A água se tornou uma preocupação crescente para os governos, na medida em que a demanda pelo produto segue aumentando, mas a oferta tem limitações, principalmente quando se consideram as secas e a poluição dos rios, afirma um estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgado nesta segunda-feira, 8. Os desafios ligados à água, afirma o documento, podem afetar a atividade econômica de diversos países e as perspectivas de crescimento.
"Recursos hídricos, que são essenciais para o desenvolvimento humano e para a sustentabilidade ambiental estão sob intensa pressão", ressalta o relatório do FMI, que faz um dos primeiros estudos voltados para o tema. A demanda por água tem crescido, em nível mais forte nos emergentes, como reflexo do aumento da renda e da urbanização.
As políticas dos governos normalmente têm sido inadequadas para enfrentar os crescentes desafios impostos pela água, afirmam os técnicos do FMI. O resultado é um investimento insuficiente na infraestrutura ligada à água e um uso ineficiente do produto. Sem uma melhora do gerenciamento de problemas ligados à água, afirma o FMI, mesmo o "avanço substancial" da tecnologia não deve contribuir para resolver os desequilíbrios entre oferta e demanda. "A incapacidade de gerir o aumento dos desafios da água pode dificultar as perspectivas econômicas de um país."
A água pode afetar o crescimento econômico dos países de diversas formas, afirma o FMI. É um produto essencial para a agricultura, a indústria e o setor de energia. Assim, secas e problemas de abastecimento ampliam a incerteza relacionada a estes segmentos e a falta de água pode levar a aumento de custo de produção e a uma parada do crescimento da produtividade. Em países muito dependentes da agricultura, como Marrocos e Moçambique, o estudo destaca que há uma alta correlação entre o Produto Interno Bruto (PIB) e a média anual de chuvas.
Das regiões do planeta, a América Latina é a que tem maior quantidade de água disponível, enquanto o norte da África é a pior. O Brasil é citado como um país com oferta alta de água, mas também tem nível elevado de enchentes e tem que lidar com o problema da seca. Apesar de 70% da superfície da terra estar coberta por água, apenas uma pequena parcela é disponível para o uso humano, ressalta o FMI.
