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Estado de Minas

Cotação do dólar vai subir mais no ano que vem

Previsão do mercado financeiro é que moeda dos EUA chegue a R$ 2,70 em dezembro de 2015. Para analistas, inflação deve fechar no teto da meta e PIB crescerá apenas 0,73%


postado em 09/12/2014 06:00 / atualizado em 09/12/2014 07:11

Com alta da divisa americana, viagens para o exterior ficam mais caras (foto: Rodrigo Clemente/EM/D.A/Press)
Com alta da divisa americana, viagens para o exterior ficam mais caras (foto: Rodrigo Clemente/EM/D.A/Press)

Brasília – Os brasileiros que planejam viajar para fora do país devem preparar o bolso. Se a alta recente do dólar já tornou muitos pacotes internacionais inviáveis, a que tudo indica 2015 será um ano ainda mais difícil para os turistas brasileiros. A aposta de cerca de 100 instituições financeiras consultadas pelo Banco Central na pesquisa semanal Focus é que a moeda norte-americana encerre o ano que vem cotada a R$ 2,70 para a venda.

A maior preocupação continua sendo com os próximos passos da política monetária dos Estados Unidos, que, após terem dado sinais mais claros de retomar o crescimento mais forte do Produto Interno Bruto (PIB), podem, a qualquer momento em 2015, começar a adotar políticas de contenção do consumo interno. Os analistas prevêem que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) subirá os juros ainda na primeira metade do ano que vem.

Caso a ameaça de um aperto monetário seja concretizada, haveria menos recursos para investimentos em países emergentes, como o Brasil, que apesar de possuir os maiores juros reais do mundo, não oferece a mesma segurança ao investidor que os EUA. Épelo fato de o Brasil ter tão elevados que o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, não acredita em uma debandada geral de recursos. “Acho que o dólar poderia ir para além de R$ 2,70, mas se o diferencial de juros (elevado) permanecer, e o petróleo em queda ajudar a fazer um resultado comercial melhor do Brasil, via aumento das exportações, acho que podemos ter um real um pouco abaixo desse patamar”, disse.

Preços


A alta da moeda norte-americana é um entrave ao controle da alta de preços pelo BC, já que um quinto dos insumos usados na produção nacional vem de fora do país. Não por outro motivo, os analistas ouvidos para a Focus projetam também uma alta da inflação em 2015. As previsões apontam que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o parâmetro oficial da carestia no país, ficará em 6,5% ao ano, na risca do teto da meta de inflação. Enquanto isso, o PIB cresceria apenas 0,73%.

Para Sidnei Nehme, economista-chefe da NGO Corretora, o que vai definir a trajetória do dólar é a sinalização que a próxima equipe econômica dará sobre como será a guinada da política fiscal e monetária no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff. Nos primeiros quatro anos de governo, ele frisou, o país trilhou um caminho de maior tolerância com gastos públicos, o que jogou mais lenha na fogueira da inflação. Na tentativa de evitar que os preços fugissem do controle, o governo promoveu intervenções no mercado de câmbio, ofertando, diariamente, US$ 100 bilhões. “A grande questão, agora, é saber quem vai conter a inflação, se serão os juros e política fiscal mais rígida, ou uma volta ao receituário que já se mostrou ineficiente, de tentar segurar os preços via âncora cambial”, disparou.


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