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Estado de Minas

Mina promete tirar cidade do vermelho

Reativação da Baratinha deve gerar 320 vagas diretas no município com o pior indicador de emprego do estado


postado em 07/08/2014 06:00 / atualizado em 07/08/2014 07:51

Fechada desde a década de 1980, a antiga mina Baratinha, na área rural de Antônio Dias, a 180 quilômetros de Belo Horizonte, será reativada com a possibilidade de produzir 2 milhões de toneladas anuais de concentrado de minério de ferro, o sinter feed de alta qualidade (66,1%), desta vez pela GO4 Participações e Empreendimentos S.A., do grupo Bemisa (sigla para Brasil Exploração Mineral S.A.) – a antiga proprietária foi a Extramil. O empreendedor não revelou o valor do aporte, contudo, o recurso deverá gerar 320 empregos diretos e 800 indiretos, retirando a cidade mais antiga do Vale do Aço do topo de uma lista nada agradável: o saldo anual de empregos no município está no vermelho desde 2008.

Antônio Dias é a única cidade do estado em que isso ocorreu. Para se ter ideia, segundo balanço do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), os postos de trabalho em Antônio Dias ficaram negativos em 2013
(-394 vagas), 2012 (-15), 2011 (-15), 2010
(-34), 2009 (-53) e 2008 (-57). “Agora vai faltar mão de obra na cidade”, comemora Denner Franco Reis, procurador-geral do município. A mina, geograficamente, está mais próxima de Timóteo do que de Antônio Dias, o que poderia levar a Bemisa a contratar colaboradores na cidade vizinha.

Porém, para se beneficiar de uma lei de Antônio Dias que diminuiu a alíquota do Imposto sobre Serviço (ISS) de 5% para 2,8%, a empresa precisa contratar funcionários na cidade. “Seria mais fácil contratar em outros municípios, como Timóteo, em razão de o transporte ser mais fácil. A Bemisa tem (com a prefeitura) um protocolo de intenções e uma das cláusulas é a qualificação profissional”, completou o procurador-geral. Ele próprio é natural de outra cidade: Ipaba, a 80 quilômetros de lá.

A história da mineração se confunde com a de Antônio Dias. O nome da cidade é uma homenagem ao bandeirante que fundou o lugarejo, hoje com cerca de 10 mil moradores, e também a histórica Ouro Preto. Antônio Dias fundou o município homônimo em 1706 – ele e outros homens exploraram o local em busca de pepitas de ouro. Hoje, o minério de ferro promete ser o salvador da cidade.

META Estudo da Bemisa concluiu que, a partir de 2015, a mina terá capacidade anual de produzir 2 milhões de toneladas de minério pelo método de lavra a céu aberto. Inicialmente, porém, a produção será em torno de 300 mil toneladas por ano. Vale lembrar que a mina está próxima a importantes players siderúrgicos do país.

Segundo a Bemisa, “pesquisas geológicas (realizadas em 2013) indicam que a área com ocorrência de minério de qualidade e quantidade chega a 72,67 hectares”. Ainda de acordo com a empresa, “os recursos minerais foram certificados em 27,3 milhões de toneladas de hematitas compactas e itabiritos apropriados para produção de sinter feed de alta qualidade e baixos níveis de contaminantes”.

O projeto de reativação da mina inclui obras como a construção de um posto de combustíveis para a frota da empresa e uma unidade de tratamento da commodity. O empreendimento também prevê a abertura de uma estrada de 5 quilômetros de extensão, que, na prática, seria um atalho para que os caminhões cheguem à BR-381.

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