
Guerras, riscos de epidemia, crises internas ou externas provocam rápidas oscilações e mexem com o ânimo do mercado. As influências estão por todos os lados. Praticamente tudo pode interferir no valor das ações, levando investidores a perder ou a ganhar dinheiro. Mas perceber isso – de maneira cada vez mais clara – não elimina o caráter enigmático do mundo acionário.
Educadores financeiros, corretoras e a própria Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa) se unem em uma missão permanente de apresentar o mercado de capitais como importante opção de investimento para os brasileiros e de financiamento para o setor privado do país. Ao mesmo tempo, tentam desmistificar a ideia de que a bolsa não passa de um grande cassino em que reinam especuladores, encarados sempre de forma bastante pejorativa.
O período de incertezas da economia brasileira contribui para afastar investidores da bolsa. Não à toa, este ano ainda não houve uma sequer abertura de capital, o chamado IPO (sigla em inglês para oferta pública de ações), quando uma empresa lança títulos no mercado a fim de captar recursos para financiar projetos de investimento, fortalecer a imagem do negócio ou usar o valor das transações para, por exemplo, viabilizar planos de expansão e fusão.
Dividendos Em países desenvolvidos, as companhias de pequeno, médio e grande portes recorrem à bolsa de valores como alternativa aos empréstimos bancários. É a partir da oscilação do preço das ações que elas garantem o impulso para o cumprimento de metas. Na outra ponta, a população que compra ações – e passa, assim, a ser sócia das empresas – costuma usar os dividendos (a repartição dos lucros) como complemento do salário ou mesmo da aposentadoria.
No Brasil, como tem prevalecido uma clima de indefinição com a economia e o balanço das empresas não anda surpreendendo positivamente, a bolsa viu recuar o patamar de aplicadores pessoas físicas, hoje em torno de 14%. “Um dia, as ações sobem 6%. No outro, caem 5% e, em seguida, voltam a subir. Essa volatilidade assusta as pessoas, parece uma maluquice”, comenta o Emilio Otranto Neto, ex-diretor de Desenvolvimento e de Relações Institucionais da BM&FBovespa.
Quase todos os bancos oferecem aos clientes fundos de ação, que exigem uma aplicação mínima de R$ 100, inicialmente. Ao invés de aplicar em papéis de uma única empresa, investe-se em títulos de um conjunto de companhias com potencial de valorização. Aplicar em bolsa é uma forma de diversificar o patrimônio. Por isso, acrescenta Otranto, o ideal é que, com a ajuda de profissional experiente, o investidor monte uma carteira com ações de diferentes setores.
