
As outras duas datas importantes para o varejo são o Dia das Crianças, cujos dados ainda não foram consolidados, e o Natal. É bom lembrar que, apesar de as três primeiras previsões não terem sido atingidas, houve um crescimento, ainda que moderado. Portanto, destaca Iracy Pimenta, economista da CDL-BH, “é forte dizer que 2014 é um ano perdido para o comércio da capital”. Mas ela enfatiza: “Está sendo um ano de fraco aumento no volume de vendas”.
Antes mesmo do fim do primeiro semestre, a CDL-BH reviu para baixo a previsão de aumento de vendas ao longo do ano. “De 3,5% para algo entre 2% e 2,5%”, lamentou Iracy Pimenta. Os números mostram que este ano está sendo difícil para os lojistas da cidade. Tanto é assim que o primeiro semestre de 2014 foi o pior dos últimos cinco anos em volume de vendas para o setor.
De janeiro a junho deste ano, as vendas subiram 1,9% no varejo da capital, abaixo dos percentuais apurados em igual período acumulado nos anos de 2013 (3,99%), 2012 (6,75%), 2011 (6,06%), 2010 (6,1%) e 2009 (3,9%). O mesmo cenário ocorre em outras capitais. Uma das justificativas para o pequeno aumento nas vendas nas datas comemorativas deste exercício é a alta do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e considerado a inflação oficial do Brasil.
No início do ano, a equipe econômica do Palácio do Planalto avaliou que o indicador no acumulado do ano ficaria em 4,5%, sendo o teto da meta 6,5%. Entretanto, o IPCA dos últimos 12 meses, encerrados em setembro, mostra que a inflação nesse acumulado está em 6,75%. Para se ter uma ideia, há um ano, a inflação no acumulado dos 12 meses anteriores fechou com alta de 5,86%. Portanto, o indicador atual está 15,18% acima.

SELIC Foi em razão das altas nos preços que o Banco Central decidiu, na quarta-feira passada, elevar a Selic, a taxa de juro básica do país, em 0,25 ponto percentual, atingindo 11,25% ao ano. O indicador está bem acima da taxa de março do ano passado (7,25%), a mais baixa da história. A estratégia é frear o consumo, forçando redução nos preços e queda na inflação, uma vez que o crédito fica mais caro. O aumento do juro nos últimos meses levou as famílias da capital a planejar mais seus gastos. É o que indica um levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio). Em março deste ano, 69,3% dos entrevistados disseram que planejam o orçamento.
O percentual subiu para 81,9% em outubro. O mesmo estudo concluiu que o total de consumidores que não planejaram as finanças caiu de 30,7%, em março, para 18% em outubro. “Indica uma mudança nos hábitos de consumo, que, em longo prazo, ampliará o poder de compra do consumidor. Porém, falta ao consumidor executar esta intenção com maior rigor”, adverte Gabriel Ivo, economista da Fecomércio. Na pesquisa coordenada por ele, chamou atenção o universo de respostas dos consumidores que disseram que precisam recorrer a algum tipo de financiamento (cheque, cartão etc.) para cobrir os gastos: de 1,5% dos entrevistados em setembro para 38,4% em outubro.
