que já engrossa as estatísticas de um setor que sente pouco os efeitos da crise econômica. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal Perfumaria Cosméticos (Abihpec), o mercado de beleza no Brasil cresce entre 10% e 15% todos os anos e gera mais de 5 milhões de oportunidades de trabalho, números positivos para uma economia que não se encontra em seu melhor momento. De acordo com dados da associação, o mercado da beleza movimentou mais de R$ 100 bilhões em 2014, 11% a mais que em 2013. Consequentemente, a concorrência fica mais acirrada, o que promove a abertura de estabelecimentos especializados em determinados tipo de serviço. “Conseguimos nos especializar e fidelizar as clientes”, disse Qeyty Rozana, profissional de coloração há um ano e meio.

"A mulher de hoje não tem tempo para perder horas no salão, diz Pedro Ribeiro, gerente de produção da unidade Funcionários da Socila (foto: Beto Novaes/EM/D.A Press)
Para especialistas, ganha o empreendedor – que sai na frente em eficiência operacional – e o consumidor, beneficiado pelo tempo menor e qualidade maior. De acordo com Rogério Campos Meira, diretor-executivo da Academia Tecnológica de Sistemas de Gestão (ATSG), algumas empresas, especialmente as do ramo de serviços, ainda desconhecem o valor que a padronização somada à personalização tem para a qualidade de um sistema de gestão eficiente. “Somos avessos a padrões e ainda engatinhamos em relação a outros países quando falamos de padronização”, diz. Segundo ele, “a chave do sucesso é não pesar os dois extremos”.

• TOQUES FEMININOS

Boa parte da expansão dos novos centros de beleza no país se deve ao aumento da participação ativa da mulher na renda familiar. De maneira geral, 40,9% do rendimento é contribuição delas. Em 2012, o crescimento da renda média das mulheres foi de 12%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Andréia Torres aproveita a hora do almoço para hidratar o cabelo(foto: Beto Novaes/EM/D.A Press)
Andréia Torres aproveita a hora do almoço para hidratar o cabelo (foto: Beto Novaes/EM/D.A Press)
“A mulher de hoje não tem tempo para perder horas no salão. Ela trabalha, tem filhos e quer um tempo para cuidar de si”, reforça Pedro Ribeiro, gerente de produção da unidade Funcionários da rede de franquias Socila. Lá, o ambiente é criado especialmente para as clientes com pouco tempo disponível, exemplo da psicóloga Andréia Torres, que aproveita a hora do almoço para hidratar e escovar as madeixas. “Estou perto do serviço, não preciso reservar um horário com antecedência e os preços são acessíveis”, diz a cliente.

Pensar em investir em serviços especializados pode ser uma estratégia vantajosa e uma oportunidade, avalia a analista de marketing do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Andressa Cândido. No entanto, o empreendedor precisa buscar um diferencial e atender uma necessidade que ainda não foi suprida. “Os nichos de mercado são formados por consumidores que são mais exigentes, o que exige uma compreensão sobre o público”, explica.

Segundo a especialista, determinados riscos são menores quando se direciona a prestação de serviço para apenas um segmento, mas não basta o empreendedor se especializar numa área em que não há consonância com o público da região, por exemplo. Andressa lembra que, por falta de planejamento, a maioria das empresas fecha as portas em dois anos. “Na atual conjuntura econômica, o mercado tende a ficar mais difícil, mas mesmo em tempos de crise, o dinheiro corre, mas de forma criteriosa”, alerta.

VAIDOSOS
Foi com a escolha de um nicho que o jovem Lucas Amoroso, de 25 anos, apostou na criação de um site especializado na comercialização de produtos de beleza masculinos, cujo faturamento para o fim deste ano é estimado em R$ 20 milhões. O sócio-fundador e outros três amigos são proprietários do Men’s Market, loja on-line que faturou cerca de R$ 7 milhões em 2014. O empresário conta que a base do negócio surgiu com a vendas de cremes pelo site Mercado Livre. “Foi o primeiro passo em direção a um mercado pouco explorado de forma aceitável”, disse. Os produtos mais vendidos são os voltados para cabelo e barba. No entanto, itens até então ousados para o universo masculino começam a ganhar espaço, como o gel redutor de medidas para o abdome, tintura e maquiagem. “São as nossas linhas mais recentes apostas, mas ainda existem barreiras”, conta.

O avanço do mercado da beleza também deu escala aos negócios da empresária Flávia Machado, proprietária de uma das unidades Não+Pêlo, franquia especializada em fotodepilação, no Bairro Ouro Preto, na capital. Bancária há 14 anos, ela resolveu mudar de ramo e montou o próprio negócio em março de 2012. De lá pra cá, ela colhe os frutos de um mercado em expansão.


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