
E, para piorar, muitas delas estão com sérios problemas financeiros. Cerca de 1 milhão desses consumidores são clientes de operadoras consideradas ruins ou muito ruins pelo órgão regulador. Entre os planos odontológicos, a situação é ainda mais séria: quase 40% das empresas estão fora da faixa considerada positiva pela ANS. Esse grupo concentra 8% dos beneficiários, pouco mais de um milhão de pessoas.
O Índice de Desempenho da Saúde Suplementar (IDSS) medido pela ANS classifica as operadoras baseado em quatro fatores com pesos diferentes: atenção à saúde (40%), satisfação dos beneficiários (20%), estrutura e operação (20%) e situação econômico-financeira (20%). Com isso, chega-se a um indicador que varia entre 0 e 1. Quanto mais próximo de um, melhor a nota da empresa. Ficaram de fora todos os convênios que estão em processo de direção fiscal ou sob regime especial.
A maior parte das 1,2 mil operadoras que passaram pelo crivo da ANS estão na faixa considerada positiva pela reguladora, entre 0,6 e 1,0. O percentual de empresas nesse intervalo, inclusive, tem subido desde 2011, quando o IDSS começou a ser medido.
“Mesmo assim, o universo de usuários que estão vinculadas a convênios de avaliação mediana ou ruim é muito grande. São milhões de pessoas. E o consumidor deve ver essa nota como um parâmetro: se a empresa não tem um bom desempenho agora, poderá causar problemas maiores ao beneficiário mais à frente, como negativa de cobertura e falhas no atendimento”, apontou a coordenadora institucional da Proteste, Maria Inês Dolcci.
ESCOLHA Conforme o gerente-geral de integração setorial da ANS, João Matos, o objetivo do levantamento é munir os consumidores de informação na tentativa de evitar escolhas erradas. “Esse é o grande foco. O objetivo é que o público possa tomar as melhores decisões na escolha do plano. Ou até eventualmente para a troca de um plano, caso identifique uma operadora de qualidade melhor”, explicou. Ele reconhece, contudo, que ainda há um longo caminho para frente. “Ainda há muitas operadoras que não são boas, mas a ANS está no processo para tornar o setor melhor”, completou.
Os especialistas recomendam, no entanto, que o beneficiário não se atenha apenas a esses dados no momento de escolher o melhor plano. “No IDSS, a opinião do usuário conta apenas 20%. Então, para tirar uma conclusão mais acertada, o melhor é não se pautar só nesse dado e procurar também o ranking de reclamação do Procon e da própria ANS”, explicou a advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Joana Cruz.
As entidades que representam os planos apoiam o acompanhamento do desempenho da rede assistencial. A Federação Nacional de Saúde Suplementar (Fenasaúde) atribui a “contínua melhora nos resultados do IDSS” aos “esforços em qualificar suas operações e atendimento". A Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge) ressalta que “a divulgação de um ranking de qualidade pode refletir uma situação transitória”.
