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Estado de Minas

Com alimentos mais caros, inflação acelera em setembro e supera teto da meta

Em agosto deste ano, a taxa havia sido 0,25%. Em 12 meses, a taxa ficou em 6,75%, acima do teto da meta estipulada pelo governo, de 6,5%


postado em 08/10/2014 09:19 / atualizado em 08/10/2014 11:24

Depois de três meses de trégua, o preço dos alimentos voltou a subir. A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou setembro com alta de 0,57%, ante um aumento de 0,25% em agosto. No ano, o IPCA acumulou uma alta de 4,61%. Em 12 meses, a taxa ficou em 6,75%, acima do teto da meta estipulada pelo governo, de 6,5%.

A taxa é a mais alta desde outubro de 2011, quando chegou a 6,97%, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira. Já o resultado apenas de setembro, de alta de 0,57%, foi a taxa mais elevada desde abril deste ano, quando o IPCA subiu 0,67%. Em setembro de 2013, a taxa havia sido de 0,35%.

A inflação acumulada em 12 meses ultrapassou 7% em três regiões metropolitanas no mês de setembro. No Rio de Janeiro, alcançou 7,63%. No Recife, a taxa ficou em 7,16%, enquanto em Curitiba foi de 7,13%. Em Belo Horizonte, o índice ficou em 6,4% no período.


"Quando a gente olha as regiões pesquisadas, a maioria apresentou em setembro resultado acima do de agosto. O IPCA em Salvador, Brasília e Vitória ficou perto de 1%, então essas populações foram mais sacrificadas", apontou Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE. Segundo ela, os alimentos exerceram papel preponderante para a aceleração da inflação nas regiões metropolitanas.

"Em setembro, os alimentos pararam de cair e tiveram pressão forte sobre a taxa (do IPCA). Os alimentos respondem por maior parcela das despesas dos consumidores", afirmou a coordenadora do IBGE. "O segundo semestre se caracteriza por período de entressafra, então não é novidade que exerçam alguma pressão no segundo semestre do ano", completou.

Alimentação pesa

Conforme o IBGE, o grupo alimentação e bebidas saiu de deflação de 0,15% em agosto para alta de 0,78% no mês passado e respondeu pelo maior impacto por grupo na taxa de 0,57% do IPCA de setembro, com uma contribuição de 0,19 ponto porcentual. O aumento respondeu por um terço da inflação.

Os alimentos vinham de três meses de quedas: junho (-0,11%), julho (-0,15%) e agosto (-0,15%). Em setembro, o principal aumento foi o das carnes, que subiram 3,17%, o equivalente a uma contribuição de 0,08 ponto porcentual para a inflação do mês e maior impacto no IPCA.

O quilo da carne ficou, em média, 3,17% mais caro. No entanto, outros produtos importantes na cesta do consumidor também aumentaram em setembro, como cebola (10,17%), cerveja em casa (3,48%), farinha de mandioca (2,52%) e frutas (2,11%). Em Belo Horizonte, as contas de energia elétrica ficaram 1,34% mais caras, em função das alíquotas do PIS/PASEP/COFINS.

Outro grupo de despesas que teve contribuição importante para a inflação de setembro foi transportes, com taxa de 0,63%. Só as passagens aéreas encareceram 17,85% em setembro. O item representou o segundo maior impacto para o IPCA, atrás apenas das carnes. Outras contribuições vieram dos aumentos de conserto de automóveis (1,35%) e de automóveis novos (0,76%). Na direção oposta, os combustíveis ficaram 0,05% mais baratos. O litro da gasolina recuou 0,07%, enquanto o etanol teve ligeira queda de 0,01%. (Com agências) 


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