
Uma semana depois do Natal, a melhor data para o varejo, está aberta a temporada de liquidações no comércio de Belo Horizonte, com descontos de até 80%. Os tradicionais saldões, lançados nesta época do ano como forma de desovar o estoque e garantir capital de giro, atraíram uma multidão às lojas no primeiro dia útil do ano. Na disputa pela clientela, redes enfeitaram os empreendimentos com balões, confetes e, claro, cartazes anunciando as ofertas. Outras apostaram nos mascotes e em locutores profissionais. Mas é preciso cautela na hora da compra: vale lembrar que uma parcela dos produtos colocados em oferta é ponta de estoque ou fez parte do mostruário em 2014.
Ela faz questão de dizer que, além do desconto, pagará a mercadoria em seis prestações. Aliás, muitas lojas estamparam nas vitrines o percentual do desconto e em quantas vezes o cliente poderá quitar o débito. Uma das explicações é que o orçamento de boa parte das famílias brasileiras está comprometido com prestações antigas, devido à explosão de consumo estimulado pelo governo no início da década.
Para ter ideia, a Federação do Comércio de Minas Gerais (Fecomércio-MG) apurou que o endividamento do consumidor de BH fechou dezembro em 52,1%. Em janeiro do mesmo ano, esse percentual era de 48,4%. O aumento do endividamento puxa para cima a inadimplência, que passou de 6% para 6,3% de novembro para dezembro de 2014, segundo a Fecomércio.
COMPRAS
Os megassaldões aliviam o bolso de muita gente. O auxiliar de engenharia João Campos, de 21, fará uma viagem ao Rio de Janeiro e precisava de uma mala nova. Ontem, ele desembolsou R$ 360 numa que custava R$ 500 antes do Natal – economia de 28%. A estratégia também foi adotada pelo vigilante Cléberson Ferreira, que ontem foi atrás de uma bicicleta nova para a filha. “Valeu muito a pena, pois o preço do brinquedo caiu de R$ 410 para R$ 329 (20% a menos).” A diferença de R$ 81 lhe permitiu levar outros objetos para casa, além de pagar a corrida de táxi.
