Brasília – Mesmo com a imagem da diretoria da Petrobras arranhada por sucessivos escândalos, o mercado tem dificuldades em apontar um nome para suceder Graça Foster na presidência da estatal, caso ela seja demitida. Parece não haver ninguém qualificado tecnicamente e, ao mesmo tempo, capaz de limpar os focos de corrupção entranhados na maior companhia do país.
Na terça-feira, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, defendeu a permanência de Graça Foster e dos atuais diretores da empresa. Cardozo disse que não há indícios ou suspeitas do envolvimento deles no esquema investigado pela Operação Lava-Jato. A defesa do ministro foi uma resposta ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que, na véspera, havia sugerido a substituição de toda a diretoria da Petrobras.
Para o economista Demetrius Borel Lucindo, da DMBL Investimentos, Graça Foster já deveria ter saído da presidência. “Em qualquer outro lugar do mundo ela estaria na cadeia. Não cai porque pode resolver falar o que sabe”, destacou. Segundo Lucindo, não adianta um eventual novo presidente ter perfil técnico. “A Graça é técnica e veja no que deu. Até o marido dela tem contrato com a Petrobras”, lembrou.
O consultor Robson Pacheco não acredita que seja necessária a substituição da presidente. “Não imagino um nome para sucedê-la, mas teria que ser alguém capaz de apagar os efeitos negativos dos escândalos. Também não acho que ela tenha que sair. Os funcionários dizem que ela é autoritária, mas ninguém duvida da sua capacidade de gestão”, ponderou.
Na opinião do economista da Compliance Clodoir Vieira, quem entrar na Petrobras vai assumir uma bomba-relógio. “E o estopim já está aceso”, disse. Para Vieira, Graça Foster está envolvida nos escândalos e a melhor opção, neste momento, seria a saída de toda a diretoria. “O momento é difícil para a sucessão, mas o correto seria todo mundo deixar seus cargos”, afirmou. (SK)
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Substituição de Graça Foster não é consenso no mercado
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