
Para segurar o congelamento da gasolina e assim tentar controlar a inflação, que insiste em encostar no teto da meta anual, de 6,5% ao ano, o governo passou a reduzir gradualmente a Cide. Desde agosto de 2012, a contribuição está praticamente zerada, mas representava uma entrada anual expressiva nos cofres da União, de R$ 8,9 bilhões até 2011. “É uma possibilidade (a Cide). Há outras. Mais importante é a gente explicar o que a gente está vendo, o diagnóstico, e porque que a gente vai tomar as medidas”, disse ontem. “A sociedade sabe disso, tanto que desde meados do ano passado, todas as pesquisas diziam que as pessoas queriam mudanças, e parte da mudança é exatamente essa reorientação da economia, para muita realidade, muita aderência a tudo que está acontecendo e, na parte fiscal, um fortalecimento fiscal”, emendou.
Levy foi escolhido por Dilma para tentar recuperar a credibilidade de seu governo no mercado devido à deterioração da saúde das contas públicas e aos malabarismos contábeis para que o quadro não fosse tão ruim. De janeiro a outubro, o rombo em todo o setor público foi de R$ 11,6 bilhões. Logo, o futuro ministro não poderá poupar esforços para cumprir a meta de superávit primário (economia para o pagamento dos juros da dívida pública) de 1,2% do PIB, ou R$ 66,3 bilhões, que está na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) do próximo ano.
Na avaliação de Levy, se os ajustes forem feitos de “maneira firme e equilibrada”, a economia do país deverá voltar a crescer de forma mais rápida. “Fazer as medidas necessárias no tempo, e não esticar demais, na verdade, ajuda a no fim preservar empregos, ajuda a gente a rearrumar as coisas e recomeçar”, explicou.
As lideranças da oposição já avisaram que não vão facilitar a aprovação de medidas que aumentem a carga tributária. O especialista em contas públicas Raul Velloso, considera que o chefe da equipe econômica sabe disso e ele deverá optar pelo aumento de impostos que não dependam de aprovação no Congresso Nacional, como a Cide, o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) que deverão voltar para suas alíquotas normais. “Ele deve criar o que for mais simples de ser implementado. O ambiente do Congresso está muito hostil ao governo e será difícil aprovar medidas polêmicas. A história da Petrobras é uma nuvem escura que está atrapalhando e, para piorar, a presidente está com dificuldades para lidar com o PMDB (maior partido da base aliada)”, explicou Velloso. “Acredito que ele também vai pedir apoio para os governadores não ampliarem muito o seu nível de endividamento”, completou.
Esta semana, Levy fez um périplo pelo Congresso em busca de simpatia entre os parlamentares. Depois de conversar com os parlamentares da Comissão Mista de Orçamento (CMO), na terça-feira, o futuro ministro esteve reunido com senadores no gabinete do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).
