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Estado de Minas POLÊMICA CERCA PROGRAMA

Empresários do San Pedro Valley criticam proposta do estado para o setor e pedem a volta do Seed

Secretaria minimiza desgaste e defende bases do Minas Digital


postado em 30/07/2015 00:12 / atualizado em 30/07/2015 07:26

(foto: Beto Magalhães/EM/D.A Press)
(foto: Beto Magalhães/EM/D.A Press)

O programa Minas Digital, apresentado na última segunda-feira pelo governador Fernando Pimentel, causou polêmica junto a 200 empreendedores digitais em Belo Horizonte. Com o discurso de transformar Minas em uma referência mundial no campo da inovação e educação tecnológica, o governador desagradou os empresários ao dizer que pretende colocar em um mesmo espaço as empresas do chamado San Pedro Valley, e também ao anunciar que algumas startups terão 20% do seu capital comprado pelo estado. Segundo empresários, a iniciativa compromete o crescimento das empresas e demonstra desconhecimento do governo sobre o ramo. Por outro lado, o governo aponta a importância do programa e rebate as críticas, definindo-as como mal-entendido.

Ontem, os 200 empreeendedores que fazem parte da comunidade San Pedro Valley, divulgaram nota de repúdio à declaração do governador, alegando que a comunidade vai permanecer “independente, e não será controlada por nenhuma entidade, partido, coligação ou interesse político de direita, esquerda, centro, situação ou oposição”, diz o texto. A San Pedro Valley foi criada em 2011, durante encontros informais dos empreendedores de quatro startups. Surgiu como uma brincadeira entre os empreendedores que atuavam no Bairro Saõ Pedro, na Região Centro-Sul da capital, em referência ao Vale do Silício, nos Estados Unidos, e se tornou exemplo para empresas de base tecnológica de BH e também do país. “Não somos uma única empresa, são mais de 200. E ele quer nos colocar em uma escola? É uma comunidade que está crescendo independente, e todos estão trabalhando idependentemente do estado”, afirma Matt Montenegro, fundador da startup Barba Ruiva.

A crítica veio porque o governador disse que criaria um hub (espaço destinado à instalação de novas empresas de tecnologia que será replicado em todo o estado) na escola Milton Campos, e que ele iria abrigar as empresas que formam a San Pedro Valley. “É como o Vale do Silício em um bairro. É impossível”, comenta Victor Peçanha, fundador da RockContent. Segundo Matt, a área de tecnologia do estado deveria ter mais investimento. “Fomentar o setor é interessante, mas é preciso que o governo faça com que a internet chegue a todos, melhore as escolas públicas e ensine tecnologia nas salas de aula. Daqui a dois anos, não teremos mão de obra qualificada para o segmento em BH”, aponta. Uma outra crítica é que o governo fechou as portas do Seed (Startups and Entrepreneurship Ecosystem Development), programa de apoio a startups criado pela gestão anterior, em 2013. “O governo se prontificou a chamar o San Pedro Valley para participar do processo da construção do novo Seed, o que se daria em diversas atividades, como discussões sobre o formato do programa para a preparação de um novo edital. Já se passaram vários meses desde a última conversa e nada de concreto aconteceu”, diz o texto.

Além disso, de acordo com Victor Peçanha, ao anunciar a compra de 20% do capital de uma startup, o governo demonstrou desconhecimento sobre o funcionamento de uma empresa no ramo. “Uma empresa que tem 20% do seu capital comprado pelo estado, na nossa área, significa uma barreira na possibilidade de crescimento”, diz, explicando que, se uma empresa vale R$ 1,5 milhão e o estado detém R$ 300 mil, em uma segunda rodada de investimentos, esse percentual pode prejudicar negociações com futuros investidores privados. “Além de participar da gestão, o estado entra com muitos termos, o que pode prejudicar o crescimento das empresas”, afirma.

MAL-ENTENDIDO

Surpreso com as críticas negativas ao programa, o secretário-adjunto da Secretaria Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Sectes), Vinicius Rezende, explica que o Minas Digital é muito mais amplo e complexo. Ele diz que houve um mal-entendido sobre a comunidade San Pedro Valley e que o estado não pretende abrigar as empresas que formam a comunidade em hubs. “As empresas que irão para lá não serão do porte das da San Pedro Valley”, esclarece. Ele afirma ainda que o Seed não foi extinto. “Em 10 de junho foi publicado decreto para reformulá-la e melhorá-la. Uma das propostas, por exemplo, é a redução da contrapartida dos empreendedores digitais, de 10% para 5%.”, De acordo com ele, ainda este ano o novo Seed deve ser implantado, mas estará sob a reponsabilidade da Sectes.

Sobre a compra de 20% do capital das startups pelo estado, ele esclarece que serão somente 30 empresas selecionadas para esse fomento. “Isso não vai prejudicá-las. Quando criamos o programa, ouvimos vários atores de diversos segmentos e todos apontaram a necessidade de articular e fomentar essas empresas. Pesquisas internacionais mostram que startups são vendidas a US$ 300 mil para investidores e, quando têm uma proteção do estado, podem ser vendidas com um valor muito mais alto”, defende, ressaltando que o programa é arrojado, está em constante inovação, e “é inegável que, neste momento de crise financeira do estado, ele seja uma grande saída”.

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