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Estado de Minas

Heinz e Kraft anunciam fusão com apoio de Buffet e do fundo brasileiro 3G Capital

Empresa será a terceira maior dos Estados Unidos no setor de alimentos e bebidas e terá vendas na ordem de US$ 28 bilhões


postado em 25/03/2015 08:10 / atualizado em 25/03/2015 15:08

A fusão dos grupos Kraft Food e Heinz é o último capítulo para a consolidação do setor gastronômico dos Estados Unidos, cenário de profundas transformações. Os grupos americanos H.J. Heinz Company (ketchup) e Kraft Foods Group (embutidos, queijos, cafés), se converterão assim no quinto grupo mundial da agroalimentação, com o apoio dos multimilionários Warren Buffett, americano, e Jorge Paulo Lemann, suíço-brasileiro, do fundo 3G Capital.

Os atuais acionistas da Heinz terão 51% do capital da nova sociedade, que se chamará The Kraft Heinz Company e será conduzida pelo diretor-geral atual da Heinz, Bernardo Hees. Os acionistas que controlam a Heinz, Warren Buffet e o fundo de investimento brasileiro 3G Capital, reinvestirão 10 bilhões de dólares na sociedade para poder oferecer aos acionistas da Kraft um prêmio de fusão de 16,50 dólares por ação em dinheiro assim como 49% do novo grupo.


A empresa contará com oito marcas que contam com um volume de negócios superior a 1 bilhão de dólares e outras cinco marcas com receitas anuais entre 500 milhões e 1 bilhão de dólares. Na véspera do anúncio, a capitalização da Kraft na Bolsa chegou aos 36 bilhões de dólares. A Heinz não cotiza na bolsa desde sua compra pela Buffet e seu aliado brasileiro.

O volume de negócios da Kraft Foods permaneceu estável em 2014, com 18,2 bilhões de dólares. Há anos que o fundo 3G Capital, fundado pelo milionário suíço-brasileiro Jorge Paulo Lemann, pratica uma política de aquisições agressiva no setor de alimentos. Atualmente é dono da rede de fast-food Burger King. O novo grupo estima vendas de 28 bilhões de dólares, ocupando a quinta posição mundial no ramo e o terceiro lugar nos Estados Unidos.

Grupo centrado nos EUA

Para os promotores da fusão, esse acordo deve resultar em uma economia de 1,7 bilhão de dólares por ano até 2017. "É meu tipo de operação: reunir duas organizações de categoria mundial e obter dividendos para os acionistas", festejou Buffett, que até 2010 foi o principal acionista da Kraft, antes das fortes divergências estratégicas com a direção. A Kraft decidiu vender suas pizzas para financiar a aquisição do grupo britânico Cadbury, mas Buffett se opôs à decisão.

A Kraft, que nasceu em outubro de 2012 do desmembramento da Kraft Foods no grupo atual e na Mondelez, comercializa toda a gama de produtos alimentares que vão de mostarda a salsichas (Oscar Mayer), passando por cafés e queijos. A Kraft deixou para a Mondelez os salgadinhos e biscoitos, para se concentrar no mercado americano.

Mas essa estratégia se valeu de críticas daqueles que a consideram muito restrita, em um momento em que o mercado está maduro nos Estados Unidos e que a indústria enfrenta mudanças nos hábitos alimentares dos jovens, mais inclinados a produtos naturais e orgânicos.

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