El Escorial –A agenda de políticas públicas para a retomada do crescimento econômico da América Latina terá de avançar muito além dos programas de ajuste das contas públicas, que estão sendo adotados não só no Brasil, mas em todas as nações do subcontinente. Medidas de regulação de mercados para atrair investimentos do setor privado, principalmente em infraestrutura, e o enfoque na recuperação do emprego, como instrumento que ajudou a diminuir o nível de pobreza da região, serão decisivos, avaliou hoje o vice-presidente para América Latina e Caribe do Banco Mundial (Bird), Jorge Familiar.
O executivo falou sobre os desafios dos governos da região, depois do fim de um período de bonança que resultou em grande avanços sociais e econômicos, a um grupo de jornalistas da América Latina reunidos na Universidad Complutense de Madrid, em El Escorial, a uma hora de Madri. “A transformação social e o surgimento de uma classe média se deu também com o crescimento do emprego e o clima de negócios favorável aos investimentos privados”, afirmou Jorge Familiar.
Para esse motor do crescimento, contribuíram reformas que levaram a abertura comercial das nações latino-americanas e ao aumento da competitividade das economias da região. Segundo o vice-presidente do Bird, a revisão dos gastos públicos não pode ser o único foco, agora, num período de redução drástica do crescimento. A região enfrenta um grande corte no ritmo de expansão, que saiu de 6% em 2010 para cerca de 0,8% no ano passado.
Projeções recentes divulgadas pela instituição indicam uma taxa de crescimento de apenas 0,4% neste ano da América Latina. Para o Brasil, a previsão é de um encolhimento de 1,3%, percentual próximo do 1% estimado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). “A redução (do crescimento econômico) afetará um dos grandes motores da diminuição da pobreza na região, o mercado de trabalho”, disse o vice-presidente do Bird.
A despeito de todo o avanço socioeconômico e no combate à pobreza que a América Latina alcançou nos últimos anos, o Banco Mundial calcula que 130 milhões de pessoas do subcontinente subsistem com menos de US$ 4 por dia. Na maioria dos países, avaliou Jorge Familiar, a tarefa dos governos será criar uma agenda consistente de medidas em favor dos investimentos e do emprego.
Em particular na área de infraestrutura, o Banco Mundial sustenta que será necessário trabalhar muito. Estudos do Bird destacam que a América Latina investe cerca de metade das necessidades da região. A reomendação seria de aportes da ordem de 6% do Produto Interno Bruto (o PIB é o conjunto da produção de bens e serviços) do subcontinente. O encontro de Familiar com os jornalistas foi organizado pelo Banco Santander.
· A repórter viajou a convite do banco Santander
