
Em julho, o faturamento do setor supermercadista encolheu 0,14% no estado em relação ao mesmo período do ano passado. Apesar de projetar expansão de 2,5% no fechamento do ano, acima do crescimento do país, as redes já percebem as mudanças no comportamento dos clientes. “Nesse momento, a dona de casa está mais seletiva, comparando mais preços e marcas. As compras são mais reflexivas e menos impulsivas”, avalia Adilson Rodrigues, superintendente da Associação Mineira de Supermercados (Amis).

A estudante Rebeca Vicente, de 21 anos, divide o apartamento com uma amiga. As despesas de casa são compartilhadas e as compras no supermercado são feitas semanalmente. “Procuro conciliar as duas coisas: preço e localização. Moro no Centro e aqui tem muitas opções”, afirma. Rebeca revela ainda que as compras ficam em torno de R$ 60 por semana e que ela sempre paga à vista. “Procuro os produtos mais baratos e se está mais caro que o de costume, substituo por outra coisa. Não gosto de usar o cartão de crédito e acumular prestações. A fatura vem sempre com valores acima do que esperamos”, completou.

Maida Sales, gerente de marketing da rede Super Nosso, com 16 lojas na Grande BH e Apoio Mineiro com 11 unidades, ressalta que o cliente está mais criterioso, levando sua lista de compras, mas não deixou de comprar “A última coisa que o consumidor abre mão é da alimentação. Ele prefere cortar em lazer, por exemplo.”
Controle de contas
A taxa da inadimplência acumulada de janeiro a julho na capital chegou a 5,06%, segundo a CDL-BH. O percentual está acima do apurado no mesmo período do ano passado, de 4,4%. Pesquisa sobre o perfil dos adimplentes aponta que a maioria tem acima de 40 anos, conta com renda até quatro salários mínimos, prefere pagar a vista e tem apenas um cartão de crédito e divide despesas com outros membros da família. A pesquisa ainda aponta que 53,8% não têm reservas. “Os adimplentes estão mais cautelosos ao consumir. A maioria paga as contas em dia, mas não consegue fazer poupança porque a inflação está corroendo o salário”, observa Ana Paula Bastos, economista da CDL/BH. Ela ressalta que a dívida do consumidor adimplente está ligada à prestação da casa própria e do automóvel. “São as consideradas dívidas boas.”
A consumidora Maitê Miranda é autônoma e faz parte da fatia de consumidores que mantém as contas em dia. Ela prefere pagar todas as compras à vista, mesmo tendo cartões de crédito disponíveis. Maitê e o marido cortaram o cartão de crédito há dois anos, passando a utilizar apenas o de débito. Com isso, ela conseguiu economizar parte do salário que antes era utilizado apenas para o pagamentos das faturas do cartão. “Enquanto usávamos o crédito só conseguíamos fazer para pagar os juros. Hoje, estamos com as finanças controladas, compramos um consórcio para juntarmos dinheiro”, conta Maitê. A consumidora faz parte dos 25% dos adimplentes que, segundo pesquisa da CDL, consegue ter alguma poupança. “Todos os meses tentamos guardar pelo menos 10% da renda da família para situações de emergência.”

