
Otimistas e apostando todas as fichas na virada que o Natal pode trazer para o comércio, muitos empresários estão investindo pesado para atrair também os olhos dos consumidores nessa época. Para se ter ideia, segundo comenta Conceição Cipolatti, diretora da empresa que leva seu sobrenome e é tradicional no ramo de decoração – principalmente natalina – no Brasil e no exterior, muitos são os shoppings que aumentaram o valor do investimento para tradicional data em até 10%. “Também tivemos um aumento no número de projetos. O que temos percebido é que os empresários estão investindo em novidades, como é o caso, por exemplo, de dois shoppings em uma cidade brasileira que terão, dois carrosséis como atração natalina”, revela. Em Minas Gerais, ela está responsável pelas decorações do Pátio Savassi, BH Shopping e ViaShopping Barreiro. Ela adianta alguns desses centros de compras também aumentaram o investimento na decoração natalina deste ano.

Mas Cláudia diz que a maioria das mercadorias em sua loja não teve reajuste e permanece com o mesmo valor do ano passado. Um dos pontos que favorecem o otimismo na Casa Futuro, conforme destaca a empresária, é o aumento no número de projetos decorativos para este ano. “Tivemos uma demanda 25% maior do que a do ano passado”, diz. Com Papai Noéis que custam entre R$ 5 e R$ 2 mil, a Casa Futuro também não deixou de precisar de empregados temporários e manteve o número de contratações do ano passado. “Temos uma faixa de 15 funcionários em dias normais. Para o Natal, passamos para 45”, conta.
A Casa Maia, no Bairro Santo Agostinho, na Região Centro-Sul, apesar de muito bem decorada, ainda não está 100% pronta para o Natal. E, mesmo assim, já tem cliente à procura de produtos. Nesta semana, acabam os últimos retoques da loja e segundo conta a gerente, Margarida Menezes, a expectativa é boa. “Os consumidores já estão procurando nossas mercadorias. No sábado, por exemplo, houve quem comprasse bolas e outros enfeites”, diz. Com preços de árvores que vão de R$ 300 a R$ 5 mil, Margarida também afirma que houve um aumento no preço de algumas, algo em torno de R$ 100. “Mas estamos otimistas e apostando nas novidades que estamos trazendo. O Natal é lúdico e mexe com o consumidor”, diz.

Com expectativa de crescimento nas vendas de até 15% neste Natal, muitos supermercados em Belo Horizonte já colocaram nas gôndolas um dos ícones da data: o panetone. Com valores mais altos do que no ano passado, cerca de 30% mais caros, alguns estabelecimentos apostam nas vendas daqueles feitos pelas próprias redes, que podem chegar a custar até 50% mais barato do que os de marcas. “A alta dos preços desses alimentos é reflexo da inflação”, comenta a economista da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), Ana Paula Bastos.
Desde a semana passada, hipermercados como o Extra e o Carrefour estão com os panetones à venda em suas unidades da Grande BH. No Extra, a disposição dos produtos foi antecipada em 15 dias em relação ao mesmo período de 2013, por causa da procura da iguaria pelos clientes. E a expectativa da empresa é de alta de 10% na venda de panetones, em comparação ao ano passado, segundo informa sua assessoria de imprensa. Já o Grupo Super Nosso e Apoio vai lançar a delícia da marca do grupo em meados de outubro e a expectativa é de que o Natal represente 15% de aumento nas vendas em relação a 2013. “As coisas estão caras demais. No mês passado, minha compra ficou R$ 600 mais cara do que a do mês anterior, sendo que comprei menos. Por isso, neste Natal não vou gastar muito”, comenta a babá Cristiane Souza Sena, que, depois de ver um panetone no Extra, não resistiu e levou para casa. “Mas o preço está salgado. Até parece que chegamos em dezembro”, brincou.
De acordo com Ana Paula Bastos, a chegada da decoração natalina na vitrine antes do Dia das Crianças não é de se espantar: trata-se de uma estratégia das empresas de atrair o consumidor cada vez mais cedo. A expectativa de aumento nas vendas do ano para o comércio, segundo ela, é de 2,5% a 3,5%. “Ainda não temos uma estimativa para o Natal. O Dia das Crianças será um termômetro e a expectativa para ele é de que haja um crescimento de 1,5% a 2,5% em relação ao ano passado.” Sobre a alta nos preços, além da inflação, ela comenta que a alta do dólar, chegando atualmente a R$ 2,44, também reflete no valor das mercadorias. Vale lembrar que, no caso das lojas decorativas, muitos dos produtos são importados. “Apesar disso, é uma data que tem um apelo emocional muito grande. As pessoas acabam comprando algo para presentear”, lembra a economista.
